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09/07/2014 11:00

Coophas têm a ver com a Copa do Mundo?

Por Heitor Freire (*)

Nestes tempos de Copa do Mundo acontecem algumas coisas engraçadas. Eu fui procurado por uma equipe da TV Morena para responder a uma pergunta: O que a Copa do Mundo tem a ver com as Coophas que envolveram a nossa cidade em tempos idos e que se espalharam por toda a nossa cidade? Assim temos, por exemplo, Coophavila 1, Coophavila 2, Coophamorena, Coopha do Lar do Trabalhador, Coopha dos Novos Estados, Coopharádio, etc.

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Pois é, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Essas Coophas (cooperativas habitacionais) faziam parte do programa habitacional do governo militar e eram viabilizadas por intermédio do BNH – Banco Nacional da Habitação, um banco de segunda linha (segunda linha porque não emprestava dinheiro diretamente, nem mantinha contas correntes, etc.). O BNH foi a principal instituição federal de desenvolvimento urbano da história brasileira, na qualidade de gestor do FGTS, da formulação e implementação do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e do Sistema Financeiro do Saneamento (SFS).

A criação do BNH se deu pela Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, de autoria da Deputada Sandra Cavalcanti, que depois foi nomeada a primeira presidente do banco. Em 1982 a deputada foi candidata ao governo do estado do Rio de Janeiro, despontando nas pesquisas como a grande favorita. A eleição foi ganha por Leonel Brizola. Nem sempre a posição de grande favorito nas pesquisas iniciais confere ao candidato a certeza de vitória nas urnas.

Aqui em nosso estado nós tínhamos um empresário criativo e ousado – Sebastião Caneca – que, antevendo o que poderia obter de recursos para implementar programas habitacionais voltados para a população mais carente, criou a Planoeste, empresa de planejamento que se credenciou ao BNH para essa finalidade. E, secundado pelas construtoras Construmat (Giannino Camillo), Incco (Arnaldino da Silva), Construtora São Luiz (Anees Salim Saad), Estilo (Jofre Leite Brun) e tantas outras, lançou então essas cooperativas habitacionais – aqui conhecidas como Coophas – proporcionaram ao trabalhador de pouca renda realizar o sonho da casa própria.

Essas cooperativas assim constituídas sob a administração da Planoeste, adquiriam as glebas que eram divididas em terrenos. Os terrenos tinham um tamanho adequado como se pode observar pelas Coophas existentes em nossa cidade. E as casas tinham uma área construída permitindo qualidade de vida aos seus adquirentes, ao contrário do que se vê hoje no programa Minha Casa, Minha Vida. Não dá para comparar os projetos, principalmente pelo tamanho dos terrenos e dos cômodos que, aliás, de cômodos não tem nada.

Já está passando da hora de homenagearmos esses gigantes da nossa construção civil. É lamentável que, com o passar do tempo, o BNH na qualidade de gestor dos milionários recursos do FGTS tenha se transformado num foco de corrupção, e o governo federal, não querendo meter a mão nessa cumbuca, optou pelo fechamento do banco. Isso aconteceu no governo Sarney em 1986. Toda a estrutura do Banco foi absorvida pela Caixa Econômica Federal, que passou, a partir daí e até hoje, a ser o gestor do Fundo de Garantia dos programas habitacionais (Planhap) e de saneamento básico (Planasa). É como se, num passe de mágica, toda a corrupção fosse varrida para baixo do tapete. É como a atitude do avestruz: enterra a cabeça para fugir do perigo.

É essa certeza da impunidade que vai ao longo do tempo estimulando a disseminação do vírus da corrupção. No caso do BNH, ninguém foi preso nem processado. Ficou como se não tivesse acontecido nada.

Nas próximas eleições e com o fator ficha limpa está na hora de nós, eleitores, fazermos a nossa limpeza expurgando os corruptos, que nós sabemos quem são, da política.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado

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