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Campo Grande, Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

02/11/2011 08:05

A autonomia da USP!

Lincoln Secco*

Não é comum ver livros como armas. Enquanto no dia 27 de outubro de 2011 a imprensa mostrou os alunos da FFLCH da USP como um bando de usuários de drogas em defesa de seus privilégios, nós outros assistimos jovens indignados, mochila nas costas e livros empunhados contra policiais atônitos, armados e sem identificação, num claro gesto de indisciplina perante a lei. Vários alunos gritavam: “Isto aqui é um livro!”.

Curioso que a geração das redes sociais virtuais apresente esta capacidade radical de usar novos e velhos meios para recusar a violação de nossos direitos. No momento em que o conhecimento mais é ameaçado, os livros velhos de papel, encadernados, carimbados pela nossa biblioteca são erguidos contra o arbítrio.

Os policiais que passaram o dia todo da ultima quinta feira revistando alunos na biblioteca e nos pátios, poderiam ter observado no prédio de História e Geografia vários cartazes gigantes dependurados. Eram palavras de ordem. Algumas vetustas. Outras “impossíveis”. Muitas indignadas. E várias poéticas... É assim uma universidade.

A violação da nossa autonomia tem sido justificada pela necessidade de segurança e a imagem da FFLCH manchada pela ação deliberada dos seus inimigos. A Unidade que mais atende os alunos da USP, dotada de cursos bem avaliados até pelos duvidosos critérios de produtividade atuais, é uma massa desordenada de concreto com salas superlotadas e realmente inseguras. Mas ainda assim é a nossa Faculdade!

É inaceitável que um espaço dedicado á reflexão, ao trabalho, à política, às artes e também à recreação de seus jovens estudantes seja ameaçado pela força policial. Uma Universidade tem o dever de levar sua análise crítica ao limite porque é a única que pode fazê-lo. Seus equívocos devem ser corrigidos por ela mesma. Se ela é incapaz disso, não é mais uma universidade.

A USP não está fora da cidade e do país que a sustenta. Precisa sim de um plano de segurança próprio como outras instituições têm. Afinal, ninguém ousaria dizer que os congressistas de Brasília têm privilégios por não serem abordados e revistados por Policiais. A USP conta com entidades estudantis, sindicatos e núcleos que estudam a intolerância, a violência e a própria polícia.

Ela deve ter autonomia sim. Quando Florestan Fernandes foi preso em 1964, ele escreveu uma carta ao Coronel que presidia seu inquérito policial militar explicando-lhe que a maior virtude do militar é a disciplina e a do intelectual é o espírito crítico... Que alguns militares ainda não o saibam, é compreensível. Que dirigentes universitários o ignorem, é desesperador.

Lincoln Secco

(*) Lincoln Secco é livre docente em História Contemporânea na USP

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em pensar que estes mesmos estudantes baderneiros e fumantes de maconha serao o futuro desse pais, já da medo, ainda mais sabendo que gente (como o proprio trafico) estao por tras dessa massa de manobra contra a policia aí sim que da medo mesmo, porem nao assusta pois este pais é assim mesmo; inversao de valores, onde um traficante vale mais de que um policial cumprindo seu dever! vergonha geral!
 
andre luiz em 02/11/2011 09:33:29
O País enfrenta situações mais importantes que merecem protestos do que essa que está sendo encabeçada por poucos alunos da USP. Salvo engano, a grande maioria é a favor do policiamento dentro da universidade.
Então, por que é que não respeitam a decisão da maioria?
Vão protestar por coisas mais sérias.
Se acontecer algo dentro da universidade todos vão dizer que o Estado está sendo omisso.
 
MARCELO FERNANDES em 02/11/2011 02:56:51
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