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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

17/01/2011 08:55

As enchentes de Campo Grande...!

Por Antonio Cézar Lacerda Alves (*)

Vi quinta-feira, 13.01.2011), no Jornal Hoje, da Rede Globo, as imagens daquelas cidades lá do Rio de Janeiro, com seus rastros de tragédias e dores. Foi horrível. Cidades submersas, alagadas, sitiadas, enlameadas, arrasadas.

Em alguns momentos cheguei a me culpar por ter feito, como sempre fiz, na virada do ano, algumas preces com pedido de interesses pessoais a Deus. Cheguei à conclusão de que não tenho nada a pedir, só para agradecer. Agradecer a Deus por morar em Campo Grande. Essa cidade morena, bela, sedutora, encantadora, mágica e tão hospitaleira.

Dizem que a nossa cidade é a primeira e a única capital brasileira a erradicar suas favelas. Dizem, também, que ela é a capital mais arborizada do país, a mais limpa, etc., etc. Aliás, gosto muito - e faço com orgulho; e sei que muita gente também gosta e faz - de mostrar nossa cidade para os amigos e parentes que vem de fora. É impressionante como todos se encantam com a nossa cidade.

Infelizmente, logo que eles chegam, por conta do nosso Aeroporto, que hoje é considerado um dos piores do país, a decepção costuma ser grande. Mas, ao saírem do Aeroporto, na Avenida Duque de Caxias, o semblante do visitante vai mudando pouco a pouco.

A avenida está em obras, mas a ideia de como ela ficará quando pronta é animadora. Nem a sisudez dos quartéis ao longo da avenida assusta tanto, pois, logo em seguida, ao fazer o contorno da Praça Tiradentes, a artéria mais importante da cidade se põe em movimento - o visitante fica de frente para a Avenida Afonso Pena, uma das mais belas do país (é a minha opinião!).

Trafegar por ela é uma contemplação de memoráveis paisagens. Logo no início o visitante se depara com a Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, nosso santuário de novenas, que tem o estilo dos monastérios italianos e a coloração próxima ao ocre, que é a cor da nossa terra morena. Os hotéis, restaurantes e barzinhos ao longo da avenida são convidativos. O arborizado, largo e florido canteiro central, causa sempre espanto.

Até o Camelódromo faz pose para quem passa por ali. Mais à frente o antigo – e quase único - Shopping continua majestoso. A partir de então o verde se faz absoluto. Não há quem não deixe o queixo cair ao passar pelo Parque das Nações Indígenas (... É uma sensação maravilhosa presenciar o deslumbramento do visitante!).

Na sequência vem o Parque dos Poderes. Sua arquitetura harmoniosa e em perfeito equilíbrio com a natureza é um exemplo a ser seguido pelo mundo. Os prédios que abrigam os diversos setores dos três poderes, construídos ao longo dos passeios, já se misturaram ao denso cerrado e passaram a fazer parte da própria natureza. A reserva, na cabeceira do Córrego Prosa, que abriga elementos da nossa fauna e flora, é um pequeno (mas, significativo) santuário ecológico.

A travessia de quatis, capivaras e outros bichos (... e onça?) é indescritível. O Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, um dos mais modernos e bem equipados espaços para eventos da América do Sul, sempre foi alvo de elogiosas considerações por parte dos artistas que nele se apresentam. A torre da TV Educativa, além da rara beleza, é apontada como a mais alta torre de alvenaria do país. Enfim, o nosso Parque dos Poderes é realmente único no mundo.

Mas não é só isso. A área verde da nossa capital é composta por muitos outros parques e por muitos outros recantos (praças, lagoas, cachoeiras, etc.). Todos com suas características, belezas e encantamentos – a Lagoa Rica, por exemplo, ainda será transformada num extraordinário recanto turístico da nossa terra. Nossas ruas e avenidas são amplas e arborizadas.

E mais. Nosso orgulhoso povo tem múltiplas origens. Aqui, aliás, na mesma mesa, vários pratos se misturam (churrasco, sopa paraguaia, quibe cru, esfiha, sobá, massas, arroz carreteiro, feijão tropeiro e tantos outros).

Campo Grande, enfim, é uma das melhores cidades do mundo para se viver. Ela é a minha pátria, o túmulo dos meus ancestrais, o berço da minha prole. Ela, como dizia o poeta, “tem palmeiras onde canta o sabiá”!!!

Disseram-me, certa vez, que um elevado percentual da população mundial (85%) vive às margens dos oceanos (no litoral), num raio de até duzentos quilômetros, e que outro percentual (10%) vive às margens de um grande rio, também, num raio de até duzentos quilômetros - isso seria uma demonstração de que o ser humano necessita primordialmente da água.

Essa estatística, num primeiro momento, deixou-me muito triste, pois, Campo Grande, que não tem mar e nem foi edificada às margens de um grande rio, faria parte desses 5% restantes. Entretanto, bastou-me lembrar de que sob os nossos pés encontra-se o Aquífero Guarani, a maior reserva de água doce do mundo – cujo elemento da natureza será, em brevíssimo tempo, a matéria prima mais cobiçada da humanidade -, para eu entender que nós, realmente, vivemos em um paraíso.

Então, voltando ao que foi dito no início, não há como não agradecer a Deus por moramos nessa cidade tão bela, tão sedutora, tão encantadora, tão hospitaleira e tão mágica.

Mas, ....! E as nossas enchentes?

Pois bem, nossas enchentes são um problema antigo - até porque, na nossa região, seja na área rural ou na cidade, as enchentes sempre existiram - e, se Deus quiser, sempre vão existir, pois as chuvas são uma dádiva da natureza. Pelo que me consta, um dos primeiros locais a enfrentar sinistros com as enchentes foi a Rua Maracaju.

Depois – esse eu me lembro bem –, foi na Av. Fernando Correa da Costa, entre as ruas Pe. João Crippa e Calógeras. Em ambos os casos, a solução (aparentemente) encontrada pelos antigos administradores, foi a canalização subterrânea dos respectivos córregos. Agora, mais recentemente, tivemos as enchentes do início do ano passado. Foi horrível. Assustador. Afinal, fazia muito tempo que não ouvíamos falar em enchentes aqui em Campo Grande – nem sei, também, se não é por causa da impermeabilização dos fundos de vale feita em administrações anteriores.

Mas, de uma coisa estou certo, a enchente do ano passado, que formou uma cratera da Rua Ceará, serviu para corrigir um defeito da obra originária, pois o viaduto (que mais parecia uma ponte) sobre a Avenida Ricardo Brandão não tinha alças de acesso ao entorno – mas, agora tem. Várias medidas, por outro lado, foram tomadas – e ainda estão sendo - para a contenção do problema em frente ao shopping. Este ano, porém, com o retorno das grandes precipitações, tivemos problemas em outros pontos da cidade. Pelo que me consta, várias medidas serão tomadas – muitas já foram e outras continuam sendo – para a solução desses novos problemas.

Então, não se pode comparar o nosso problema, que vem sendo sistematicamente corrigido pelos nossos administradores, com as catástrofes e as ausências administrativas das cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo...

Não se pode, também, alarmar nossa população ou criar terrorismos políticos...

Aliás, logo na sequência do Jornal Hoje (da Rede Globo), que apresentou notícias realmente carregadas de imagens catastróficas, como dito no início deste artigo, começou o jornal de uma emissora de televisão local:

... Foi cômica a tentativa dos nossos repórteres em produzir uma matéria com ares de tragédia sobre as nossas enchentes...!

(*) Antonio Cézar Lacerda Alves é advogado, ex-conselheiro seccional da OAB/MS e ex-presidente da Comissão de Estágio e Exame de Ordem da OAB/MS.

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com ares de tragédia??? aposto que o sr. não mora perto das àreas afetadas, nem estava na rua na hora da tempestade.
È por pessoas que pensam assim e não dão importância quando os fatos começam a acontecer que chegam as grandes tragédias e catástrofes.
 
Neilane Maria Schio em 17/01/2011 10:24:36
Interessante o artigo do nobre advogado, porém, julgo necessário fazer algumas observações. É certo e incontestável que Campo Grande é uma cidade bela, sedutora, encantadora, etc. etc., mas também com gravissímos problemas. Não é verdade que inexiste favelas em C. Grande. Se alguém quiser, posso levá-lo a uma.
Tivemos por décadas, a pior rodoviária do país e hoje temos sim, o pior aeroporto. O visitante, não necessariamente um visionário, ao sair do aeroporto se decepcionará com a largura das pistas que estão sendo construídas na Duque de Caxias. Aqui não se pensa no futuro. Não se pensa grande. O espaço ali é enorme e poderiamos ter uma larga avenida. Não teremos.
Ao entrar na Afonso Pena, a qual não questiono seu charme, o visitante não encontrará asfalto, mas sim, remendo. A vibração e os solavancos no veículo impede que o visitante menos destemido, possa observar as belezas, como a igreja citada, as árvores, flores, canteros, etc. As faixas de rolamento da Afonso Pena, são estreitas. Os semáforos, assim como mais de 90% dos instalados na capital, oferecem ao motorista, onda vermelha. Isso estressa o visitante e qualquer um que possua sangue na veia. A maioria absoluta de nossas ruas não possuem sinalização horizontal, especialmente a pintura de faixas, estabelecendo as pistas de rolamento. Na Av. Ernesto Geisel o problema é crônico. O número de veículos na capital morena é alto. Não temos transporte coletivo digno. O Ônibus é caro. Compensa circular de carro. Assim, o trânsito se complica a cada dia. Não há nenhuma passarela. Nem em frente daquela universidade localizada na Av. Ceará. Por falar nesta avenida, é vergonhoso o tempo que se levou para consertar os estragos da chuva mencionada no texto. Perto do Guanandizão existe uma obra de reparos no córrego que tem mais de três anos. Enfim, minhas ponderações são apenas no sentido de que Campo Grande poderia ser muito, mas muito melhor se tivessemos gestores mais competentes e que pensassem no futuro e não fizessem obras e serviços apenas de forma paliativa. É minha opinião.
 
Juvenal Coelho em 17/01/2011 10:06:51
Fica difícil expressar o que senti quando lí esse artigo. Um misto de perplexidade e incredulidade. Em que cidade vive esse cidadão? A sua frase "... enchentes sempre existiram - e, se Deus quiser, sempre vão existir ..." já expressa bem o nível de exclusão em que o autor se encontra.
Campo Grande é uma cidade agradável mas que graças a incompetência de seus governantes está perdendo a oportunidade de se preparar para o futuro. Nossa avenida principal é uma mistura de buracos, asfalto esfarelado e falta de sinalização. Já pensaram o que aconteceria com Campo Grande se fosse uma cidade cercada por morros? Temos uma cidade plana e assim mesmo sérios problemas de enchentes, que pelo visto não atingem o nobre articulista, que deve estar enclausurado em um bom apartamento ou casa de luxo, longe das mazelas da cidade.
Nosso transporte público se resume a um número cada vez maior de ônibus, que proporciona um trânsito congestionado e perigoso.
Nossas vias principais (Afonso Pena e Matogrosso) são antigas e estreitas, sem falar no nosso aeroporto (não precisa nem comentar).
Não quero fazer terra arrasada, Campo Grande é uma excelente cidade, mas fechar os olhos para as suas deficências ou atribuir o cunho de "uso político" para as reinvindicações de sua população é perder a oportunidade de preparar a cidade para que nossos filhos e netos tenham uma qualidade de vida superior a nossa!
 
Rubnei Porto em 17/01/2011 07:58:15
Gostei do artigo. Achei excelente o conteúdo e cheguei, sem perceber, a me envolver emocionalmente com a exposição dos nossos lugares-comuns...São frases bem construídas e nos transportam de forma mágica a uma Campo Grande perfeita, ou quase!. Eu, a exemplo da maioria dos campo-grandensses, vim de outros pagos. E isto aconteceu sobre aqueles maravilhosos trilhos que serpenteavam a bela e sedutora menina-moça denominada carinhosamente de cidade morena. Para mim, a memória daqueles que ajudaram a construir esta cidade perdeu a sua principal referência: a velha estação ferroviária - ponto de partida para uma nova vida plena de sonhos, prosperidade e realizações. Todavia, certa noite, enquanto o silêncio das vozes e a atenção dos olhares repousavam, estas artérias (os trilhos) eram sorrateiramente arrancadas do corpo desta linda morena. Não se tem noticia que isto tenha ocorrido em Roma, Paris, Rio de Janeiro, etc. Mas, aqui vale tudo para figurar na história, ainda que, de forma distorcida ou vilã.
 
Pablo Ramenzzoni em 17/01/2011 07:55:54
Sem medo de errar, o autor do artigo deve de ser uma destas pessoas insensiveis com o seu proximo, principalmente quando este próximo esta muito próximo e fica mais comovido com as situações trágicas dos próximos nem tão próximo assim...Outra certeza é que ele não deve morar nem nas imediações dos alagamentos. Eu nem acredita que existisse alguem com o tipo de pensamento que ele esboço no texto. Acho que nem nosso pequeno prefeito deva pensar desta forma...
 
José Fábio de Castro Santos em 17/01/2011 06:21:51
Tudo que você falou de Campo Grande eu concordo,más não é por isso que vou tentar tapar o sol com peneira,na minha opinião a nossa cidade é vitima da irresponsabilidade dos nossos administradores que viram no asfaltamento das nossas ruas uma grande oportunidade de ganhar votos sem se preocuparem com o destino das aguas que correriam sobre as mesmas.
 
walter barros de oliveira em 17/01/2011 01:55:52
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