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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

09/02/2016 16:32

Brasil-Argentina: aliança estratégica

Por Milton Lourenço (*)

O comércio entre Brasil e Argentina encerrou 2015 com queda de 18,8% em relação a 2014, com uma corrente de comércio de US$ 23 bilhões e um déficit para o país vizinho de US$ 2,6 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações do Brasil para a Argentina caíram de US$ 14,2 bilhões em 2014 para US$ 12,8 bilhões em 2015, enquanto as importações desceram no mesmo período de US$ 14,1 bilhões para US$ 10,2 bilhões. As vendas argentinas para o Brasil representaram 5,9% do total importado pelo País em dezembro, 1% a menos em comparação com o mesmo mês de 2014.

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Se nos últimos tempos esse relacionamento foi dos mais conturbados, em função de uma exacerbado protecionismo praticado pelo governo de Buenos Aires, não se pode deixar de reconhecer que a integração com a Argentina, por meio do Mercosul desde 1991, produziu uma atividade de comércio crescente, que ainda pode alcançar níveis mais significativos. Isso, porém, só será possível se as duas nações conseguirem estabelecer um relacionamento mais afinado, a partir da assinatura de acordos mais amplos, bilaterais ou no âmbito do bloco.

Com a eleição de Mauricio Macri para a presidência argentina, parece que essa situação será revertida. Antes mesmo de sua posse, Macri anunciou como sua prioridade estabelecer uma “aliança estratégica” com o Brasil que passaria pela eliminação de barreiras e pela aproximação com a Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México, Peru e Costa Rica), além de esforços para a formalização de um tratado de livre-comércio com a UE (União Europeia).

Mas, se essa possibilidade não ficar clara logo, a única alternativa que restaria ao Brasil seria deixar de ser refém do Mercosul e partir para acordos comerciais com os países do bloco do Pacífico, com a UE e os EUA. É de se ressaltar que o País não pode mais perder tempo contemporizando interesses diante de barreiras que contrariam o espírito do Mercosul e da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Ou seja, é preciso buscar logo maior intercâmbio com EUA e UE. Até porque os EUA já fizeram um acordo amplo com países asiáticos e, se conseguirem assinar um tratado com a UE, esses blocos irão determinar o padrão do comércio pelas próximas décadas.

Dessa maneira, todas as questões regulatórias, fitossanitárias, tarifárias e aduaneiras serão estabelecidas por esses atores. E a quem estiver de fora desse âmbito só restará obedecer, sem possibilidade de participar das discussões. Se esse quadro afigura-se inevitável, é preferível que Brasil e Argentina, por meio do Mercosul, estejam dentro dessas negociações planetárias. Portanto, está na hora de seus governos deixarem de misturar política com comércio.

(*) Milton Lourenço é diretor do Sindicomis (Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo) e da ACTC (Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística)

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