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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

02/05/2011 07:50

Adequar o Tratado de Itaipu eleva o Brasil

Por Gleisi Hoffmann (*)

O que o bem-estar dos brasileiros tem a ver com o Tratado de Itaipu, cujas alterações serão decididas pelo Senado nos próximos dias?

Essa é a pergunta do leitor atento ao tema, que parece restrito às nossas fronteiras. A questão deve ser respondida com ponderação, sem reducionismos, como o argumento de que os brasileiros estarão "subsidiando" o Paraguai a partir do reajuste do valor pago pelo Brasil à energia não consumida pelo país vizinho.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que o debate sobre as alterações no tratado é muito mais amplo que o mero preço da energia. Mas ressalte-se desde já: o Brasil está pagando preço abaixo da média de mercado pela energia paraguaia, mesmo com o reajuste (o Paraguai, pelo acordo, é obrigado a nos vender a energia que não consome).

Fora a questão de cifras, falamos de como a condução da relação Brasil-Paraguai (e do Mercosul) pode trazer benefícios ou riscos nas áreas comercial, social e até militar. Os que acusam o governo brasileiro de "desperdiçar" dinheiro público com o Paraguai são os mesmos que criticarão possíveis aproximações entre o país vizinho e outras potências, em parcerias e acordos danosos ou, no mínimo, constrangedores para o Brasil.

Para citar exemplos que impactam a vida imediata da população brasileira, podemos tomar o comércio. China e EUA são apenas duas das potências interessadas em expandir sua zona de influência com acordos que proporcionem melhores condições de competitividade às suas exportações.

Na prática, um país com tal agressividade comercial pode celebrar parcerias com o Paraguai de forma a inundar o mercado brasileiro com produtos e serviços em condições vantajosas, como vêm tentando fazer. Significaria uma sangria de empregos e renda. Haja vista a eficiência com que a China tem aportado na África, fazendo valer seu papel de potência. O mesmo raciocínio serve à área militar: tudo o que o Brasil menos precisa é de um clima de desconfiança que abra brecha para riscos, como a instalação de bases militares de potências às nossas portas.

Há também o impacto social. Hoje, o Paraguai detém a segunda maior comunidade brasileira no exterior, com mais de 300 mil pessoas. Esses brasileiros -que dependem de um clima de estabilidade social para que possam tocar normalmente seus negócios, suas vidas- frequentemente sofrem com o estigma de "imperialista" imposto ao Brasil por segmentos da sociedade paraguaia.

O que o governo intenta, alterando o Tratado de Itaipu no Congresso, é prevenir dores de cabeça que serão sentidas por muitos setores da nossa sociedade. Além, claro, de fazer o Brasil ocupar um lugar que é seu: a liderança natural e estratégica na América do Sul.

Lembremos aos críticos do tratado que, pelas leis da geopolítica, quem não ocupa seu espaço verá um concorrente fazê-lo. E liderança significa entendimento, correção de desequilíbrios, fomento, busca pelo desenvolvimento e bem-estar mútuo. Não se trata de caridade, mas de inteligência.

(*)Gleisi Hoffmann é senadora pelo PT-PR. Foi diretora da Itaipu Binacional.

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Criar dificuldades para vender facilidades. Nós conhecemos bem o ditado, assombra-se os brasileiros com a ameaça chinesa, que pode ser contida com ações positivas no campo da receita, do controle de fronteiras, depende da boa vontade dos agentes do governo envolvidos e da capacidade de atuar de forma eficaz. Para se concretizar uma
parceria é preciso o envolvimento das duas partes o que não é o caso. Nosso país arcou
com todas as despesas de Itaipú temos uma dívida engrossada por essa obra e vamos
pagar por ela pelas próximas gerações. Senadora a Sra. foi eleita para defender o povo
de nosso país, e não para Mãe dos Povos. Não lhes cabe pagar a outros, uma conta que
vai nos enterrar ainda mais, perante a comunidade fianaceira internacional. Tanto os go-
vernos anteriores que originaram esse acordo quanto pessoas "bem intencionadas"
em criar direitos e alterar a forma de pagamento com um jogo em andamento são
responsáveis por um país que desperdiça seu futuro pagando contas de erros passados.
Aqui no MS a conhecemos pois foi importada por governantes petistas e já atuou na
administração estadual. Seria bom para nosso país e futuras gerações não onerar mais
nosso cofres já sangrados por um pensamento erroneo de que devemos ao mundo por
existirmos defendido por pessoas como a Senhora e o partido que representa.
 
rommel yatros em 02/05/2011 10:09:49
Qual a garantia que teremos de que as perspectivas declaradas pela senadora Gleisi em seus comentários serão concretizados. quem garante que o Paraguai após obter seu intento não tentará obter outras vantagens com nosso país ou mesmo com nações citadas pela própria senadora, quer no campo financeiro quer no campo político ?
Nas alterrações do tratado de Itaipu logicamente não serão incluidas claúsulas de fidelidade politica ou comercial.
O povo brasileiro já esta sendo sacrificado pelos altos custos de impostos, inclusive alta taxa de ICMS sobre a própria energia elétrica, além de astronomicas despesas com o próprio poder legislativo e executivo que adora fazer beneses com o suado e sacrificado dinheiro do povo.
Faltam recursos para a saúde, manutenção de rodovias, ampliação e manutenção de ferrovias, aeroportos e portos, dizem que faltam recursos para aumento dos aposentados, enfim, mas sobram recursos para cartões coorporativos, mordimias e ainda doações a outros países. Só gostaria de entender !!!
 
José Inácio Dias Schwanz em 02/05/2011 03:35:18
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