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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

27/01/2012 07:00

Chochinho

Marta Ferreira

Heitor Freire

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No banco havia duas categorias de funcionários: os escriturários e os contínuos. Os escriturários eram os que desenvolviam os seus trabalhos no atendimento aos clientes e na linha de frente. Os contínuos faziam os trabalhos de complementação, encaminhamento de correspondências e demais atividades secundárias.

Na agência de Campo Grande, havia um contínuo que, como se dizia, “não respeitava pelo nem marca”. Para ele todo mundo era igual, e não havia hierarquia, tratava a todos como seus iguais. E era muito criativo e engraçado. O seu nome era José Ferreira dos Santos Irmão. E aqui começam os detalhes: seu irmão mais velho chamava-se José Ferreira dos Santos. O seu pai gostando desse nome acrescentou o Irmão para o nosso personagem de hoje, que tinha o apelido de Chochinho, porque o seu irmão mais velho era conhecido como Chocho.

Fazendo pesquisas sobre o Chochinho acabei conseguindo a colaboração inestimável do Arly Serra, que obteve as informações do Ney Sant’Anna de Carvalho e do Rosalvo Silveira, todos funcionários aposentados do Banco do Brasil.

Chochinho foi uma pessoa extremamente comunicativa, de uma presença de espírito extremamente aguçada. Em todas as rodas que freqüentava sempre era aquela figura alegre, brincalhona, debochada... hilariante.

De certa feita, transportando o malote de dinheiro do banco para a agência de Aquidauana (Campo Grande a Aquidauana, de trem, na gloriosa NOB), o Chochinho com outro contínuo, o Adalberto, eram os responsáveis. Bons tempos em que não havia assaltos e o transporte de dinheiro era feito sem escolta. Ocorre que ambos dormiram e somente despertaram quando a cidade de Aquidauana já tinha passado. Apavorados (será que o Chochinho estava?) não viram outra alternativa senão a de continuarem até Miranda. Então, tiveram que esperar o próximo trem que vinha de Corumbá para completarem a referida missão. Imaginem o desdobramento do assunto quando os dois emissários não chegaram no horário convencionado, em Aquidauana.

Em outra ocasião, Chochinho apareceu no expediente bancário com uma caixa de bombons. Ocorre que aquela guloseima não era convencionalmente própria para o “consumo humano”, pois continha laxante em seu interior. Diversos colegas adiantaram-se e pediram uma “amostra”. Chochinho distribuiu para quem pediu. Havia um chefe de serviço que alegou: “Chefe é chefe” e foi pegando logo dois. O Chochinho concordou no ato: “Chefe é chefe”. Este apenas conseguiu chegar ao banheiro da agência. Nenhum dos seus outros companheiros de trabalho conseguiu chegar inteiro em suas residências. Foi uma lástima...

No dia seguinte, o fato foi levado ao conhecimento do subgerente, que é o chefe de pessoal da agência. O mesmo, extremante rigoroso, pediu explicações ao “doador” que, de pronto, alegou não ter qualquer tipo de culpa. “Sim, não nego, o chocolate era laxante e seria destinado ao meu próprio consumo. Ocorre que os colegas me pediram e eu não pude negar”. O assunto morreu ali mesmo...

Em uma oportunidade em que a agência do Banco do Brasil/Campo Grande recebeu a visita de alguns diretores, vindos de Brasília, Chochinho foi incumbido de ser o motorista. O gerente da agência (naquela época existia apenas uma filial na cidade) foi até o aeroporto recepcionar os visitantes. Chochinho estava todo garboso: calça azul marinho e camisa branca, de gravata.

Como a reunião com os demais funcionários deveria ocorrer somente após as 15 horas, o gerente, gentilmente, convidou-os para almoçarem. Foram para a “Cabana do Cantero”, na avenida Afonso Pena, um dos melhores (senão o melhor) da cidade. Lá, um dos diretores, declinou da cerveja e do whisky, preferindo tomar uma caipirinha, enquanto esperavam que a refeição fosse servida.

O gerente, observando que o restaurante naquele momento não tinha outros clientes, notou que o garçom passava algumas vezes levando em sua bandeja um litro de whisky escocês. Levantou-se e constatou que todas aquelas doses tinham sido consumidas, nada mais nada menos, pelo Chochinho. Os diretores ficaram na caipirinha.

Continuaremos com outras ricas estórias do Chochinho.

Heitor Freire é corretor de imóveis

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