A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

06/09/2015 09:00

As vítimas da travessia

Por Gabriel Bocorny Guidotti (*)

Com apenas 3 anos, o menininho, certamente, não compreendeu bem o que estava acontecendo. Seus pais o conduziram a um barco, dizendo que, após a travessia, tudo seria melhor. Como todo bom filho, obedeceu sem pestanejar. Ele mal sabia da terrível guerra que deixou para trás. Não sabia, igualmente, que a aventura de barco seria a última de sua breve vida. Nessa semana, a foto do pequeno Aylan Kurdi – encontrado afogado em uma praia da Turquia – chocou o mundo, deflagrando os horrores da imigração ilegal no norte da África.

Não se trata de migração, a bem da verdade. O caso é mais grave. Os veículos de comunicação deveriam chamar o êxodo maciço no Mediterrâneo de fim da civilização. O planeta é da humanidade para dispor, mas nem todos podem levar uma vida tranquila. Quando a opressão do Estado Islâmico iniciou suas atividades no norte da África, só restou às pessoas de bem a busca por condições mínimas de dignidade em países europeus. O desespero é tamanho que levou os refugiados a embarcarem em viagens perigosas rumo ao desconhecido. Viagens, estas, as quais muitos não regressam.

A crise é humanitária, não política. É lastimável que a Europa – e a comunidade internacional – tratem do tema com viés governamental. Ninguém se atreve a abrigar todos os refugiados do mundo. Esqueçam-se as soberanias. Ignorem-se as fronteiras nacionais. Nosso mundo é feito de pessoas e sob a égide de uma única bandeira: a da humanidade. Que futuro estamos construindo? Crianças mortas, boiando em praias como se lixo fossem? Incontáveis indivíduos à mercê da própria sorte em meio a um conflito não originado por eles?

Eu tenho um número que representa o volume de mortos: 1. Um único morto. Uma história perdida já é suficiente para fomentar minha perplexidade. Uma breve história, no caso do garotinho Aylan. Ele foi vítima de uma espécie que não mede esforços para verter sangue. Nossa civilização é bélica, seja por motivos religiosos, políticos ou econômicos. E parece não evoluir nesse sentido. Há milhares de anos nos especializamos em uma abjeta arte: matar. Somente assim para satisfazermos nossa ânsia de ódio pelo próximo.

Torço que Aylan esteja em um plano melhor. A imagem do corpo dele, entretanto, não pode ser esquecida. Relembrou os piores horrores da Segunda Guerra Mundial. Note, os horrores continuam. A foto é o símbolo de uma desordem cruel e injustificada. O desfecho dos atos de homens que usam a violência para vender sua tirania. Quantos mais precisarão morrer até que possamos obter um pouco de tranquilidade e paz? Um garotinho nos deixou. Honremos sua memória.

(*) Gabriel Bocorny Guidotti, bacharel em Direito e estudante de Jornalismo em Porto Alegre (RS)

Como manter o engajamento na sua rede de franquias?
Não é de hoje que temas como motivação e produtividade estão em pauta nas organizações. O motivo é simples. A diferença entre o sucesso e o insucesso...
Agricultura familiar, um estímulo à economia brasileira
O agronegócio está entre as principais atividades responsáveis por movimentar a economia brasileira. De acordo com um levantamento feito pelo Centro ...
Soja: Três segredos para a safra render e o agronegócio brasileiro melhorar
Após passar por uma situação difícil no último ano, seja do ponto de vista climático – por conta das secas em algumas regiões – e até mesmo econômico...
Relevância da atividade econômica e o direito empresarial
Todos, de bom senso, somos uníssonos sobre a necessidade na melhoria das condições de vida do ser humano, essa melhora pode minimizar os conflitos so...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions