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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

05/06/2014 13:29

Debate indígena: o ideológico massacre midiático

Por Pedro Pedrossian Filho (*)

“Ideologia é um vestido que encobre desejos ou interesses”  (Karl Marx!)

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“Era tudo deles, nós é que somos os invasores”, “Muitos índios foram mortos”, “Temos uma dívida histórica”, “eles são os verdadeiros donos dessas terras, eles são os autênticos brasileiros, os invasores só trouxeram maldade e doença a esses povos que viviam em harmonia no paraíso.” !

As frases prontas são repetidas como mantras, marteladas diariamente por antropólogos, intelectuais, índios, políticos e claro, muitos papagaios, que repetem o coro, sem nunca terem se debruçado sobre o assunto.

A repetição vem com ares de sapiência, de verdade científica, de autoridade moral, e talvez por isso convença os “robôs da Academia” ao ponto de repetir o discurso retórico nos mesmos moldes. Não é permitido contestar nem em pensamento. É um dogma que não aceita questionamento, sob o perigo de ser excluído e hostilizado pela comunidade dos "cidadãos superiores.”

Aqueles que ousam questionar a “VERDADE” estabelecida por eles, são logo punidos por tamanho atrevimento e estigmatizados de nazistas, genocidas, seres humanos cruéis, assassinos de índios, racistas, digno de todo ódio e asco social.

A mídia por sua vez, na maioria das vezes embalada pelos discursos propositadamente passionais, não rara vezes com jornalistas também já doutrinados nas universidades, presta seu serviço a esse “maniqueísmo” forjado que cerca o debate. É uma verdadeira lavagem cerebral, um massacre midiático. É uma campanha escrachada de persuasão em massa.

Mas o que ninguém questiona é a quem interessa a manipulação da opinião pública? Quem deseja estabelecer uma verdade absoluta, inquestionável, ao ponto de tornar o debate quase um tabu?

Edward Luz, ex-antropólogo da Funai, doutorando em antropologia pela UNB, vem constantemente denunciando os processos fraudulentos e os interesses que permeiam e patrocinam a dita Política Indigenista brasileira. Segundo ele, os interesses internacionais em inviabilizar o desenvolvimento econômico do nosso país é um dos motores dessa história.

Para se ter uma ideia, um dos maiores patrocinadores é o departamento da agricultura dos Estados Unidos. Ora, não soa um tanto estranho que os entoadores dessa causa que o grande “porco capitalista”, que dizimaram seus índios, tenham como comprometimento proteger os pobres 400 mil índios no Brasil? E logo o "United States Department of Agriculture”? Realmente deve ser um investimento desinteressado, porque o Brasil “pequenino e com terras pobres" não despertaria a cobiça nos desatentos americanos... Isso é bobagem! mania de perseguição...

E assim segue a linha dos patrocinadores da farsa ideológica. São inúmeras ongs internacionais, que sob o véu dos princípios mais nobres como o ambientalismo e a solidariedade em favor dos menos favorecidos, investem pesado em campanhas publicitárias que visam atender seus obscuros e reais interesses.

Hoje, o Brasil conta com pouco mais de 400 mil índios aldeados, com áreas já demarcadas em 110 milhões de hectares, o equivalente a 26 Holandas. A pretensão é demarcar quase 30% do território brasileiro. Alguém, com um pouco que seja de massa encefálica, pode argumentar que os índios estão precisando de terras? Mas caso ocorra, alguém poderia responder a razão de 11 milhões de hectares serem considerados insuficientes para uma população de 28 mil índios no Mato Grosso? E que 710 mil hectares não são suficiente para o contingente de 380 indígenas ao ponto deles realizarem pedágios ilegais nas estradas?

Seguindo o mesmo raciocínio não é estranho que a presidente da república, Dilma Rousself, por indicação da Funai, amplie e demarque por decreto, como fez ano passado no Mato Grosso, em mais de 700%, aumentando uma área de 129 mil hectares, para um milhão de hectares?

No entanto, sobre a questão indígena é proibido pensar, discutir então... é quase uma blasfêmia para os “religiosos”. Contudo, essa ardilosa trama não foi engendrada pelos índios aldeados, em sua maioria massa de manobra, mas por técnicos a serviço de ONGs e governos estrangeiros.

Os discursos já vêm pronto e já estão e minuciosamente calculado para manipular as mentes mais vulneráveis, a fim de impedir qualquer juízo crítico, quase que irreversível.

Diante disso, assistimos o acirramento do conflito. De um lado, os produtores rurais com seus respectivos títulos endossados pelo Estado e do outro, índios alegando seu direito ancestral à terra e o pagamento de uma “divida histórica” em razão da colonização do país. Aqueles que repetem incessantemente essas frases de efeito, parecem não questionar, o porquê da “tal dívida” ser atribuída somente ao produtor rural. Se a dívida é social, histórica, jamais poderia ser resgatada mediante pagamento de somente um indivíduo ou parte de um grupo. Estaríamos tratando de devedores e credores, herdeiros “simbólicos”? Há alguma lógica nesse raciocínio? Os antropólogos, juízes, promotores, intelectuais e seus "proletários do saber”, não teriam a mesma conta a pagar? Não seriam também herdeiros da tal dívida? O leitor, daí de sua cadeira, na zona urbana, estaria fora desse “acerto de contas”? E eu como muitos, que não possui nenhuma gota de sangue dos colonizadores portugueses, tendo ascendência armênia e italiana, apontados na história - embora os mesmos contestem- como escravos brancos no trabalho em fazendas no Brasil, teria da mesma forma alguma dívida a pagar?!

Não parece ser este um discurso frágil, quase infantil, para persuadir e legitimar o confisco de propriedades privadas? Não seria mais aconselhável, ao invés de acusar produtores rurais, olhar para a própria história e questionar os argumentos? Não estaríamos cometendo mais injustiças escamoteadas sob o véu de justiça? Por que não investigar a Funai e seus laudos fraudulentos? Por que não se questionar sobre distribuição desses 110 milhões de terras indígenas?

Por que não cobrar ações e políticas públicas verdadeiramente comprometidas com as comunidades indígenas, com os anseios por educação e saúde de qualidade? Será que o produtor terá de elaborar um projeto piloto em comunidades indígenas, exercendo papel de Estado, para ensinar a Funai como é que se dá dignidade aos povos indígenas?
Pedro Pedrossian Filho- Graduado em Filosofia, pós graduando em Filosofia,

(*) Pedro Pedrossian Filho, graduado em Filosofia, pós-graduando em Filosofia, Antropologia e Sociedade e ex-deputado federal

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