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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

18/10/2016 09:41

A hora e a vez dos cafés especiais e diferenciados

Por Breno Mesquita (*)

Para o mercado de café, o futuro já chegou. E ele está fortemente ancorado nos grãos de qualidade superior ou especiais. Se, há cerca de dois anos, o crescimento do consumo desse produto era uma promessa, hoje ele já é realidade em todo o mundo e representa grandes possibilidades para novos negócios em toda a cadeia produtiva. O segmento tem apresentado expansão superior a 10% ao ano, taxa bem acima da média global (1,5%) e da brasileira (3%). Aproveitar as oportunidades que surgem, no entanto, exige preparo dos produtores, o que significa mudar o foco, ampliar conhecimentos e se profissionalizar cada vez mais para satisfazer um cliente em busca de excelência.

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Atualmente, o Brasil é o maior produtor e exportador de café, porém apenas 20% do que é comercializado é considerado especial. Mas é possível agregar valor ao café nacional e abocanhar uma fatia maior desse mercado, suprindo praticamente toda a demanda mundial. Após um forte trabalho de divulgação e abertura de mercados, já somos reconhecidos internacionalmente como produtores de cafés de variados tipos, sabores e alta qualidade. A diversidade das regiões ocupadas pelo grão no país viabiliza o atendimento a diferentes demandas de paladar e preço. Agora é preciso consolidar e ampliar esse nível de comercialização, o que está relacionado aos cuidados durante todo o processo produtivo.

Isso porque, pelos critérios da Specialty Coffee Association of America (SCAA), o café especial tem que receber uma pontuação acima de 80, em uma escala de 100 pontos. A classificação considera, principalmente, características sensoriais e físicas, como origem, variedades, cor e tamanho, além de ser influenciada por preocupações de ordem ambiental, econômica e social. Dessa forma, ter sucesso nesse mercado em ascensão passa por abandonar antigas práticas de produção e gestão; reduzir custos; ser curioso, pesquisar e buscar conhecimento, investir em capacitação e ampliar a competitividade.

E não é preciso ser um grande produtor ou ter muito recurso para investir. O fundamental é encontrar um ponto de equilíbrio, ou seja, adequar as possibilidades e peculiaridades de cada propriedade ao objetivo de melhorar os ganhos da atividade com o mínimo de impacto ambiental e o máximo de responsabilidade social. Em microlotes e pequenas propriedades, inclusive, pode-se fazer um controle mais rigoroso da produção e da qualidade final do produto. Já os maiores, com uma estrutura mais forte, podem garantir também padronização a outros tipos de compradores. Existem perfis de clientes diferenciados para serem atendidos por todos.

O importante é que a cadeia produtiva do café, no Brasil, consiga aprimorar esse trabalho que está em andamento – que inclui ainda as torrefadoras, baristas, cafeterias especializadas – e definitivamente agregar valor ao café commodity, por meio de pesquisa, tecnologia, diferenciação. Um trabalho desafiador para colocar o país entre os melhores cafés do mundo, mas que, certamente, será também imensamente compensador.

(*) Breno Mesquita é diretor da FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais) e presidente das comissões de Café da entidade e da CNA (Confederação Nacional da Agricultura)

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