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Campo Grande, Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

12/04/2011 06:25

Custo da energia: de quem é a culpa?

Por Marcos Alex Azevedo de Melo (*)

Quando inaugurou o sistema de fornecimento elétrico em Campo Grande, no ano de 1916, o prefeito Sebastião Lima não imaginava que chegaríamos a esse ponto. O que na época foi motivo de justos festejos hoje se transforma em uma tremenda dor de cabeça para a sociedade. Para todos os segmentos, o custo exorbitante da energia faz desse bem essencial um produto cada vez mais restritivo, corroendo a renda doméstica e dificultando o crescimento econômico.

Quais os culpados desses constantes reajustes? As privatizações ou a agência reguladora (Aneel) por atender a causa da concessionária em detrimento da causa da população? A localização geográfica ou a pouquíssima densidade populacional do estado? Ou nossos governantes, que devido ao reajuste, aumentam em milhões suas arrecadações?

Entendo que, na busca da responsabilidade, não é de bom alvitre satanizar as privatizações de forma generalizada. Em diversos setores onde o Estado afundava na ineficiência, o ingresso da iniciativa privada funcionou e otimizou resultados. Não é de bom senso também concentrar toda a responsabilidade na Aneel, que já fez intervenções positivas do ponto de vista do consumidor em outros lugares e situações. A agência tem a sua parcela de culpa, mas vilanizá-la seria, de fato, um desserviço político e institucional.

A situação geográfica e a baixa ocupação demográfica podem ser vistos como um desafio, pois são fatores que agregam custos à prestação do serviço. No que tange a essa situação, um componente deve ser considerado: as políticas públicas recomendam e orientam a socorrer os mais fracos, tratar de forma desigual o desigual. O critério em Mato Grosso do Sul contraria essa premissa. Está se cobrando mais do mais fraco. Assim, o que teremos lá na frente será a existência de um Estado atrofiado e cada vez mais dependente.

A principal causa desses abusos está estritamente ligada à omissão dos governantes. Primeiro pecam pela omissão ao não reagir a esses abusos e depois pela ganância de arrecadação de tributos. A cada dia matam sua própria galinha de ovos de ouro, que são o comércio, a indústria incipiente e a população contribuinte. Calcula-se que, em decorrência desse aumento de cerca de 18%, o Estado arrecadará perto de R$ 277 milhões com o ICMS. O Município de Campo Grande, cerca de R$ 70 milhões com a Cosip. Dinheiro fácil que entra nos cofres públicos. Não dão a mínima para o sofrimento e a penúria dos contribuintes.

Essa lógica precisa mudar. Basta raciocinar: com redução de custos operacionais e custos fixos, a capacidade produtiva e de atração de empresas e negócios para o estado produziria melhor resultado. Porém, como atrair empresas e gerar empregos com esse custo irracional e restritivo? É por isso que estão matando a galinha de ovos de ouro, fazendo a política do imediato, sem se importar com as consequências. Não querem pegar no pesado, nem reformular uma política tributária que, infelizmente, tem jogado o Estado pra baixo.

O Governo do Estado e os prefeitos dos nossos municípios, inclusive o da Capital, devem se pronunciar sobre esse verdadeiro abuso, que transforma a tarifa da energia cobrada em Mato Grosso do Sul na terceira mais cara do País. Observa-se um silêncio eloquente sobre esse temas. Esse debate é uma necessidade inadiável.

Se os principais dirigentes políticos e administrativos do nosso estado não derem o exemplo e não combaterem tenazmente mais esse tarifaço, a Enersul e tantas outras empresas que exploram a concessão de serviços públicos irão sentir-se cada vez mais à vontade para continuar servindo-se da prática do arrocho e da exploração. Diante de realidade tão triste para o povo e para Mato Grosso do Sul, resta acender duas velas: uma para nos iluminar e outra para rezar.

(*) Marcos Alex Azevedo de Melo é vereador e líder do PT na Câmara Municipal de Campo Grande.

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sempre que tem um aumento, auvorossa todos, POREM, nao vamos nos esquecer, que é preciso ficar de olho na empresa que forneçe energia, pois ela só lucra e não faz nada para melhorar nossa rede, os transformadores antigos, ofereçem ruidos a rede eletrica, forneçem energia a baixo da voltagem, as campanhas publicitárias levam a população a cometerem erros quando caem na bobeira de trocar as lampadas a fim de economizar, existem postes que obrigam moradores a fazer malabarismo todos os dias para entrar na garagem, nossas arvores são destruidas toda vez que são podadas , pois a consecionária não se habilita a substituir o tipo de cabeamento, tudo para economizar, nossos medidores facilitam o furto (gatos), deverian ser substituidos e instalados nos postes, sem contar com o grande comercio de queima de bobinas, oferecidas em grandes partes por pessoas que se dizem "profissionais da area" e até mesmo por "Funcionários da Forneçedora",
com certeza, se tomassem todas as providencias a empresa seria mais rica e assim não precisaria de aumento para cubrir os rombos orçamentários.
FICO IIIIINNNNNDIGGGNADDDOOOO!
 
VAGNER VIRME DOLCI em 13/04/2011 07:27:48
Poucas vezes se vê, num resumo, tanta verdade e razão. Parabéns, vereadador Marcos. Esta extorsão é a mãe desesperada de todos os 'gatos' dos relógios.
 
Estácio V. Carlos em 12/04/2011 11:17:20
Ilustre vereador, veja em sua conta de energia qual a parcela que cabe a cada um.
A concessionária fica com no máximo 35% do montante da conta de energia elétrica. O restante (65%) são custos de compra de energia impostos.

Basta que se diminua a carga tributária para que a população pague menos pela energia elétrica.
 
Marco Arthur em 12/04/2011 08:35:14
Parabéns nobre vereador, as suas locações foram oportunadas pela realidade que estamos vivenciando, é necessários que a classe politica tome a coragem como voce vez e impeça que a "galinha de ouro" morra aos poucos. Conta-se que na Inglaterra do seculo XVII, se cobrava pedágio absurso para se passar uma aldeia distante no meio da floresta, os viajantes não tinham opção, pois era o unico caminho, a população indignada enforcou o xeriff local e nunca mais se cobrou pedágio na história da Inglaterra. Não vamos ser tão tragicos, porem é necessário que enforquemos a ganancia e descasos de nossas autoridades e os nossos vereadores eleitos pelo povo, podem e devem impedir tais praticas.
 
luiz bellan em 12/04/2011 07:33:47
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