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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

14/01/2016 11:58

A Educação Financeira pelo mundo

Por Carlos Eduardo Costa (*)

A mais abrangente pesquisa global sobre educação financeira, a S&P Global Financial Literacy Survey*, apurou que dois em cada três adultos no mundo são analfabetos financeiros. O estudo foi baseado em entrevistas realizadas em 2014 com mais de 150 mil adultos em 148 países. Dinamarca, Noruega e Suécia lideram o ranking dos países mais letrados financeiramente. O Brasil ficou atrás de 66 países, entre eles, alguns dos mais pobres do mundo como Madagascar, Togo e Zimbábue.

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A pesquisa investigou se os entrevistados de cada país dominavam quatro conceitos financeiros básicos: aritmética, diversificação de risco, inflação e juros compostos. Para medir o nível de conhecimento nesses tópicos, foram realizadas cinco perguntas cujas respostas são universais e independem da localidade. As questões não abordaram assuntos relacionados ao contexto socioeconômico de cada país.

Foram considerados educados financeiramente aqueles que conseguiam responder corretamente ao menos três das cinco perguntas, desde que as respostas demonstrassem o domínio do entrevistado em três dos quatro conceitos financeiros básicos estudados.

Os resultados são preocupantes. Além de atingir dois em cada três adultos no mundo, o analfabetismo financeiro é distribuído de forma heterogênea, com grandes variações entre países e grupos. De acordo com a pesquisa, mulheres, pessoas de baixa renda e com baixo nível educacional têm maior probabilidade de terem conhecimento deficiente de educação financeira.

Cerca de 35% dos homens entrevistados foram considerados educados financeiramente, enquanto entre as mulheres o índice atingiu 30%. No Brasil, a disparidade é ainda maior: 41% dos homens são educados financeiramente, ante 29% das mulheres. Em relação à escolaridade, 15% separam adultos com educação primária, secundária e terciária. Em relação ao nível de renda, nos países emergentes, entre a parcela mais rica da população, 31% das pessoas são educadas financeiramente, enquanto entre as pessoas com menor renda, o percentual cai para 23%.

Já aquelas que têm acesso a serviços financeiros, como conta bancária e cartão de crédito, geralmente têm um maior conhecimento financeiro, independentemente de seu nível de renda. Mesmo entre as pessoas de baixa renda, aquelas que possuem conta bancária tendem a ser mais educadas financeiramente do que as não-bancarizadas.

Enquanto no mundo 53% das pessoas que usam cartão de crédito ou tomam empréstimos de instituições financeiras são alfabetizadas financeiramente, no Brasil, esse percentual corresponde a somente 40% das pessoas. Esses dados mostram o desafio brasileiro tendo em vista o avanço da bancarização em nosso país.

A pesquisa também mostrou que o uso do cartão de crédito está se ampliando nos mercados emergentes, mas isso não significa que o conhecimento das pessoas que usam cartões nesses países está aumentando também. No Brasil, por exemplo, 32% dos adultos possuem um cartão de crédito, mas apenas 40% deles são educados financeiramente e só metade entende corretamente o conceito de juros compostos.

De acordo com o estudo, a educação financeira é uma barreira crítica para a inclusão da população no sistema financeiro e para o acesso a serviços bancários como conta corrente, poupança ou crédito.

Em decorrência da falta de conhecimento sobre finanças e sobre produtos financeiros, muitas pessoas, especialmente aquelas que possuem baixo nível de renda e as mulheres, acabam excluídas do sistema bancário. Essa questão, segundo o estudo, é crítica para o bem-estar financeiro da população e para a economia do país de maneira geral, à medida que pessoas capazes de tomar decisões financeiras sobre questões como poupança, moradia, orçamento e carreira, têm mais condições de usar seu potencial em diferentes áreas de sua vida.

Elevar o nível de educação financeira de uma população poderá contribuir para a sua inclusão no sistema bancário. Esse processo contribuirá para o surgimento de maiores oportunidades individuais que por sua vez, podem garantir o desenvolvimento econômico do país como um todo.

Planeje bons hábitos para 2016. Invista em sua educação financeira.

*A pesquisa é uma iniciativa conjunta da Mc-Graw Hill Financial, da Gallup, do World Bank Development Reseach Group e do Global Financial Literacy Excellence Center (GFLEC).

(*) Carlos Eduardo Costa é consultor do site de Educação Financeira do Mercantil do Brasil

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