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Campo Grande, Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

18/10/2015 14:46

Cunha agoniza na Câmara

Edivaldo Bitencourt

Após um primeiro semestre de protagonismo no cenário político, a maré virou contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB – RJ). E o refluxo aconteceu pela suspeita mais perniciosa possível: corrupção. Apesar de o deputado negar qualquer envolvimento com as propinas distribuídas no esquema de Petrolão, os fatos revelados nas últimas semanas são contundentes. Cunha amarga um fim agonizante na Casa do Povo.

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Meses atrás, Cunha foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por crimes relacionados à operação Lava-Jato. As acusações versam sobre corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com a Procuradoria, o deputado recebeu propina de contratos firmados entre a Petrobras e fornecedores da estatal. De prontidão, ele negou participação e fixou que não sairia da presidência da Câmara.

O discurso permanece o mesmo, ainda que as provas se avolumem de forma constrangedora. O Ministério Público da Suíça revelou a existência de contas em nome de Cunha no país. De acordo com o portal G1, em março deste ano, à CPI da Petrobras, o parlamentar enfatizou não possuí-las. Eis que a trama começou a se complicar. Na semana passada, o G1 continuou seu trabalho investigativo e revelou documentos que comprovam a titularidade.

Contradizer tantas provas? Seria cinematográfico pensar que as contas na Suíça, chanceladas e assinadas por ele, sejam uma armação. Se os valores não provierem da corrupção, que o peemedebista venha a público esclarecer as acusações. Entretanto, optou pelo silêncio. Um silêncio sugestivo, diga-se de passagem. Cunha decidiu falar sobre o caso apenas por meio das suas assessorias – jurídica e de imprensa. Em nota divulgada no fim da tarde de sexta-feira (16), o deputado reafirmou não ter recebido "qualquer vantagem de qualquer natureza" e disse reiterar o depoimento dado à CPI da Petrobras, no qual negou ter contas no exterior.

Cunha disse ainda ser alvo de "perseguição" do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Este avalia existirem indícios de lavagem de dinheiro nas contas. Em outras palavras, o cerco se fecha. Como diz aquele velho jargão, “contra fatos não há argumentos”. Posso me equivocar grosseiramente, mas essa história tende a terminar como tantas outras: um novo político corrupto para sujar a democracia em nosso país.

(*) Gabriel Bocorny Guidotti, bacharel em Direito e estudante de Jornalismo de Porto Alegre (RS)

 

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