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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

31/12/2013 09:35

A bancada evangélica: uma ameaça à democracia

Por Ezequiel Cardozo da Silva (*)

Um fato recente na política nacional parece que merece destaque. Na terça, dia 17.12.2013, o Senado aprovou o requerimento do senador Eduardo Lopes (PRB-RJ) de apensar o PLC/122 ao projeto de reforma do Código Penal. Isso significa que a discussão sobre a criminalização da homofobia será adiada novamente. Mas o que torna esse evento digno de nossa atenção foi o empenho da chamada “bancada evangélica”, juntamente com outros líderes e grupos religiosos cristãos, em evitar que a homofobia fosse tratada como crime pela lei.

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Essa obstinação da bancada religiosa por alguns projetos de lei deixa claro que estamos diante de uma verdadeira "guerra santa”. Houve pressão intensa por parte de políticos evangélicos para que fosse vetado o projeto que regulamentava o atendimento emergencial no SUS a mulheres vítimas de violência sexual, porque ele supostamente autorizaria a prática indiscriminada do aborto.

E não podemos deixar de mencionar o absurdo do projeto que tentou prever o "Estatuto do Nascituro", que indiretamente criminalizaria o aborto. Ressalta-se ainda que, por exemplo, em 2010 a bancada evangélica cresceu de 9% a 13, 2% no Congresso Nacional. Portanto, as ações desses políticos religiosos não visam discutir temas de interesse da sociedade, mas buscam combater tudo o que se opõe aos dogmas de sua fé pessoal.

Porém, eles se esquecem de que o Brasil é um Estado democrático e laico, conforme a CF de 1988. Isso significa que o Estado não deve depender de nenhuma religião. Além disso, se queremos um regime democrático, então deve haver discussão racional das ideias nos debates políticos, e se há discussão racional, então não deve haver interferência de dogmas religiosos, pois estes são imunes à argumentação. Logo, se queremos um regime democrático, então não deve haver interferência de dogmas religiosos nas discussões políticas.

Com isso, o que nos parece evidente é que há um projeto de poder de grupos fundamentalistas religiosos. E uma das consequências disso é que a consolidação de nossa democracia após a Ditadura Civil-Militar vê-se diante de mais um obstáculo devido à confusão entre política e religião feita pela bancada evangélica. Assim, torna-se cada vez mais importante escolhermos melhor nossos representantes, não pela sua fé, mas por suas propostas e argumentos.

(*) Ezequiel Cardozo da Silva é professor de filosofia na Rede Estadual do Rio Grande do Sul

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Os caras querem fazer uma lei de homofobia, sem saber o significado de fato. Vai ficar parecido com racismo e injúria racial. Se eu não tenho homo-afetividade com homossexual, não poderá ser homofobia, se eu xingar um homo, também não será homofobia, apenas se eu ofender a classe com no racismo.
 
Akuma em 27/05/2015 21:35:30
Agora vou dar a minha opinião a respeito da PLC-122 e do aborto ; esse famigerado projeto foi sepultado no senado pelo simples fato de querer criminalizar a opinião , isso é ditadura não democracia , além de ser inconstitucional em vários artigos , um lixo de projeto. Já aborto é ASSASSINATO e toda mulher e os envolvidos deveriam ir para a cadeia. Pode me chamar de reacionário , fundamentalista religioso , direitista , afinal é a sua opinião mesmo não concordando com você Viva a democracia !!!
 
Roberto Barbosa em 13/01/2014 09:46:08
Segundo o IBGE os evangélicos já são 24% da população ,isso da por volta de 50 milhões de pessoas sem contar os simpatizantes , os deputados e senadores da bancada evangélica são eleitos por essa GRANDE parcela da sociedade , queremos ser representados e influenciar nos rumos do nosso país , democracia é isso . O que mais me intriga é que os filósofos , psicólogos , artistas , metalúrgicos , sindicalistas , ATEUS , reportes , médicos , empresários , podem influenciar já os religiosos não podem ? Porque? Todos nós levamos conosco nossas crenças e valores , portanto uma democracia se constrói onde todos os setores devem ser ouvidos , afinal vivemos num estado democrático de direito(acho).
 
Roberto Barbosa em 13/01/2014 08:38:27
ótima matéria. Interessante ver como reagem os fundamentalistas. Agridem, desqualificam e, inclusive, gritam em CAIXA ALTA. Não respeitam ninguém que pensam diferente e ainda por cima tentam criar uma falsa impressão que quem gosta da sua família necessariamente tem de se alinhar a versão careta imposta pelos cultos. O comentário do professor não é preconceito, mas apenas a reação política de alguém que vê a influência política das Igrejas atacando direitos fundamentais de pessoas que não são obrigadas a pensar pela lógica religiosa.
 
Luís Manoel Pedroso Carbonell em 03/01/2014 12:45:33
Parabéns pelo artigo professor. Temos de lembrar ainda que as Igrejas Evangélicas foram proibidas pelo governo Angolano (conforme noticiado pela Folha de São Paulo http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/04/1269733-angola-proibe-operacao-de-igrejas-evangelicas-do-brasil.shtml), me pergunto porque será? É isso que queremos para nosso país?? Lembramos que a crença é uma coisa e a imposição da mesma é outra!!
 
Laura Leal em 03/01/2014 10:20:17
Primeiramente, quero agradecer à compreensão, à lucidez e à serenidade dos seguintes leitores, isso deixa-me com a esperança de que nem tudo está perdido: Mirella Forti Cossignani, Luciano Bandeira, Jozoel Gama.
Quanto ao comentário de Vossa Excelência, JOSE WILSON NUNES, deixando de lado os erros grotescos de Vossa Excelência em relação ao básico da gramática de nossa língua Portuguesa, vindos de um Advogado e Ministro ainda por cima, respondo-lhe que os “valores morais” só definem uma ação como boa ou má, certa ou errada, dependendo do contexto da ação, de discussão racional. Já na perspectiva da “bancada” e dos religiosos, há princípios e valores morais absolutos, porém, isso só se aplica a quem escolhe essa fé, isso não pode ser estendido à sociedade, por mais que a maioria seja budista, hindu, ou cristã. Reger-se pela opinião da maioria não é democracia, mas fascismo. As ideias liberais ou marxistas podem ser discutidas, falseadas, mas dogmas religiosos não. Eis o perigo...
 
Ezequiel Cardozo da Silva em 02/01/2014 21:18:50
É sabido de todos que no processo de ensino-aprendizagem os valores são impostos desde a mais tenra infância, variando de cultura e lugar. Como é possível que alguém se eleja e não questione aquilo que vai em desencontro aos seus valores e sua formação? Quero dizer, se a base moral dos evangélicos não são os valores bíblicos, porque fazem questionamentos visando o zelo de seus dogmas? Ademais, quais são seus valores morais? E erroneamente, logicamente não se infere que pelo fato da bancada evangélica representar um ameaça as garantias fundamentais de todo cidadão brasileiro( não religioso), as outras também o serão. Como bem disse Marco Túlio Cícero no discurso contra Catilina: Oh tempos, oh costumes!
 
Leonardo Ignácio em 02/01/2014 20:47:11
O Ilustre professor está, notadamente, equivocado quanto ao seu posicionamento a respeito da bancada evangélica, pois, o que se vê é uma discriminação à referida bancada, haja vista, ela estar defendendo os valores éticos e morais, que nada tem a ver com religião. De fato o nosso Estado é laico, mas não pode se olvidar de que o Congresso é composto por vários seguimentos da sociedade. Lá tem os evangélicos, os católicos, os espíritas, etc e até ateus. Se no ponto de vista, do autor deste artigo, os evangélicos é uma ameaça à Democracia, de igual tamanho são as outras bancadas. Senhor Professor, os evangélicos estão lá, porque o povo os colocou, assim como, os católicos, espíritas e os que não professam nenhuma religião. Se há discussão a respeito de matéria i.é. DEMOCRACIA.
 
JOSE WILSON NUNES. Economista, Advogado, Pós-graduado em Direito Processual Civil. Oficial de Justiça Aposentado, Ministro Evangélico. em 31/12/2013 16:38:12
Só para constar, seu artigo me trouxe recordação de uma conversa de 30 anos atrás
quando uma amiga disse que só deveríamos temer o aumento de cultos que mais
adiante, poderiam levar o pais ao caos.
No livro 1984, esta descrita a nossa realidade!
 
mirella forti cossignani em 31/12/2013 15:21:03
PELO QUE VEJO, ESTE FILOSOFO ESTÁ MUITO ATRASADO EM RELAÇÃO A ESTE TEMA...
NÃO SÃO SOMENTE OS EVANGÉLICOS, MAS SIM TODOS AQUELES QUE SE CONSIDERAM CRISTÃOS, INDEPENDENTE DE RAÇA, SEXO, COR, IDADE...
SÃO CONTRA A PL/122 E TAMBÉM CONTRA O ABORTO...
LOGO, AQUELES QUE SE INFORMAM MELHOR, SE MANTÉM ATUALIZADOS E SÃO A FAVOR DA "FAMÍLIA", SÃO CONTRA TANTO A PL/122 COMO AO ABORTO...
E MOSTRA QUE O POVO BRASILEIRO, TEM APRENDIDO ESCOLHER MELHOR SEUS REPRESENTANTES TANTO NO CONGRESSO E NO SENADO, POIS A BANCADA QUE CRESCE NÃO É A EVANGÉLICA, MAS SIM AQUELES QUE REPRESENTAM O CRISTIANISMO, E SÃO PELA FAMÍLIA, COMPOSTOS DE EVANGÉLICOS, CATÓLICOS E OUTROS...
SERIA BOM TER CONHECIMENTO DISTO, ANTES DE FAZER UM ARTIGO, TÃO PRECONCEITUOSO COMO ESTE, CONTRA OS EVANGÉLICOS...
 
Josi Francis em 31/12/2013 12:39:58
Tentam a qualquer custo impor suas crenças absurdas como uma verdade absoluta, tenho receio de que essas seitas possam vir a se militarizarem para fazer valer seus dogmas e preceitos deturpados, assim como ocorre com o islamismo, ingredientes para isso não faltam, ódio, preconceito, alienação e intolerância.Isso deve ser combatido sob pena de termos um "talibã evangélico" em futuro não muito distante.
 
Luciano Bandeira em 31/12/2013 11:51:57
Parabéns Professor pela Matéria, Parabéns Campo Grande News por publicar importante esclarecimento.
 
Jozoel Gama em 31/12/2013 11:40:35
É só vermos o que acontece nos países orientais onde a intolerância religiosa chega ao extremo, tomemos cuidado ao elegermos estes senhores que se sentem deuses da verdade, que só olha para suas verdades, esquecendo o livre arbítrio de cada um, podemos ter aí uma caminho de difícil volta.
 
Jozoel Gama em 31/12/2013 11:36:45
E o melhor de tudo é saber que a "Bancada Evangélica" dobrará de tamanho, visto que o número de evangélicos candidatos a uma vaga na câmara federal, aumentará ainda mais. Quem tiver poder de voto, este decidirá. Isso é a democracia.
 
Valter Oliveira em 31/12/2013 11:23:37
Nada Mais justo que todos terem os direitos iguais....Uma Criança, um adulto ou um idoso, sem se preocupar com sua opção sexual, não deve ser agredido e nem receber ofensa...simples assim....não precisa colocar ninguém em um patamar superior, afinal todos são seres humanos e merecem respeito!
 
Jociene Ribeiro em 31/12/2013 11:00:12
se é democrático e existe liberdade de expressão, quer dizer então que se eu der minha opinião sobre não aceitar o homossexualismo sou um criminoso. agora vou ser discriminado por ser evangélico e acreditar nas escrituras sagradas. devemos amar uns aos outros, mas não sou obrigado a concordar com a opção sexual das pessoas. devo sim tratar todo ser humano com respeito, amor, dignidade, não importando cor, raça, religião, posição social...
 
erick silva em 31/12/2013 10:38:43
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