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03/05/2014 14:08

Difícil situação

Por Luiz Gonzaga Bertelli (*)

A educação é a propulsora do desenvolvimento. Atua não só no coletivo como está intrinsecamente ligada à construção do próprio indivíduo. Para o educador Paulo Freire, é o único caminho para a transformação da sociedade. Quanto mais as pessoas estudarem, mais oportunidades terão no mercado de trabalho. Alguém que conclui um curso de pós-graduação tem 422% mais chances de conseguir um emprego do que uma pessoa analfabeta, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Uma boa educação também melhora as condições econômicas de um país, pois os indivíduos consumem mais e dependem bem menos das políticas sociais. A educação é capaz, ainda, de diminuir os índices de violência, promovendo a igualdade social.

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Apesar das benesses, a cada estatística anunciada, uma decepção quanto à qualidade de ensino. Em São Paulo, o estado mais rico da federação, quatro em cada dez alunos chegaram ao fim do ensino médio na rede estadual sabendo menos do que o básico em língua portuguesa, segundo os índices de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo. Os resultados são analisados a partir da pontuação dos alunos nas provas de português e matemática do Saresp, que foram medidos em quatro níveis: abaixo do básico, básico, adequado e avançado. A proporção de alunos que ficaram no pior nível aumentou em 2013, em relação ao ano anterior: 39,6% contra 34,4%. Em matemática, o índice dos estudantes no nível mais baixo caiu, mas continua em um patamar altíssimo: de 55,8% em 2012 para 55% em 2013. No Brasil, o cenário é similar como mostra os dados do Pisa: entre 65 nações, o país está em 55.° lugar em leitura; 58.° em matemática e 59.° em ciências.

A situação compromete a inserção dos jovens no mercado de trabalho. A dificuldade para fazer contas e interpretar textos básicos pode barrar o sonho de um emprego. O CIEE, atento às necessidades na formação dos jovens para o mercado de trabalho, oferece 37 cursos gratuitos de educação à distância, com o objetivo de melhorar a empregabilidade da juventude. O programa Aprendiz Legal, desenvolvido em parceria com a Fundação Roberto Marinho, também busca o aprimoramento da formação, por meio de aulas teóricas específicas para cada modalidade. São saídas que o Terceiro Setor disponibiliza para amenizar a escuridão no túnel, a curto e médio prazos.

(*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.

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