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25/03/2015 17:08

A educação é a única solução

Por Isaac Roitman (*)

O título desse artigo foi dito pela jovem paquistanesa de 17 anos Malala Yousafzai ao saber da concessão do prêmio Nobel da Paz de 2014 dividido com o ativista do direito às crianças, o indiano Kailash Satyarthi. Ela foi baleada em 2012 por defender a educação escolar das mulheres em seu país. Em 2013, no dia de seu aniversário, 16 de julho, ela foi aplaudida de pé quando falou na Assembleia Jovem da ONU.

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Nesse mesmo ano, ela recebeu o Prêmio Internacional da Paz Infantil e o Prêmio Saklarov para a Liberdade de Pensamento, concedido pelo Parlamento Europeu. Foi também nomeada Embaixadora da Consciência pela ONG Anistia Internacional. A partir de 2009, aos 11 anos, após o Taleban ter decretado a proibição de meninas frequentarem escolas, usando um pseudônimo, ela passou a publicar um diário onde denunciava as atrocidades cometidas contra meninas que iam à escola.

Felizmente, no Brasil, já superamos o preconceito de gênero. No entanto, temos ainda um grande desafio, que é não darmos oportunidades a cada criança e jovem de terem uma educação básica de qualidade, principalmente nos segmentos mais empobrecidos da nossa população. Esse problema enfraquece o aperfeiçoamento da nossa democracia, como já lembrava Anísio Teixeira, enfatizando que a educação é máquina de fazer democracia.

A grande prioridade no Brasil é a de proporcionar nas próximas décadas um ensino público de qualidade desde a primeira infância até o final do ensino médio para todas as crianças e jovens. As ações para essa conquista já são sobejamente conhecidas e foram explicitadas no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova em 1932 e repetidas em 1959. Infelizmente, nossos dirigentes, ao longo das últimas décadas, não souberam desenvolver uma política de estado para a educação.

A primeira ação é de atrair para a carreira de professor do ensino básico os melhores egressos do ensino médio. Para tanto, é absolutamente fundamental a valorização do professor. Pela sua função social, o salário do professor do ensino básico deveria estar na faixa superior da remuneração do servidor público. É ele o principal responsável pelo comportamento social das futuras gerações e pelo desenvolvimento econômico do país.

Outra dimensão importante é o preparo do novo professor para atender a juventude do século XXI que incorporou e vai incorporar todos os avanços e saltos tecnológicos do futuro. O professor do século XXI tem a missão de ser um estimulador para a busca e o uso do conhecimento com a capacidade para diagnosticar e resolver conflitos. O projeto de Federalização do Ensino Básico proposto pelo Senador Cristovam Buarque contempla, ao longo de alguns anos, termos o professor ideal em todo o território brasileiro.

Um repensar sobre o conteúdo em cada fase do ensino básico é uma tarefa urgente e permanente levando-se em conta as transformações sociais, ecológicas e econômicas. O exercício do pensar deve constar do cenário do processo educacional. Os conteúdos inúteis deverão ser eliminados, como já pregava Darcy Ribeiro. O aprendizado visando o conhecer, o fazer, o conviver e o ser, como apontado pela Unesco, deverá ser o vetor da educação brasileira. Tão importante como o preparo profissional adequado, será importante cultivar e promover nos estudantes valores e virtudes como a ética, a afetividade, a solidariedade e o respeito à natureza.

O estabelecimento de protocolos para o estímulo ao processo cognitivo na primeira infância (0 - 6 anos) deverá ser o primeiro passo para uma revolução no nosso sistema educacional. Será fundamental o estabelecimento de políticas públicas integradas e flexíveis de atendimento especial às famílias com crianças pequenas, conforme suas diferentes circunstâncias e necessidades, visando assegurar o direito a condições básicas para o seu desenvolvimento integral. Essas políticas devem minimizar o efeito dos fatores de risco, entre os quais estão a condição social e econômica de seus pais, famílias em condições críticas, especialmente em relação a violência, pobreza extrema, ambientes tóxicos e monoparentais que requerem atendimento diferenciado. O ambiente educacional deverá ser prazeroso e interessante como pregava Ruben Alves e a gestão eficiente e profissional.

Vamos nos inspirar no exemplo e nas ações da laureada Malala Yousafzai defendendo a educação de qualidade para todos os jovens brasileiros. A bandeira dessa jovem deve ecoar por toda a nação pregando que a educação é a única solução.

(*) Isaac Roitman é doutor em Microbiologia, professor emérito da Universidade de Brasília, coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro (n.Futuros/CEAM/UnB), presidente do Comitê Editorial da Revista Darcy/UnB e membro tiular de Academia Brasileira de Ciências. 

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