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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

26/03/2014 13:20

A César o que é de César II

Por Alicio Mendes (*)

A POLÍTICA é uma atividade extremamente dinâmica e apaixonante. Seu exercício requer muitas habilidades, especialmente para o que costumeiramente chamamos de “jogo de cintura”. A paciência, sagacidade, visão, astúcia etc., também fazem parte do rol dessas habilidades mas, o controle emocional, eu julgo que deve ser o mais importante de todas.

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O desempenho de muitos políticos inescrupulosos que usam os meios mais sórdidos para se perpetuarem no poder, levaram o povo brasileiro a colocar a classe Política, no mais baixo patamar da credibilidade, até se atingir o mais rasteiro ponto, onde não se consegue mais separar o joio do trigo. Generalizou-se de tal maneira que o cidadão honesto, bem intencionado,capaz e dotado de vocações para atuar na gestão pública e outras áreas correlatas e que por razões obvias se propõe a se candidatar a um cargo eletivo, de início já passa a ser visto com reserva e então deslisa para a vala comum da desconfiança popular.

Sendo assim, se você, está entre aqueles cidadãos bem intencionados que pretendem entrar para a política, primeiro de tudo, você precisa ter certeza sôbre a sua capacidade de receber e absorver impactos contundentes que irão atingir a sua personalidade. Reitero que o político precisa se obrigar , a ser paciente e equilibrado o suficiente para receber com naturalidade, críticas e agressões, e muitas vezes, a isso , terá que retribuir com um sorriso , isto: é se obriga a engolir o batráquio. Isto posto, podemos afirmar que o político precisa se transformar na pessoa mais educada do mundo.
No contesto político do País, o legislativo municipal , isto é , o Vereador talvez em função da estreita ligação e proximidade com o eleitorado, é o que mais sofre os diferentes tipos de ataques e constrangimentos.

Em quase a totalidade dos municípios a Câmara Municipal não encontra junto a população, o respeito que deveria merecer pela importância de suas atribuições. O vereador , talvez até mesmo por razões culturais , não é visto costumeiramente , pelo lado de sua representatividade, pela importância do seu cargo, como um guardião dos interesses populares e como uma peça importante no contesto da governabilidade do município e que ajuda o Executivo, projetando, sugerindo, requerendo, indicando , levando ao prefeito, problemas e situações que por motivos óbvios , a ele não chegam, mas que precisam ser solucionados em benefício da população.

Esses comentários eu os faço por já ter sofrido por 12 anos de vereança, as adversidades do mandato. Por questões de sobrevivência , idealismo e resignação , muitas vezes nos obrigamos a aceitar com passividade, críticas e opiniões contundentes que sabemos ser genéricas e sendo assim é mister que devemos aceitá-las.

Por certo que regra geral, existam em uma câmara, como em toda classe política e fora dela também, pessoas com perfis condenáveis. Entretanto, seria preciso um pouco mais de boa vontade, para se observar e reconhecer o trabalho daqueles que se doam em seus mandatos para cumprir junto ao seu eleitor, com as suas responsabilidades e objetivos de suas campanhas.

O vereador é acima de tudo, um idealista resignado, educado e capaz de “oferecer a outra face”, tudo isso possivelmente para não desagradar.

Em Campo Grande, não tem sido diferente. Nossos vereadores, a despeito de tantas críticas, tem se mantido com um comportamento dentro do que se espera. A oposição ao ex-prefeito se bem observada, foi exercida com a propriedade que o quadro político exigia. O clima criado propiciou sem dúvida, o acirramento dos ânimos, evoluindo para uma situação insustentável de discórdia , e caos administrativo e estagnação, onde a maior prejudicada era a população.

Essa insustentabilidade então, evoluiu para um desfecho que não poderia ser outro. O Legislativo, democraticamente, pelo voto direto e descoberto ,colocou à prova uma administração que segundo investigações de uma comissão composta com bases proporcionais, chegou à conclusões pela existência de vários crimes e o vereador jamais poderia se omitir diante dessa realidade.

Falar em golpe diante de evidências incontestáveis, me parece uma apelação sem consistência . A legitimidade dos votos obtidos em uma eleição, não pode servir como um passaporte para a impunidade. Afinal de contas , se juntarmos os votos recebidos pelos 23 vereadores que votaram pela cassação ,estaríamos então diante de perfeita coerência.

Finalmente gostaria aqui, de deixar minhas congratulações com a Edilidade Campo-Grandense, que a despeito de tantas agressões e engolindo sapo, soube se manter ao lado dos interesses populares.

A esta classe resignada gostaria de lembrar alguns versos de um dos poemas mais famosos “ Versos Íntimos” de Augusto dos Anjos, que peço permissão para reproduzir.

“ Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a ingratidão-essa pantera-
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera

Toma o fósforo, acende teu cigarro!
O beijo amigo é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja
Apedreja a mão que te afaga
Escarra nesta boca que te beija.”

(*) Alicio Mendes, ex-vereador e presidente da Câmara Municipal de Lins-SP

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