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04/06/2012 09:44

Beau Geste, por Heitor Freire

Por Heitor Freire (*)

Beau Geste é uma história clássica de fraternidade entre irmãos ingleses que se alistam na famosa Legião Estrangeira Francesa, de autoria de P. C. Wren. Foi filmado em 1939, com Gary Cooper no papel principal: representava uma metáfora entre os valores britânicos da classe alta de um tempo passado. E aqui ao retratar o gesto de um descendente de ingleses, valho-me do título por que bem representa o espírito que norteou a ação do cidadão protagonista deste artigo. Significa “Nobre Gesto”.

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Uma das virtudes mais louváveis no ser humano é a reverência aos antepassados. Os orientais são mestres nesse quesito. Fazem dessa reverência uma prática que os coloca em posição de destaque perante a humanidade.

Em Campo Grande, nós temos um pesquisador que fez dessa prática um ideal. E começou aos oitenta e dois anos. (Moisés, quando começou a caminhada pelo deserto com o povo hebreu tinha oitenta anos).

O pesquisador em questão é Milton Cox, hoje com 96 anos. Ao ser indagado por uma neta que queria saber quantos irmãos ele tinha, Milton se viu na mesma situação de desconhecimento quanto aos seus ancestrais. A partir daí iniciou um trabalho que jogou luz sobre as origens de sua família, pesquisa para a qual dedicou dois anos de sua vida.

Tive acesso à pesquisa familiar de Milton Cox, por meio de uma busca que nós, associados do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, fazemos constantemente. É uma garimpagem de histórias e personagens interessantes de nosso estado que nos leva à descoberta de verdadeiros tesouros.

Milton registrou a história da família Cox, nos séculos XIX e XX. Descobriu que sua família é originária da cidade de Southampton, no condado de Hamsphire, na Inglaterra. Sua bisavó, Mary Smith Cox, matriarca da família, aportou na Bahia por volta de 1856 com seus seis filhos: William Penley, Randolph Smith, Peter Smith, Osmond Paul, Franklin e Edmund Penley Cox os últimos três engenheiros civis – dando início à sua prole em nosso país.

A partir de quatro dos dez filhos de Edmund – avô de Milton –, foram contabilizados 226 descendentes. Dos outros seis, não se conseguiram informações.

O pai do Milton, Francisco Eduardo Cox, vindo do Rio de Janeiro, chegou a Três Lagoas em fins de 1919, para dirigir as oficinas de montagem da ponte metálica da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil sobre o rio Paraná, uma construção com 1.200 metros de comprimento. Francisco Cox permaneceu à frente dessa oficina até 1931, tendo montado outras pontes menores e alguns pontilhões no trecho entre Três Lagoas e Porto Esperança. Continuou morando em Três Lagoas onde faleceu em 1950, aos 86 anos.

O interessante é que Milton elaborou seu trabalho de pesquisa de forma artesanal, elencando dados e utilizando somente o telefone como meio de consulta. A partir daí foi relacionando bisavós, avós, pais, filhos, netos, bisnetos, trinetos e tataranetos, que constituíram uma imensa árvore genealógica. Ele doou ao Instituto Histórico e Geográfico um exemplar do seu trabalho, que agora pertence ao nosso acervo, e está à disposição da população.

Uma versão digital com a relação de outros membros da família Cox será disponibilizada tão logo esteja pronta, no site do Instituto, www.ihgms.org.br.

O trabalho de Milton Cox representa um verdadeiro atestado de perseverança e dedicação, coroando um registro feito com amor, de forma empírica. Ele erigiu, com diligência, um monumento à determinação, demonstrando que quando se tem vontade e um objetivo claro, tudo concorre a favor. Por falta de orientação técnica, ele mesmo foi seu professor, treinador, e técnico.

Aprendeu a organizar o seu trabalho com a prática. Demonstrou que o tempo é amigo daqueles que usam o juízo para utilizá-lo da melhor forma.

Milton Cox é a perfeita encarnação do justo respeito aos antepassados.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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