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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

09/09/2013 08:27

Por que defendo o "mais médicos"

Por Semy Alves Ferraz (*)

Chega a causar perplexidade a injustificável e virulenta oposição ao programa Mais Médicos, implantado pelo Governo Federal para atender às demandas populares e dar solução à grave crise em que se encontra o SUS (Sistema Único de Saúde).

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E, justiça seja feita, não é por causa de verbas federais para o SUS, pois nunca se investiu tanto na saúde como nos últimos anos na história do Brasil.

E não adianta alegar desconhecimento de que, em meio a uma crise de gestão em instâncias locais e estaduais, o maior problema detectado é a falta de médicos em regiões em que a saúde é mais precária e as condições de vida são indiscutivelmente críticas.

Caiu, assim, por terra o inconsistente argumento de que primeiro é preciso construir hospitais e equipá-los para depois contratar médicos. Essa era a lógica da caduca medicina curativa, a mesma que excluía o paciente que não estava inserido no seguro previdenciário, então chamado de (sic) “indigente”.

Diferente é o preconizado pela ESF (Estratégia de Saúde da Família), que há mais de quinze anos vem focando a medicina preventiva, nos moldes do médico de quarteirão consolidado em diversos países com base na experiência pioneira de Cuba. E esse modelo foi adotado no Brasil num tempo em que os opositores eram os governantes, e na ocasião nós apoiamos por se tratar de um avanço histórico.

Mas hoje a situação beira as raias da irracionalidade. De um lado, o corporativismo de empresários do setor, muitas vezes travestidos ou utilizando humildes profissionais. Do outro, os grandes meios de comunicação, com o explícito apoio da oposição política, que como nunca perdeu o norte ou está destituída de uma ação proativa e da criatividade que sempre pautou as correntes populares no País.

Na ânsia de apresentar um quadro caótico para a população, cuja dramaticidade tem forte apelo social, a grande mídia e os oposicionistas querem irracionalmente manter tudo como está, indiferentes ao real drama dos usuários do SUS, os verdadeiros donos do sistema.

E não é por falta de informação que temos visto cenas que envergonham o povo brasileiro, cuja tradição acolhedora e hospitaleira tem sido aviltada pelos mesmos setores que vivem da tragédia do cidadão anônimo, a vagar de hospital em hospital, de cidade em cidade, à procura de um direito há vinte cinco anos consignado na Constituição Federal.

O acinte ganhou contornos de surrealismo quando chegou ao cúmulo de agredir verbalmente dignos profissionais estrangeiros, legalmente contratados para suprir uma demanda nefasta que infelicita expressivas camadas populares nas mais diferentes regiões do Brasil. Entre manifestação de xenofobia e racismo, foram flagrados indivíduos que se dizem profissionais da medicina, mas cujo comportamento não condiz com quem fez o sagrado juramento de Hipócrates, o humanista que inspirou o ofício do médico.

A bem da verdade, a tese do quanto pior melhor é da tradição dos grupelhos golpistas, que sempre torceram e fomentaram o insucesso das iniciativas benéficas para o povo brasileiro. Para felicidade dos que vivem do trágico cotidiano do laborioso cidadão comum – este sim refém da ineficiência, da inoperância e da letargia do serviço público –, a crise do setor da saúde se reveste de contornos de crueldade.

É, afinal, nela em que deságuam as fragilidades de uma sociedade concentradora, excludente e socialmente injusta. Quadro ideal para a demagogia das elites que em mais de cem anos de vida republicana nunca priorizaram as políticas sociais, nem para paliar o abismo social que impera desde os tempos da colonização.

Apoiar, portanto, a corajosa iniciativa do Governo Federal, defendendo racional e logicamente o programa pioneiro Mais Médicos, representa consolidar o SUS e por meio dele a inovadora ESF, antes chamada Programa Saúde da Família, essencialmente o mesmo. Longe de enveredarmos em um infértil debate ideológico, a defesa contundente do Mais Médicos é uma tarefa para os cidadãos que sincera e efetivamente querem uma saúde condigna com os paradigmas de uma sociedade justa e democrática, indiferentemente de quem esteja governando o País, o estado e o município.

(*) Semy Ferraz é engenheiro civil e Secretário de Infraestrutura, Transporte e Habitação de Campo Grande.

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Semy Ferraz, parabéns pela sua brilhante exposição como conhecedor de uma causa e disto deu prova que entende desse assunto. O resto é o velho e "enrustido corporativismo médico " que querem ficar amontoados nos grandes centros e o povo em regiões distantes ficam morrendo a minguá porque não tem quem lhes oriente pelo menos na saúde básica.O governo federal está corretíssimo em ampliar o "Mais Médicos" custe o que custar. Nunca vimos uma classe tão gananciosa como é classe médica. Se acham deuses, intocáveis, inclusive muitos que são grosseiros, mau educados com os pacientes,.O certo não seria quanto mais se estuda mais educação possa ter? Infelizmente não é isso que a população percebe. Se a classe médica quer ganhar o apoio dos pacientes, trate de mudar-se a si próprios sendo educados.
 
João Alves de Souza em 10/09/2013 01:43:14
Parabéns, Semy. Reconheço em seu artigo o fundamento de quem conhece a causa. Conhecendo-te, das antigas e aguerridas lutas contra as injustiças sociais que ganham força a cada eleição, sinto-me confortado por observar em um administrador público a isenção e coragem de defender o justo pelo justo. Otoni.
 
Otoni Cesar Coelho de Sousa em 09/09/2013 14:25:21
A defesa acima não podia ser de outra pessoa, senão de um petista encastoado no poder. A verdade é uma só, Cuba deveria ser nestes 50 anos de administração dos irmãos Castro, a jóia do mundo. Entretanto, ficou no atraso total e culpam os EUA pela incompetência do regime comunista. Agora os petistas querem copiar o modelo cubano, que serve apenas para manter os mandatários no poder. O Brasil está alerta! o povo não deixará que o socialismo, um comunismo disfarçado tome posse do país.Os médicos cubanos trabalham em regime de semi-escravidão para o regime cubano, onde até os salários o governo é quem decide o quanto pagar. Para o Brasil isto é uma vergonha, mandar o dinheiro do salário dos médicos p/ o governo cubano decidir o quanto pagar a cada um. É o fim da picada!!! Acorda Brasil!!!!
 
ademir gomes em 09/09/2013 11:04:19
Parabens pelo artigo, verdadeira demonstraçao de lucidez politica e de conhecimento.
 
EDILSON PEREIRA DA SILVA em 09/09/2013 09:29:47
O que causa protesto no setor da medicina não é o Programa "Mais Médicos", e sim, como ele foi implantado...na sorrateira, por debaixo do pano..e atropelando as normas federais que norteiam a contratação médicos estrangeiros, ou seja, o "revalida"...Outra barbaridade que o Governo do PT fez foi o contrato com o Governo de Cuba, pagando os honorários dos médicos diretamente com o "patrão"
 
Eugênio de Souza em 09/09/2013 09:26:44
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