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Campo Grande, Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

04/02/2016 08:00

Da perfeição

Por Heitor Freire (*)

Qual a finalidade da vida? Para que estamos aqui? Para viver um período de 50, 60, 70 anos? E depois acabar? Será que é assim? Algumas religiões pregam essa possibilidade. Depois da morte, espera-se pela ressurreição que não se sabe quando será.

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Se fosse assim, teríamos milhares ou milhões de espíritos nessa situação. Convenhamos que deveria haver um lugar imenso para abrigar tantos espíritos desde o Princípio. Desde quando Deus decidiu criar o Universo.

Quando começamos a raciocinar, a pensar por nós mesmos, a exercitar o nosso pensamento, essa possibilidade se esvai como água entre as mãos. Evidentemente que respeitamos as pessoas que têm suas convicções embasadas nesse conhecimento exposto acima.

Então, se não é assim, qual a finalidade da vida? Será, talvez a evolução do ser humano, já que somos dotados da faculdade do raciocínio, o que nos incita a utilizá-lo, de onde decorre a dúvida, que nos impulsiona a questionar tudo? Heráclito, 500 anos antes de Cristo, já demonstrou claramente que a única coisa imutável em todo o Universo é a mudança.

Assim, estamos permanentemente em ação. Querendo ou não querendo, porque somos levados a isso. Não conseguimos ficar parados.

Seria então, a finalidade da vida a busca da perfeição? E como encontrá-la? Qual o caminho a seguir? Há uma via única? Quem nos orientará? Aí é que está o grande enigma. Penso que Deus, em sua infinita sabedoria, nos dotou de todos os mecanismos necessários para a nossa evolução.

Desse modo, é no nosso interior que vamos encontrar a bússola que orientará a nossa busca. E sentimos que chegará o momento em que seremos confrontados com essa situação. Da qual poderemos, talvez, desviar-nos, deixar para depois, mas inevitavelmente chegará o ponto da verdade.

Então, de raciocínio em raciocínio poderemos concluir que a finalidade da vida é a perfeição. A evolução constante até atingirmos esse estágio superior. Entenderemos então, penso eu, que compreenderemos que os caminhos são vários, a busca da perfeição nos levará naturalmente à felicidade.

Mas vamos palmilhar esse caminho devagar. Sobre esse tema, Mário Quintana nos mostra duas maneiras:

“Com o tempo, você vai percebendo que, para ser feliz, você precisa aprender a gostar de você, a cuidar de você, e, principalmente a gostar de quem também gosta de você”.

E sobre a perfeição da vida, ele ensina:
“Para que prender a vida em conceitos e normas?
O belo e o feio... o bom e o mau... dor e prazer...
Tudo, afinal, são formas
E não degraus do Ser!”

Aristóteles, diz: “Nós nos transformamos naquilo que praticamos com frequência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado. É um hábito”. Donde se conclui que devemos nos dedicar com assiduidade àquilo que pretendemos ser.
O que devemos evitar é exatamente pretender ensinar aos outros o que aprendemos, para não nos tornarmos esnobes. Ninguém é dono da verdade.

O que nos leva ao Eclesiastes, 7, 16: “Não sejas muito justo; nem mais sábio do que é necessário, para que não venhas a ser estúpido”.

(*) Heitor Freire é Corretor de imóveis e advogado

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