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18/02/2011 11:00

Agricultura é o caminho

Por Luiz Gentil (*)

O crescimento do PIB agrícola no Brasil em 2010 foi de 8%. Quase o dobro do PIB nacional, que aumentou 4,5%. Produzimos a colossal quantidade de 153 milhões de toneladas de grãos e 650 milhões de toneladas de cana para produzir açúcar e energia do etanol. Graças à agricultura, o Brasil atingiu em 2010 uma renda per capita de U$ 9.500, uma das maiores do mundo. Exportamos em janeiro de 2011, U$ 5 bilhões no agronegócio, 26% acima em relação ao janeiro de 2010. Estamos caminhando para assumir a liderança mundial no crescimento da produção de alimentos, depois da China e da Índia, os maiores produtores e populosos do mundo. A China tem 21% da população mundial e o Brasil apenas 2,7%.

A agricultura gera emprego, renda e paga muito imposto para o governo. Sem dúvida é a solução para os problemas do Brasil. A produção de algodão para fazer tecidos aumentou nada menos que 65%, o recorde mundial de taxa de expansão. As exportações bateram recordes históricos, onde paises em desenvolvimento fizeram grandes compras ao Brasil, mesmo com cambio desfavorável, causada pela política americana de fortalecer o dólar aqui e prejudicar as nossas exportações.

A China é o grande parceiro ao comprar 90% da nossa soja exportada, um colosso de 1,5 bilhões de pessoas a alimentar todo dia. O produtores brasileiros, principalmente as grandes empresas, são os heróis anônimos que colocam a semente hoje no solo sem saber se amanhã terá preço ou produção. Garante divisas para importar produtos que ainda não temos e pagar a dívida externa. Este crescimento agrícola de 2010, e que deverá continuar em 2011, é causado pelos preços internacionais das commodities agrícolas. A expansão da população mundial hoje confirmada em 7 bilhões, a menor produção de alimentos e o alto crescimento do poder aquisitivo dos paises do BRIC (China, Índia, Brasil e Russia), pressionam os preços. Preços históricos do milho de U$ 5,50 a saca de 60 kg, hoje estão em U$ 12,00. Claro que os custos também aumentaram, mas o produtor com trabalho e tecnologia tem mais espaço para se mover. A soja na década de 2000 custava U$ 10/saca, hoje na faixa de U$ 23/saca.

Ao contrário do que se pensa, a alimentação dos habitantes não depende da produção de alimentos, mas sim da capacidade destas pessoas em poder comprar este alimento. Em agricultura de subsistência, o cidadão se alimenta em parte do que planta; não precisa pagar impostos para o governo, não paga leis trabalhistas, nem juros ao banco, nem frete, armazenamento, atravessador ou agentes financeiros. Assim é o pescado na beira do rio, mandioca, leite, arroz, jiló e feijão em micro propriedades e quintais domésticos. Mas precisa de competência para fazer isto; um cidadão urbano que nunca pegou em uma enxada não sabe tirar milho ou mandioca da terra. No campo não existe ilusão, se trabalha sol a sol.

Esta nova, crescente e favorável explosão da economia e do agronegócio brasileiro é causada pelo grande potencial do produtor em baixo custo e altos rendimentos, gerando renda, emprego, impostos para o governo e divisas para a balança comercial. Hoje a produção agrícola e agroindustrial pode triplicar esta produção com grande facilidade pois temos ainda terras livres - 170 milhões de hectares - de boa qualidade, baixo preço e um sistema produtivo cartão de visita no mundo. Europeus, americanos e japoneses todo dia estão visitando as lavouras do Brasil aprendendo como se trabalha a terra, com genética, eletrônica, biologia, mecanização, modernos sistemas administrativos. Novíssimas tecnologias de gestão são empregadas como valor agregado, pagamento sobre os lucros, sinergias, capitalização, associações e renúncia aos agentes financeiros.

Claro que a agricultura nesta moderna explosão de modernidade, também tem inimigos ferozes entre eles a burocracia do governo, barreiras comerciais dos paises desenvolvidos – que desejam matérias-primas boas, fartas e baratas-, clima, impostos, juros, cambio e outros mais escondidos como o custo Brasil.

No passado se tinha a praga do êxodo rural, com migração de pessoas do campo, inchando as cidades com guetos, excluídos e marginais; hoje a agricultura e o campo estão trazendo de volta este povo, para ter melhor qualidade de vida e oportunidade de emprego, que cresce muito nas propriedades rurais, como nas cidades que demandam serviços e infraestruturas urbanas e para a produção agropecuária. Quem vê o Mato Grosso rural hoje - entre outros estados -, tem orgulho de ser brasileiro.

Como se isto não bastasse numa visão de presente, as tendências são ainda mais animadoras da produção agrícola do Brasil, pois a situação mundial da fome vai se agravar. Só o Brasil tem um grande potencial de terra, água, sol e gente de qualidade para trabalhar com alta tecnologia e baixo custo.

(*) Luiz Vicente Gentil é doutor em Ciências Florestais, mestre em Engenharia Agrícola pela Universidade de São Paulo (USP), engenheiro agrônomo pela Unversidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor adjunto da Faculdade de Agronomia da Universidade de Brasília.

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Sem seguro agrícola, com péssima estrutura de transporte,sem segurança jurídica, com leis ambientais estúpidas e onerosas, com insultos como "latifúndio" a agropecuária brasileira é "o Brasil que dá certo". Alguém consegue imaginar que ponto atingiremos se tivermos uma politica agrícola decente e com o "custo Brasil" resolvido?
 
Valfrido M. Chaves em 18/02/2011 05:07:06
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