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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

22/02/2016 15:07

A “mosquita e a presidenta”, uma fábula nacional

Por Heitor Freire (*)

Sem dúvida, a nossa presidente é uma pessoa de sorte. De repente o país é mobilizado de norte a sul e de leste a oeste para o combate do famigerado Aedes Aegypti, o mosquito transmissor da dengue, da febre chikungunya e da zika. Palavras que passaram a conviver conosco em nosso dia a dia.

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Aedes (Stegomyia) aegypti (aēdēs do grego "odioso" e ægypti do latim "do Egipto") é a nomenclatura taxonômica (= binomial, nome científico aplicado às plantas e animais, composto de dois nomes: um substantivo que designa o gênero e um adjetivo que designa a espécie) para o mosquito que é popularmente conhecido como mosquito-da-dengue ou pernilongo-rajado, uma espécie de mosquito da família Culicidae proveniente de África, atualmente distribuído por quase todo o mundo, especialmente em regiões tropicais e subtropicais, sendo dependente da concentração humana no local para se estabelecer (Wikipédia).

O mosquito se tornou íntimo nosso, de repente, mas não é novato no nosso planeta e em nosso país. O vetor foi descrito cientificamente pela primeira vez em 1762, quando foi denominado Culex aegypti. Culex significa “mosquito” e aegypti, egípcio, portanto: mosquito egípcio.

O gênero Aedes só foi descrito em 1818. Logo verificou- se que a espécie aegypti, descrita anos antes, apresenta características morfológicas e biológicas semelhantes às de espécies do gênero Aedes – e não às do já conhecido gênero Culex. Então, foi estabelecido o nome Aedes aegypti (Wikipédia.)

No início do século 20, houve um surto de febre amarela no Rio de Janeiro que foi objeto de muita polêmica, com a população se revoltando contra os famosos amarelinhos, como eram conhecidos os funcionários do Serviço contra a Malária, impedidos de entrar nas casas. O comandante dessa verdadeira batalha foi o grande cientista brasileiro Oswaldo Cruz, que, inclusive sofreu ameaças de agressão física. Foi um herói.

Da sua iniciativa nasceu o Instituto Manguinhos. Esse surto gerou a execução de rígidas medidas de controle que levaram, em 1955, à erradicação do mosquito no país.
No entanto, a erradicação não recobriu a totalidade do continente sul americano e o vetor permaneceu em áreas como o sul dos Estados Unidos, Venezuela, Guianas, Suriname e toda extensão insular do Caribe e de Cuba. O que acabou ocasionando a sua disseminação por todo o nosso continente.

Durante toda a sexta feira (19) houve uma mobilização nacional para o combate ao mosquito. O governo federal organizou e dedicou esforços envolvendo todos os seus ministros, que visitaram as capitais do país, estimulando a comunidade escolar para ações de eliminação dos focos, conscientizando a população para que se unam todos nesse combate.

É interessante notar que sobraram ministros. Temos 31 ministros e 26 estados mais o Distrito Federal. É mais uma constatação do absurdo de ministérios (eram 39) que consomem grande parte do orçamento do Tesouro Nacional, com gastos exorbitantes e que raramente se destinam ao bem estar da população.

Além dos ministros, 220.000 homens das forças armadas estão participando desse esforço nacional para a conscientização da população gerando assim uma campanha de mobilização poucas vezes vistas em nosso país.

Essa situação aliada à extensa publicidade deflagrada pelo governo, polarizou a atenção de todos. O mosquito acaba sendo a salvação da lavoura para a presidente Dilma, que viu, assim, desviada a atenção do povo para uma emergência nacional.

Não podemos desconhecer que a situação é grave, muito grave mesmo, mas é inegável também que a nossa presidente se escondeu atrás do mosquito ou da “mosquita” para usar o termo com que ela se refere à fêmea do mosquito. Essa nossa presidente tem cada uma de lascar...Ela esteve em pessoa em Juazeiro (BA), onde deu uma “aula” de 50 minutos a estudantes sobre o tema dominante.

Esta sobrevida que foi conseguida pela presidente tem data de validade: passada a euforia pela campanha, a atenção de todos vai novamente ser voltada para a inflação, para a corrupção de vários segmentos do governo federal, para os gastos sem nenhum controle.

E aí vamos ver a nossa presidente às voltas com a realidade que o seu desgoverno criou.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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