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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

14/04/2011 11:08

Desarmamento: de novo? Não!

Por Nelson Valente (*)

Uma nova discussão sobre um novo referendo do desarmamento da população. A afirmação foi feita após a entrega de proposta de um novo plebiscito sobre a posse de armas para civis pelo presidente do Senado José Sarney.

Se o cidadão fica responsável pela sua própria defesa, fazendo justiça por conta própria, com a privatização do poder de polícia, corremos o risco de uma guerra civil. Não é isso que se deseja – e certamente a solução passa por uma educação de boa qualidade estendida a todos. O plebiscito sobre o desarmamento é demagógico, inócuo, com objetivos imagéticos, factóides, etc.

O senador José Sarney tem ciência de que um abismo separa o Brasil legal do Brasil real. Amainada a febre da disputa do Poder, silenciados os empuxos de um amor próprio tantas vezes malignamente ferido, um moço sério causticado, mas não corrompido pela vida, defronta-se com o seu estranho destino.

Subordina-se a realizar o impossível, a causar o antagônico, a harmonizar um pobre Brasil real, lastreado pelos reclamos do subdesenvolvimento, pelas glórias entrevistas da sua destinação histórica, às imposições, às contingências do Brasil legal, reverso do primeiro.

O que é o Brasil legal? O Brasil legal, juridicamente obsoleto , têm a sua máquina administrativa emperrada e protegida por leis que o eleitoralismo vigorante cedera, uma a uma, aos interesses de classes e grupos. Têm as suas estruturas políticas pulverizadas entre os partidos que lhe formam o Congresso e que se subdividem - em alas e tendências, internamente divorciadas, mas sempre conformadas nos ultimatos ao Executivo.

O povo brasileiro considera a educação como principal fator de mudança na sociedade. Por falta de marketing e a existência de circunstâncias sobre as quais não se tem domínio, como é o caso da segurança e da saúde, a educação passou a uma posição secundária, o que dificulta considerá-la prioridade.

Para o leigo, ela deixou de ter a mesma importância de dez ou 15 anos atrás.

Entre as reformas preconizadas para a educação brasileira, seria originalíssimo pensar numa estratégia de marketing que valorizasse a vontade política do país, no sentido de dar à educação a precedência que lhe é devida. Só assim, viveríamos novos tempos de esperança, no setor que é fundamental para o nosso crescimento rápido e autossustentado.

Os próprios governantes brasileiros reconhecem que, em virtude da incidência de muitos crimes, os governos são obrigados a dedicar grandes somas às polícia e ao sistema judiciário. Melhor fariam, é claro, se pudessem colocar esses recursos para melhorar o atendimento educacional, oferecendo uma solução de raiz, que falta ao Brasil.

O exercício pleno da autoridade, que se tem omitido de forma lamentável, e uma ampla campanha de esclarecimento para a população brasileira, sobre o desarmamento, com os seguintes dizeres: Está na hora de mudar isso. A educação é o caminho, antes que o país afunde de vez na ignorância, miséria e violência. De outra forma, estaremos caminhando para o sacrifício de toda uma geração.

O governo deveria criar programas de visitas surpresa às famílias que possuem crianças, campanhas de educação e sensibilização, assim como políticas para limitar o acesso "muito fácil" às armas e às drogas poderiam ser eficazes para reduzir o nível de violência nas famílias e nas escolas. Dar prioridade à prevenção e de criar sistemas e serviços de proteção infantil facilmente acessíveis para as crianças.

Na família, na escola, as crianças costumam sofrer diversas agressões - violência física, verbal, humilhações ou ameaças - encobertas por justificativas disciplinares. No caso dos abusos sexuais, costumam ser cometidos por algum membro da família ou por pessoas próximas.

Como sobrevivemos nós a um cotidiano tão ameaçador para a vida? Que custo isso nos traz? Estes que morrem nas ruas, nas chacinas, nos assaltos, não são nossos parceiros de guerra?

Aceitar que a violência possa ser naturalizada é uma tentativa de diluir o terror que ela provoca, de se submeter aos seus efeitos, e de não se implicar com as possibilidades, mesmo pequenas, de sua transformação.

Que a violência aterrorize e que diante de uma cena assim todos pareçam dizer: "já que não é comigo não vou me meter", que a solidariedade desapareça por um risco de se expor a própria vida, a isso já nos acostumamos! Sob as vistas complacentes das autoridades e até mesmo de muita gente fina da nossa melhor sociedade, que acha tudo isso natural numa democracia.

O que pleiteiam os educadores e os homens de bom senso é a solução de base, ou seja, escola para todos – educação máxima – a fim de que não se tenha de chorar a impiedosa ação dos marginais, hoje os verdadeiros donos das ruas e favelas das nossas grandes metrópoles.

Os assaltos são sucessivos, não se tem garantia de nada, mata-se por qualquer bobagem. Na recente escalada de crimes cometidos no Brasil, nenhum massacre foi mais grave e sangrento do que esse de Realengo/RJ. Pela extensão, o espetáculo macabro avançou um patamar no rol de explosões periódicas de insanidade. Volta e meia, malucos saem atirando contra multidões. Movidos por convicções obscuras.

Adolescentes ou adultos desequilibrados, malucos com manias conspiratórias e outras anomalias não são, obviamente, exclusividade americana. Não se encontra em outros países, contudo, nada similar em termos de explosão gratuita de violência assassina.

Alguma coisa muito errada, maligna, se esconde nas entranhas da sociedade brasileira. Quando vem à tona, todo o mundo se pergunta como é possível que horrores assim ocorram num país como o Brasil.

Professores e colegas também não aquilataram o perigo, mas para isso pode haver uma explicação. No ambiente ferozmente competitivo das Escolas Públicas e Particulares, os alunos são virtualmente forçados a se agrupar de acordo com seu prestígio e seus talentos.

O previsível, porém, é que gente muito desajustada no Brasil e sempre consegue acesso desimpedido às armas de fogo. Prefiro fazer uma previsão tristemente óbvia: "Há um grande número de outros garotos por aí que estão acumulando ressentimentos dentro de si, e fora do nosso alcance". Ou seja: vai acontecer de novo.

(*) Nelson Valente é professor universitário, jornalista e escritor.

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Prezado Jornalista.
Como encobrir a desigualdade social,que separa valores morais de valores materiais. Como encobrir a falta de dignidade daqueles que vivem as margens da miseria humana,e daqueles que lucram com tais desigualdades!
a policia presta seu papel,apesar de suas limitações e dificuldades.As penitenciarias são verdadeiras universidades para o crime! Não podemos omitir nossa responsabilidade como cidadãos achando que somente o estado pode resolver todos os problemas! Quem consegue sobreviver com R$545,00,e ter dignidade!! O trafico ~e o caminho que muitos se declinam acreditando ser a solução que os separam de uma vida digna e que lhes tragam oportunidades de vencer o medo e a rejeição porque passam diariamente aos olhos da sociedade. Que por outro lado clama por justiça e paz social! Somos hipocritas em pensar que as ações do governo com bolsa escola,bolsa familia,possa mascarar a cruel realidade da violencia desenfreada que nos torna refens a cada dia!!! Temos que cuidar sim,do maior patrimonio que temos!!! Nossas vidas!!! Ja que não podemos mudar,vamos nos armar!!! Chumbo trocado não doi!!!
 
Marcelo Nassif em 14/04/2011 11:50:19
Seria bom desarmar os bandidos...
 
valmir Nogueira em 14/04/2011 11:39:06
Proibir o cidadão de bem ter uma arma de fogo, só vai fazer os bandidos mais ousados.
Será que as autoridades não sabem que a maioria das armas utilizadas em crimes são de procediencia clandestina, ou seja, do Paraguai.
Civis não podem comprar fuzis. E ai como explicar o tanto de fuzis nas favelas do Rio e São Paulo.
O que tem que ser feito senhores cabeças pensantes do auto escalão dos governos: É uma politica de maior controle das nossas fronteiras por onde entram todas as arma ilegais existentes neste paìs. Cidadão de bme para comprar uma arma voces não imaginam o tamanho da burocracia, imagina se esse cidadão depois disto vai sair por ai cometnedo crime.
Acordem Brasileiros.....Essa campanha de desarmamento ta querendo desviar o foco de mais algum escandalo que tá por vir na nossa polítca.
 
Antonio Pereira em 14/04/2011 11:19:24
Desarmar a população não vai adiantar. Não vai mudar em nada a ação dos bandidos, visto que as armas que eles utilizam vêm de países vizinhos, tais como, Paraguai e Bolívia, entre outros. Isso já é de conhecimento das autoridades que atuam no combate ao crime. Ainda que mencionem que algumas armas usadas em crimes são furtadas de pessoas "de bem", os números mostram que, comparando-se com as armas de origem clandestina (Paraguai e Bolívia), são insignificantes. Se quiserem mesmo reduzir a circulação de armas no País, então, que promovam uma força-tarefa conjunta e permanente, envolvendo as forças armadas, polícias federal, civil e militar para atuarem nas fronteiras "secas", como por exemplo, em Ponta Porã, Bela Vista etc. Em síntese, "bandidos" não compram armas em lojas, adquirem clandestinamente (Paraguai e Bolívia, entre outros). Civis ou pessoas "de bem" para adquirir uma arma, é demasiadamente difícil, visto que o estatuto do desarmamento é rigoroso, pois há diversos requisitos que impedem a livre circulação. Tudo é autorizado pela polícia Federal, então, é suficiente. Penso que este assunto tem motivação política, e não técnica, pois, se fosse técnica, sequer começaria tal discussão. Fábio Garcete. Advogado.
 
Fábio Garcete de Almeida em 14/04/2011 02:37:54
Boa tarde! Bem sabemos da problemática que estamos vivendo hoje fruto da corrupção do passado e fruto da desigualdade social, enquanto poucos dominam o País e os restantes ficam aplaudindo aqueles aos quais os jogam a mercê do inferno, quanto tempo já se passaram e todos irão concertar e nada é feito, que UTOPIA! primeiramente de quem é a responsabilidade de usar armas? primeiro é a policia, será que como as pessoas ou os traficantes e bandidos conseguem as mesmas sendo que é de cunho da policia? O plebiscito de votar quem pode e quem não pode, está furado, já fizeram e o que aconteceu? Só aumentaram o uso das armas e agora será que vai continuar a mesma ou até ser pior, devemos adotar uma política mais radical inserir no País uma reviravolta de igualdade social tirando todos aqueles que se encontram no "inferno" massacrar ou matando todos os bandidos e traficantes e tornando mais flexível as penitenciárias insistindo na EDUCAÇÃO e par aqueles casos bruscos a PENA DE MORTE, e nem queriam recorrer aos direitos humanos porque esse está mais perdido do que a sociedade inteira...Não ameniza mas irá coibir e até inibir quem pretender ou ter a intenção de cometer algum delito de natureza gravíssima...
 
MARCELO BEZERRA DO NASCIMENTO em 14/04/2011 02:21:59
Ótimo seria se o governo conseguisse desarmar o povo, não esquecendo dos bandidos, desarmar também os policiais, pois se ninguém tem arma, não haveria necessidade de policial armado.
 
Teofilo Fernandes em 14/04/2011 02:04:21
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