A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017

07/12/2011 08:38

Ciência do Jornalismo e formação

Por Gerson Luiz Martins*

Pode-se começar esta reflexão com uma pergunta. Quanto lê um estudante de jornalismo? Todos sabem e isso é recomendação geral de professores, de todos os artigos de pesquisadores e profissionais, nas entrevistas dos jornalistas famosos, principalmente da mídia televisão, que não há profissional de jornalismo sem leitura, muita leitura.

Veja Mais
Elementos da teoria da decisão
O diálogo inter-religioso

No período de formação universitária, recomenda-se e há uma insistência chata para que os estudantes leiam os principais livros da formação jornalística, clássicos, e além disso, por força da própria profissão, a leitura cotidiana, ressalve-se, cotidiana de jornais, hoje seja no suporte impresso ou na internet. De qualquer forma é imprescindível que o estudante de jornalismo saiba, minimamente, o que acontece na sua cidade, no seu país e no mundo. Este tema foi motivo de artigos produzidos anteriormente, publicados no Correio do Estado, Tribuna do Norte de Natal (RN) ou aqui no O ESTADO MS. Basta fazer uma busca na internet para resgatar essas reflexões.

Há alguns anos professores de jornalismo comentavam que seria inadmissível que um estudante de jornalismo não tivesse o hábito diário de leitura de pelo menos um jornal. Hoje, com a internet, com acessibilidade - gratuita na maioria das vezes - diária e incessante dos principais jornais, o requisito, ou melhor, a obrigação dos estudantes de jornalismo ler os jornais todos os dias é condição estratégica para a qualificação e boa formação em jornalismo.

Os estudos de jornalismo se desenvolveram de forma quantitativa e qualitativa nos últimos 20 anos. Hoje é possível falarmos em ciência do jornalismo. Há uma quantidade significativa de estudos, ensaios, pesquisas qualitativas e quantitativas sobre o fenômeno do jornalismo. Esses estudos estão publicados em dezenas de revistas científicas, livros e apresentados no mais diversos congressos específicos de jornalismo.

Essa profusão de estudos é subsídio indispensável para uma formação qualificada dos estudantes de jornalismo. Dos mais diversos títulos de livros, das mais diversas revistas cientificas, quais e quantos são de conhecimento cotidiano dos estudantes? Muitos responderão inúmeros nomes, títulos, que, provavelmente, estarão restritos entre os clássicos requeridos pelos professores nas disciplinas mais comuns. Pode-se arriscar que das centenas de títulos de livros, os estudantes conhece menos de 10%. Das dezenas de revistas cientificas, de jornalismo, talvez não conheçam uma sequer!

Durante o período de formação, os estudantes, inevitavelmente, conhecem a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. O que é isso? Será a pergunta a seguir, embora a maioria conheça esta associação! Acontece que esta "Sociedade" é mais conhecida pela sua sigla, Intercom! E as entidades específicas do jornalismo? Afinal a opção profissional e, portanto, o curso universitário escolhido é o Jornalismo. Que entidades de jornalismo existem, além da Federação Nacional dos Jornalistas, Fenaj, que não é uma entidade de estudos, pesquisas, mas profissional? Quais entidades, grupos, associações de pesquisa, de ensino, de estudos em jornalismo são conhecidas pelos estudantes? E por que deve-se conhecer ou participar dessas entidades?

Conhecer e participar dessas entidades pela simples razão de que é, nesses espaços, onde se produz ciência do jornalismo e que subsidiam os estudos e a formação universitária em jornalismo. Como mencionado em artigos anteriores, a formação universitária em jornalismo não pode se dar ao luxo de apenas reproduzir técnicas jornalísticas. A escola universitária de jornalismo deve produzir conhecimento em jornalismo, desenvolver a pratica jornalística.

Assim como nas demais áreas de formação profissional e científica, o estudante de jornalismo necessita estar sintonizado com o desenvolvimento de sua profissão, sob a risco de ficar defasado e se tornar um técnico, reproduzir, cotidianamente, as ações básicas da atividade jornalística, quase como uma autômato que reproduz ações sem pensar.

Este artigo é o primeiro de uma série, sobre a ciência do jornalismo. O objetivo é demonstrar que o jornalismo, assim como a matemática, a química, o direito, a sociologia é um campo científico, com um objeto definido de estudos e uma metodologia de trabalho. E, assim como a sociologia e outras ciências sociais, seu método é múltiplo, sempre com foco no desenvolvimento das comunidades.

(*) Gerson Luiz Martins é jornalista, professor do PPGCOM/UFMS e pesquisador do CNPq

Elementos da teoria da decisão
A propósito do fim do ano de 2016 (terrível na política e na economia) e com o ano de 2017 (com esperanças de que as coisas melhorem), participei de ...
O diálogo inter-religioso
Desde a declaração Nostra Aetate, do Concílio Vaticano II, a Igreja busca manter o diálogo inter-religioso. Aí surge a pergunta: Por que o diálogo co...
Embarque comprometido
O Brasil está entre os cinco melhores mercados de aviação doméstica, mas há quase dois anos vem perdendo demanda por conta do cenário econômico. Só e...
Travessia sustentável
O Relatório Anual do FMI (Fundo Monetário Internacional), sobre a situação econômica de seus países-membros, saiu em novembro do ano passado e projet...



Excelente artigo! Parabéns professor Gerson! "Ler faz com que o homem se expanda..." (Francis Bacon).
 
Elizângela Lemes em 07/12/2011 09:59:31
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions