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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

05/02/2015 14:02

A resposta

Por Sharon Rogoski (*)

Este artigo que nomeei de "A resposta" têm a intenção de esclarecer a outro que circula na mídia desde ontem 03/02. Onde é colocado que o professor têm sim um bom salário e oferece uma educação ruim.

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Primeiramente quero repudiar essa ofensa que o artigo em questão faz aos educadores. Pois é lastimável o desconhecimento do trabalho do professor e das condições que o mesmo enfrenta. Dizer que temos aumentos sucessivos soa como se quiséssemos aumentos não merecidos.

Mas em momento algum foi citado que na comparativa de outros cursos superiores ainda ganhamos pouquíssimo e trabalhamos o triplo que muitas outras profissões, sem contar o trabalho levado para casa.

Tivemos sim uma porcentagem grande de investimentos na educação, mas temos que avaliar o que tínhamos antes que fosse investido na educação?. Melhoramos sim em parte a merenda, melhoramos materiais, livros didáticos, aparelhos tecnológicos, projetos diversos. Isso para um país igual ao nosso e tendo em vista os impostos que pagamos teria de estar bem melhor. Mas voltemos à questão, oferecemos uma péssima educação?. Primeiramente que educação quem oferece são os pais. E nós temos que oferecer um ensino de qualidade e é por esse motivo que lutamos em uma luta infindável contra um país que reconhece a necessidade do investimento na educação apenas nas épocas de eleição qual já se tornou um clichê de campanha.

Os salários dos professores do estado nunca chegaram aos R$ 4.000 para um professor com 40h, a não ser para os mais antigos por tempo de carreira. Sem contar os descontos que chegam até R$ 900 reais.

A grande maioria dos professores também não está ligado a um partido político como é citado no artigo. E essa "casa" dos professores não é o lar do dia a dia, e nem é onde os professores passam seu tempo. Nós professores nos sentimos indignados quanto ao desempenho que o autor do artigo nos atribui ao dizer que nos tornamos "correias de transmissão de ideologias e partidos políticos". Quando na verdade somos nós quem realmente nos preocupamos com o rumo da educação em que o país é levado.

É mais um absurdo a afirmação de que foi gasto R$ 5,5 POR ALUNO. Para onde foi esse dinheiro?

Mas vamos para o ensino em si. O professor que têm horários de duas aulas por semana possui em torno de 500 alunos, para os que têm uma aula semanal, para poder preencher a carga horária o numero de alunos dobra. E temos salas superlotadas com crianças das mais diversas situações econômicas e sociais que vão de abusos sexuais em casa, maus tratos e até mesmo a fome. Ano passado em uma das escolas onde trabalho sendo uma forma de incentivar um melhor comportamento de um aluno do segundo aninho, foi lhe perguntado se o mesmo gostaria de ganhar um ovo de páscoa de chocolate para que melhorasse seu comportamento na tentativa de uma pequena colaboração. Mas o pequeno aluno respondeu que NÃO, pois gostaria de ganhar comida. Que já fazia mais de uma semana que não comia carne...

A Secretaria de Educação elaborou um referencial curricular (qual têm a participação do professor, mas na verdade há ressalvas nisso) que na maioria das vezes é incompatível com a carga horária. Exemplifico aqui minha área em particular.

Dou aulas de idioma. Em uma escola particular de idiomas, o número máximo de alunos permitido é de dez. E para o conteúdo de um bimestre no estado, as escolas de idiomas particulares têm 40 horas. Mas eu que tenho 40 alunos tenho 10 horas para lecionar o mesmo conteúdo. O pior de tudo isso é que a "culpa" é minha? Sem contar que as instituições cobram só números de qualidade acima de 6. Pois se houver uma porcentagem grande de notas abaixo da média a culpa é também do professor. Eu é que pergunto onde está a qualidade nessas cobranças e nessas condições que o professor tem de trabalhar?

Comparar as estimativas de outros estados é fácil, mas conhecer a realidade enfrentada nas escolas principalmente nas periféricas (que é a maior parte) isso não é feito.

Temos alunos que vão para escola apenas para comer, e muitas vezes a merenda que poderia melhorar ainda mais, é racionada.

Na educação noturna, temos alunos trabalhadores e entendemos que o ensino para eles deveria ser diferenciado, mas não. Temos que aplicar os mesmos conteúdos e obter os mesmo resultados de um aluno que só estuda têm?
Pergunto, é o professor que não oferece ensino de qualidade?

A luta continua...

(*) Sharon Rogoski, professora, escritora, cantora, artista plástica.

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