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Campo Grande, Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

15/05/2015 08:11

É preciso mudar

Por Ricardo Ayache (*)

À medida que se aproxima o pleito municipal em Campo Grande surpreende a grande proliferação de nomes que se colocam como candidatos e a ausência de uma discussão mais profunda sobre o que se pretende para a cidade nos próximos anos. Acreditamos que os pretendentes ao Paço devam esclarecer à população quais são os seus projetos e discutir com a cidade a maneira de viabilizar essas propostas.

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Por enquanto, nenhum partido ou grupo político se posiciona claramente sobre os grandes problemas da cidade e sobre as perspectivas futuras da nossa capital. Não estão claros os projetos para geração de renda, para a mobilidade urbana, para a gestão ambiental, saúde e educação e, obviamente, os necessários ajustes fiscais e financeiros que a administração pública reclama nesse momento de descontrole das contas do município.

Na antiga Grécia, Aristóteles já dizia que “o objeto principal da política é criar a amizade entre os membros da cidade”. Para tanto, é necessária uma ampla mobilização dos mais importantes setores da cidade como os movimentos sociais, empresários, a academia e as comunidades para escrever uma política que se constitua como “o conjunto dos meios que permitam alcançar os efeitos desejados”, como nos ensinou o filósofo britânico, Bertrand Russel. Afinal, a finalidade da política não é a manutenção de grupos ou nomes, mas a defesa do interesse coletivo, numa cidade de todos.

Defendemos uma política de interlocução com o cidadão, que possibilite uma forma de fazer política diferente do quadro atual. As recentes mobilizações da sociedade, sobretudo as de junho de 2013 que centravam a questão da oferta de serviços públicos, já deixaram claro que o modelo atual, onde interesses particulares se sobrepõem aos coletivos, está esgotado. Os políticos e gestores devem estar atentos aos diferentes anseios da população. Devem buscar mediar os conflitos existentes na sociedade de forma transparente, democrática e sustentável. A sociedade já não aceita mais que o vazio de ideias e projetos para a cidade seja substituído por esses embates pessoais, onde a individualidade é determinante em detrimento de valores como a ampliação de direitos, a ideia de uma vida melhor para todos e o espírito público.

O que deve permear o debate da política em nossa cidade são os assuntos que afligem a nossa população. É ocupar o imaginário da cidade com aquilo que fala ao campo-grandense no seu dia a dia. É a casa, o posto de saúde, a creche e o asfalto, mas também a cultura, o modelo de uma cidade inclusiva, justa e ambientalmente sustentável onde seja possível o exercício dos direitos do cidadão. Ao ampliarmos o debate de ideais, construiremos o futuro que queremos para Campo Grande.

(*) Ricardo Ayache, médico cardiologista e presidente da CASSEMS

 

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