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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

04/03/2012 09:17

20 anos depois

Por Rosildo Barcellos (*)

Em março de 2012 estou completando 20 anos como articulista. É certo que ao fazer tudo isso agreguei um conhecimento incomum e privilegiado, assim como uma amplitude que jamais poderia ter imaginado. Entretanto na maioria das vezes pensara que quando aceitamos as coisas, de uma maneira natural elas nos sobrepujam de um modo ou de outro. Ouso inferir que isso não é verdade, não há supedâneo, em absoluto.

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O que me valeram estes anos todos foi entender que somente aceitando as coisas e procurando entendê-las é que nós podemos assumir uma atitude em relação a elas. Desatando os nós e algumas amarras do passado para enfrentar a vida como ela é. A que ponto chegamos... Imagino propugnar agora por fazer o jogo da vida. Então chegamos ao ponto crucial. Como faremos isso?

Em primeiro lugar devemos ser receptivos a tudo que nos chegar, tanto faz se for bom ou mal, sol e sombra alternando-se eternamente; dívidas amontoando-se,ligações dos cobradores (faz parte) e, desta forma, aceitar também minha própria natureza, com seus aspectos positivos e negativos e assim poder entender a limitação das pessoas ao nosso redor . Só que esbarrei num grande problema: a linguagem.

Ainda estou decidindo se sou eu que não entendo as pessoas ou são elas que não me entendem. Poderia citar quão diferença em ouvir Alcione (marrom) de 20 anos atrás e a Mulher Melão cantando o hit “Você quer ? Entretanto esse assunto é tão vasto que deixo para o próximo artigo; se Deus assim permitir.

Mas quero me reportar a uma nova linguagem: a do mundo virtual.

É uma seqüência de simplificações informais e que com a difusão dos avatares, chats, nicks, orkuts e blogs causam uma grande preocupação para todos os pais e educadores que me procuram para falar sobre esse assunto. Desde domingo, por conta própria comecei a fazer um mini-dicionário internetês – português onde já constam, por exemplo: Tc=teclar, demais=d++, porque=pq, aqui=aki, não= naum, de=d. Talvez possa ir mais além.

Que tal uma gramática de bolso com a exordial a partir da grafia correta das palavras e de seus significados? Para aqueles que esqueceram que mal e mau têm diferença ou ainda aquelas que parecem mas não são: deferir (aceitar) e diferir (diferenciar); flagrante (evidente,no ato) e fragante (perfumado); infringir (desrespeitar) e inflingir (aplicar) ou ainda um vernáculo para apimentar esse texto: incipiente (iniciante) e insipiente (ignorante).

Quantos de nós sabemos isso? Não quero afirmar que a nossa língua culta está ameaçada, longe de mim dizer isso, mas que as pessoas entendem cada vez menos umas às outras parece óbvio. Agora, projetem isso para mais uns dez anos,o que poderemos esperar.

Outrossim percebo que as famílias não conversam entre si, os pais não sabem da vida dos filhos... Seus anseios e suas expectativas, ou seja mais e mais pessoas com depressão, estresse e fobias. Os filhos já pensam em como repartir a herança depois que os “velhos” se forem. E eu continuo aqui achando que ainda posso mudar o mundo através da educação. Triste fim de Policarpo Quaresma.

(*) Rosilo Barcellos é professor, articulista e palestrante.

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Sinceramente é muito difícil falar de tantos assuntos diferentes e concatená-los todos num mesmo eixo como se fossem afluentes de um rio. Que o campograndenews continue a nos brindar com textos dessa qualidade onde nós aprendemos,refletimos e discutimos os assuntos num linguagem serena e tranquila mas tão essenciais para entendermos o nosso cotidiano.
 
Laisa Andrade em 06/03/2012 05:39:02
Parabéns prof. Barcellos pelo tempo em que contribui para a construção de um mundo melhor. Penso que, somente através da Educação poderemos mudar o mundo e que, tal pensamento, não é utópico.Basta acreditar e continuar fazendo.
 
Nosimar F.S.Rosa em 04/03/2012 12:02:54
Não podia deixar de ofertar minha opinião neste espaço em pleno domingo. Primeiro,porque logo cedo já virou costume acessar o campograndenews para saber o que há de novo e me encantei com o "lado B" contando sobre o que era estranho há 13 anos hoje é indispensável ao mercado publicitário. E que obra prima é o artigo "Vinte anos depois". Vi minha vida estampada no último parágrafo. Maravilhoso!
 
Renata Santos em 04/03/2012 03:56:39
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