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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

16/01/2014 09:33

Do “rolezinho” ao desmoronamento do país

Por Luiz Flávio Gomes (*)

O que parecia uma simples brincadeira de jovens marginalizados da periferia (uma simples farra para “catar umas minas” e encontrar uns “parças” - parceiros) já está se convertendo numa grande manifestação nacional. Recordemos: nenhum incêndio começa grande. A onda dos “rolezinhos”, em pleno verão quente, está pegando forte em todo país. E assim será por longo período, porque a conta, do Brasil extremamente injusto e institucionalmente degenerado, está chegando. Nenhuma dor ou sofrimento dura eternamente. O processo de abolição da escravatura ainda não terminou. Acendeu a luz amarela do palácio do Planalto, que já pressentiu que as ondinhas da periferia podem se transformar num grande maremoto.

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O discurso indignado das novas convocações nas redes sociais, nas últimas horas, mudou de coloração e aponta alvos certos: “Contra toda forma de opressão a pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar no Brasil” (essa é a chamada de Porto Alegre e do Rio de Janeiro). Se os “black blocs” pegarem carona no “bonde do rolê”, o país inteiro pode se transformar num campo de guerra (em ano efervescente de Copa do Mundo e eleições).

A razão? O queijo social classista, racista e discriminatório brasileiro conta com muitos furos. As elites burguesas políticas, econômicas, jurídicas e sociais, que sempre taparam seus narizes para a podridão da construção degenerada do nosso país exorbitantemente desigual, não querem sequer enxergar que estão desmoronando o próprio capitalismo, que é o pior de todos os regimes econômicos, com exceção dos demais. O capitalismo, quando conduzido por elites tacanhas e pouco inteligentes, que só pensam nelas, converte-se em uma bomba-relógio, que um dia explode. Esse dia está chegando para o Brasil, desde as manifestações de junho/13. Os burgueses dominantes (e governantes) precisam se conscientizar de que não dá mais para sustentar nosso aberrante apartheid socioeconômico. “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo” (Abraham Lincoln).

Por que os “rolezinhos” começaram nas periferias? Porque é nelas que estão segregadas as classes sociais dominadas, cada vez mais desesperançadas. Em cada momento vão minguando suas expectativas de alcançarem qualquer novo progresso individual e social, por falta, sobretudo, dos capitais econômico, cultural e social (que são os que realmente criam os privilégios distintivos de classe). Veja o que está ocorrendo com o Enem, um exame nacional de cartas marcadas em favor das classes privilegiadas, A e B. É impossível um aluno de escola pública desqualificada competir em pé de igualdade com os “de cima”. A meritocracia injusta reproduz nosso modelo de sociedade que padece da grave doença da desigualdade crônica.

(*) Luiz Flávio Gomes, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Estou no professorLFG.com.br

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Não existe coerência no socialismo,pois a igualdade entre as pessoas é criada de uma maneira artificial,forjada,o que contradiz drasticamente com a natureza humana.O que deve ser disponibilizado a todos, sem exceção, são as oportunidades de educação,de emprego,vai de cada um agarrar ou não!Viva a liberdade...Viva a democracia!!!
 
gladis alaia em 18/01/2014 14:36:26
"às pessoas que de uma forma ou de outra conseguiram uma melhor condição de vida." Espoliando os recursos naturais e a força de trabalho do ser humano.
"Há ricos pobres de espírito e pobres ricos de espírito." Mas na mesa ainda falta comida e o estomago ainda está vazio.
O discurso da direita não se sustenta si mesmo. Não há coerência no liberalismo.
Te cuida, capitalista. A América Latina vai ser toda socialista!
 
Henrique Nascimento em 17/01/2014 11:03:55
Meritocracia NUNCA é injusta, pois é uma forma de reconhecimento do esforço do indivíduo. O aluno egresso da escola pública, que demonstra uma diferença abissal de preparo com relação ao aluno da escola privada está pagando pela falta de consciência dos cidadãos que não sabem votar e que, de forma indireta, são responsáveis pela péssima qualidade dos serviços públicos. Trocam seus votos por esmolas e pagam caro por isso.
 
Paulo Amaral em 16/01/2014 15:29:36
O sr. Luiz Flávio Gomes foi infeliz em tentar imputar a culpa do abismo social às pessoas que de uma forma ou de outra conseguiram uma melhor condição de vida.
Infeliz em afirmar que o ENEM é um exame de cartas marcadas para as classes A e B. Há, sim, indícios de que a correção seja tendenciosa aos alunos de escolas públicas, identificados pelos números diferenciados de inscrição, como uma forma de tentar esconder a deficiência crônica do ensino público.
Os cidadãos das classes A, B e C, pagam DUAS vezes para ter serviços como educação, saúde e segurança pública, pois são impelidos a contratar escolas particulares, planos de saúde e empresas de vigilância, pois o Estado espoliador não devolve os impostos aos cidadãos (de qualquer classe) sob a forma de serviços públicos decentes.
 
Paulo Amaral em 16/01/2014 15:26:26
Boa Mirian!!"Pode-se enganar a todos por algum tempo;pode-se enganar alguns por todo tempo;mas não se pode enganar a todos todo tempo",inclusive não se pode apoderar de frases e inverter todo o seu sentido...Fora esquerda!!!!!!!!!!!!!!!
 
gladis alaia em 16/01/2014 14:38:50
Há ricos pobres de espírito e pobres ricos de espírito. Não se pode generalizar mas as vezes os primeiros, dominados pelo egoísmo e ganância se recusam a partilhar mesmo uma pequena parte de sua capacidade de trabalho, seus recursos, sua criatividade para ajudar de alguma forma os menos favorecidos, afinal tudo foi conseguido com muito sacrifício e trabalho e todo mundo tem seus problemas. Já os pobres ricos de espírito, com todas as dificuldades do mundo, agarram-se com unhas e dentes às oportunidades de estudo e trabalho, querem crescer em todos os sentidos, não têm tempo para "rolezinho" e bailes funk ou mesmo ficar inventando revoluções para resolver problemas que dependem de mudança de atitude e pensamento deles mesmo. Os exemplos estão aos montes por aí, basta reparar.
 
Paulo Lemos em 16/01/2014 11:36:14
Nossa, pura verdade, até porque os escombros do socialismo que ainda dão as caras pela terra são um sucesso absoluto. Cuba manda beijo no ombro de tanta felicidade e a "socialização" informal da nossa América, com líderes boquirrotos e países que sequer papel higiênico têm e essa não é a pior miséria, é outra maravilha de fórmula de sucesso. Gente cega, obtusa, que faz questão de criar luta onde não existe e que espalha morte, baderna e desgraça por onde passa e toca. A paralaxe cognitiva dessa gente já não matou pessoas demais não?
 
Mirian Costa em 16/01/2014 10:21:02
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