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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

04/03/2016 15:45

A avaliação na vida e na escola

Por Ana Regina Caminha Braga (*)

O ser humano inicia seu processo de avaliação nos primeiros anos de vida ao entrar em contato com o mundo/sociedade no qual está inserido em suas diferentes dimensões: familiar, escolar e social.

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Na dimensão familiar, o exemplo prático da avaliação é quando a criança ainda não adquiriu a linguagem e ela chora fazendo a mãe, por exemplo, amamentar, dar água, colocar no colo, fazer dormir, trocar a fralda e dar remédio. Estes são os meios de comunicação que a criança utiliza para avisar que algo não está confortável. A mãe, por sua vez, compreende os sinais avaliando o que pode estar acontecendo com o filho e tomar suas atitudes.

A criança, durante seu desenvolvimento, percebe que ao chorar é atendida. Toda vez que sorrir a mãe se alegra, ou quando faz algo errado a mãe chama atenção. Ao pedir algo, a mãe dar ou não, dependendo da situação e possibilidades da família. Destas maneiras, a criança avalia o que pode, como e quando consegue alcançar seus objetivos. Estas respostas fazem parte do processo de avaliação.

No processo escolar, primeiramente na Educação Infantil, a rotina é diferente do espaço familiar, pois a referência da criança não é mais a mãe/responsável, e sim a professora que possui outra concepção, valores, referências e conhecimentos. É ela que leva novos desafios, novas aprendizagens e impõe outros limites em sala de aula para sua turma, sendo estes necessários para que a criança se desenvolva não só como aluna, mas como cidadã.

É no ambiente educativo que os pequenos entram em contato com outras crianças mais ou menos da mesma idade, porém com costumes, orientações e vivências divergentes. Logo, iniciam as trocas de experiências e as avaliações para identificar seus colegas de turma, vendo aqueles que se aproximam de suas características e de seus referenciais, para em seguida, constituir seus grupos de amigos, equipes de trabalho, círculos de amizades, dentre outras relações.

A partir do ensino fundamental em diante, o comprometimento e as responsabilidades só aumentam em relação à aprendizagem, pois os conteúdos são mais complexos exigindo do aluno consciência e controle do que vem aprendendo para atender as suas necessidades enquanto aprendizes e também para compreender e responder aos exercícios e as questões avaliativas do sistema educacional.

A avaliação sistematizada a princípio deve ser abordada na escola de maneira significativa e complementar a aprendizagem do aluno. Ela precisa ser um instrumento que media e mostra ao professor os pontos positivos e negativos que estão sendo internalizados pelo aluno.

Com os resultados em mãos, ele pode se mobilizar de diversas maneiras para conhecer e interpretar os sinais apresentados, por exemplo: como o aluno aprende, o seu estilo de aprendizagem, que caminhos ele escolhe para responder as questões e como o utiliza. O importante é o professor não ficar preso somente à nota da avaliação, mas saber o significado que ela tem na aprendizagem do aluno e no que reflete em sua prática.

Atualmente, o que pode ser visto na escola é que o professor desenvolve um olhar quantitativo, ou seja, ele recebe o aluno pelo produto da prova. É claro que a nota revela alguns resultados, no entanto, não é o aluno em sua completude, pois toda pessoa tem suas habilidades e limitações e estas sendo identificadas devem ser trabalhadas em sala de aula para que o aluno construa um equilíbrio em sua aprendizagem.

Este processo também cabe à coordenação pedagógica em orientar e motivar leituras sobre avaliação para que o professor tenha o conhecimento necessário e não a execute sem um objetivo, caso contrário, o aluno pode ser prejudicado com os diagnósticos, muitas vezes, precoces a seu respeito. Em suma, a reflexão para hoje é: Como o professor envolve o aluno em sua disciplina? Qual a motivação que lhe é concedida? De que maneira ele coloca ao aluno o momento da avaliação?

Na dimensão social, a avaliação é refletida como o produto do aluno, do sujeito no ambiente de trabalho, na família, entre outros. São os conceitos que ela impõe sobre o ser humano. Todavia, é preciso cuidar com estes paradigmas, considerando que nem todo aluno A é o melhor aluno na “vida da gente”.

(*) Ana Regina Caminha Braga é escritora, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar.

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