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28/09/2015 09:29

Como a alta do dólar influencia a vida do brasileiro?

Por Rafael Britto (*)

Nesta última terça-feira (22) o dólar comercial teve a quarta alta seguida e fechou em R$ 4,054 na venda, sendo o maior valor de fechamento desde a criação do Plano Real em 1994. O recorde anterior era do dia 10/10/2002, quando a moeda norte-americana havia fechado em R$ 3,99.

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Grande parte da população acredita que a referida alta não as afeta, pois não recebem em dólar e não pretendem em um futuro próximo viajar para o exterior. Todavia, o fato é que o impacto na alta do dólar afeta diretamente a vida de todos, desde os negócios do grande empresário até o cotidiano da dona de casa.

Segundo o professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV, Clemens Nunes, a crescente valorização da moeda americana retrata o momento de desequilíbrio econômico suportado pelo Brasil. Segundo ele, a situação do País é de grave desequilíbrio fiscal, ou seja, o Governo gasta mais do que arrecada, e uma das consequências é que o real se desvaloriza reduzindo-se assim o poder de compra com relação ao resto do mundo.

Analisando a situação sob uma ótica otimista, é possível que a alta do dólar aqueça o mercado do turismo doméstico, com a óbvia desistência dos brasileiros de tirar férias no exterior, porém não se espera um crescimento tão grande vez que a economia brasileira como um todo está mais fraca, e a tendência é que as pessoas evitem gastos supérfluos diante do cenário de crise que está claramente estabelecido. Com a consequente desvalorização da moeda brasileira, há também a esperança de chegada de turistas estrangeiros, que poderiam consumir e injetar dinheiro em nossa economia, principalmente de grandes capitais e cidades turísticas.

Mas como a alta da moeda americana afeta a vida das pessoas comuns?

De imediato pode-se dizer que o aumento do valor do dólar culmina no crescimento da inflação, que a princípio começa afetando o valor dos produtos internacionais, que é o caso de algumas matérias primas importadas, como trigo, gás e gasolina, por exemplo.

Porém com o tempo, a inflação acaba “contaminando” os produtos produzidos no Brasil, como a soja, a carne, o café, entre outros. Isso porque muitos desses produtos são matéria de exportação e comercializados em dólar, e, se são vendidos lá fora por um preço maior, por certo os vendedores acabarão aumentando o preço no Brasil para não terem desvantagem nas vendas nacionais. Aparentemente, em curto prazo os produtores exportadores são beneficiados com a alta do dólar, contudo segundo o professor Nunes, a médio e longo prazo, todos perdem pois a moeda não está desvalorizada por uma escolha e sim em razão de um enfraquecimento da economia.

O professor de finanças do Ibmec/DF, José Kobori explica que a “alteração no câmbio influencia negativamente uma inflação já galopante, prolongando ainda mais uma política monetária contracionista” e que “no atual cenário de instabilidade, todos perdem, já que nossos maiores exportadores veem o preço de seus produtos caírem em proporções maiores que a alta do dólar.”

Apesar de haver esperança para alguns setores, como de exportação e turismo, a verdade é que a constante alta do dólar é reflexo de uma economia fragilizada e deixa o brasileiro cada vez mais pobre!

(*) Rafael Britto, advogado

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