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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

11/11/2011 07:05

A PM, a USP, e a Maconha

Por Wladimir Polizio Júnior*

Os recentes acontecimentos, fartamente noticiados pela imprensa, sobre a retomada do prédio da USP por policiais militares, como o aval da Justiça, após frustradas as tentativas de retirada pacífica dos poucos estudantes baderneiros que insistiam em manter-se no local, demandam uma análise mais aprofundada sobre a própria universidade pública. Acredito ser pouco limitar a discussão para o acerto da PM, ou mesmo para a tristeza que causa a revolta estudantil porque a polícia não permitiu que se fumasse maconha no campus universitário. De fato, existem tantas outras causas que deveriam causar maior comoção dos estudantes que a proibição da maconha na USP. Como exemplos, cito o relatório do TCU (Tribunal de Contas da União), divulgado em 09 de novembro, que aponta irregularidades em 26 obras públicas, com um risco de prejuízo de milhões ao erário; o aumento do número de vereadores em grande parte dos municípios brasileiros; ou então a discriminação oficial da saúde pública, porque a ANS (Agência Nacional de Saúde) baixou resolução estabelecendo prazo de até 21 dias úteis para que o paciente com plano de saúde seja atendido enquanto que quem depende do SUS fica dependendo da própria sorte. Entretanto, para esses estudantes da USP que invadiram a reitoria, poucos, é verdade, nada é mais importante que a proibição da polícia para que fumem maconha dentro da universidade. Houve um tempo em que os estudantes, sobretudo os universitários, representavam a vanguarda. De muito isso não mais é verdade.

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Assim, não consigo compreender, nos dias atuais, a manutenção de faculdades gratuitas para pessoas que tem condições de pagar pelo estudo, sobretudo porque não há créditos oficiais para todos os estudantes que desejam cursar o 3º grau em escolas privadas. Explico. Se os recursos públicos não são suficientes para proporcionar a todos o acesso ao ensino superior gratuito, porque não disponibilizar esse acesso gratuito aos estudantes que comprovadamente não tem condições de arcar com os custos de uma universidade? Se a família do estudante tiver recursos, deveria ela arcar com o pagamento dos custos dessa formação, e assim o dinheiro público seria destinado àquele de família mais humilde. Em outros países, aliás, estudantes que não pagam a faculdade prestam serviço em instituições públicas depois de formados (hospitais, escolas etc), o que é bom para eles, pois exercitam na prática o aprendizado acadêmico, e é bom para a sociedade, que sente o resultado do dinheiro público investido com mão de obra qualificada (atualmente, qualquer um que se forme em faculdade mantida com o dinheiro dos nossos impostos não tem obrigação nenhuma de retribuir nada para a sociedade). Mas quem tem condições de pagar pelo aprendizado, e esse quase sempre é o estudante que veio de escola particular, deve pagar pela faculdade.

A PM agiu bem em cumprir a ordem judicial de retomada do prédio público. Ninguém está acima da lei, e esse recado foi bem dado, pois é preciso acabar com essa hipocrisia de que dentro das universidades, sobretudo das públicas, tudo é permitido. Esses vândalos devem responder pelos crimes cometidos da mesma forma que quaisquer pessoas, pois o fato de serem estudantes não lhes confere imunidade. A questão, agora, é discutir a situação das universidades mantidas com nossos impostos, para que sejam verdadeiramente públicas.

(*) Vladimir Polízio Júnior, 40 anos, é defensor público

(vladimirpolizio@gmail.com)

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Que bom seria se as autoridades constituidas pençassem como o Dr. Vladimir, as universidades Publicas seriam frequentadas por quem realmente precisa, hoje as UP. são os que tem melhor poder aquisitivo que os usufluem.Quem precisa trabalhar e estudar não consegue.Tería que ser direcionado exclusivamente p/ academicos de baixa renda,com critérios sérios e rigidos p/ fazer a seleção.
 
porfirio vilela em 13/11/2011 09:09:19
A PM tem mais é que chegar a borracha no lombo desses baderneiros irresponsáveise: estão confundindo DEMOCRACIA COM ANARQUIA.
 
Arthur Kosloski em 13/11/2011 03:08:00
Espetacular o artigo, agora eu quero ver o deputado ou senador macho o suficiente para apresentar um projeto de lei nesse sentido. Como é sabido, no Brasil os ricos estudam nas universidades públicas, mantidas com nossos impostos, enquanto os pobres sacrificam "o pão das crianças" para pagar um curso superior. Repito: quero ver o político MACHO.
 
Renato Moura em 11/11/2011 11:56:16
Agora sim um artigo realmente verdadeiro e sem hipocresias. Parabéns ao Dr.Vladimir Junior que pena que não são a maioria do nosso Judiciario tanto estadual como federal não compartilhar do mesmo pensamento!!!!
 
João Herrera em 11/11/2011 11:23:41
Parabéns ao artigo do Dr. Vladimir. Felizmente ainda existe gente séria neste país.
Vivemos um grande paradígma no Brasil: viver a Democracia com civilidade, disciplina, organização e, principalmente, responsabilidade. Muitos grupos minoritários vêm confundido liberdade com libertinagem, foi o caso desses "acadêmicos" que depredaram e mancharam a imagem da USP.
 
Virgílio Sabino em 11/11/2011 09:42:44
Há alguns erros: o estudante universitário deveria ter vergonha de entrar numa lokura dessa; o governo de São Paulo deve ter ficado também com vergonha, que a poucos meses seu lider que foi Presidente da República estava defendendo o uso livre da Maconha - (PSDB); que os eleitores leiam mais e fiquem atento quem é quem.
 
luiz alves pereira em 11/11/2011 08:54:54
Ótimo artigo Sr. Vladimir, parabéns!
 
Antonio Carlos Azuaga em 11/11/2011 08:05:55
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