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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

29/04/2011 10:56

Economia colaborativa

Por Hugo Eduardo Meza Pinto e Marcus Eduardo de Oliveira (*)

Em decorrência do avançadíssimo processo tecnológico que vivenciamos, cujas expressões mais significativas talvez ocorram nos campos da medicina, cibernética, robótica e, principalmente, na informática, uma nova situação se irrompe com clareza para a ciência econômica e, em especial, para o conhecimento em geral. Em termos de conhecimento/aprendizagem a pergunta mais pertinente talvez seja a de como se adaptar rapidamente ao avanço das ferramentas que cercam a informática, em especial a mais usada delas: a rede internet e toda sua gama de opções.

Nesse pormenor, é ilustrativo resgatarmos a opinião de Don Tapscott, autor de “Wikinomics” que pontua com firmeza que “a internet não é uma nova forma de conhecimento e sim uma ferramenta que deverá mudar a nossa forma de adquirir conhecimento”. A economia, assim como todas as outras ciências, precisa estar adaptada a essa nova mudança. Um grande desafio que se vislumbra é fazer com que nossa economia esteja toda ela baseada no conhecimento, sendo mais dinâmica e competitiva, garantindo crescimento sustentado, gerando empregos de qualidade, distribuindo a renda, assegurando coesão social.

Nesse sentido, o MCT – Ministério de Ciência e Tecnologia, pasta dirigida pelo professor Aloizio Mercadante, envereda esforços para adotar a “Estratégia de Lisboa” - documento divulgado em 2000 que contém as principais diretrizes da União Européia voltadas para a Ciência, Tecnologia e Inovação.

Nessa mesma linha de defesa, fazendo da economia uma nova base pautada no conhecimento e na colaboração, somos partidários com Tapscott, pois, assim como ele, entendemos que o conhecimento hoje tem sido facilmente gerado e está à disposição de muito mais gente na atualidade do que há 30 anos.

A facilidade de acesso às informações somente foram (e tem sido) facilitadas tendo em vista que a rede internet pode se infiltrar em todos os segmentos populacionais.

Embora ainda haja certas restrições de acesso à rede, mesmo restrição de ordem orçamentária, é fato inconteste que uma infinidade maior de pessoas fazem uso diariamente do “conteúdo” disponibilizado pela rede. Mesmo as relações humanas, saindo um pouco do espectro informal, já contam com uma participação invejável. O Facebook, página de relacionamento social, por exemplo, já conta com mais de meio bilhão de usuários espalhados pelo mundo.

O grande problema que notamos, no entanto, em se tratando da rede internet, é o excesso de informação (curiosamente, antes era a falta disso). Nesse contexto, aprender requer então maior e melhor poder de concentração e capacidade de filtrar, sistematicamente, a abundante informação que se encontra disponível.

Entendemos que a grande questão que se coloca é como fazer para conseguir-se um bom e adequado conhecimento usando a internet? Acreditamos que se faz necessário repensar as metodologias de ensino e de aprendizagem. Para isso, os pedagogos, em especial, serão imprescindíveis.

O fato é que a linguagem deixou de ser plana, agora é hiper-textual. Nesse sentido, é ilógico pensar que os livros digitais não serão o sucesso que, por exemplo, a música digital alcançou. Disso decorre a necessidade de se repensar, pormenorizadamente, a “construção” de uma economia colaborativa.

O queremos dizer com economia colaborativa? Seria simplesmente a capacidade de várias pessoas construirem conhecimento mesmo que essas pessoas não se encontrem fisicamente num mesmo e único lugar; mesmo que estejam longes umas das outras. É a internet que propicia, sobremaneira, essa “aproximação”.

O Wikipédia, guardadas suas limitações e confiabilidade em certos textos e fontes, é um ilustrativo e excelente exemplo disso. Não estranhemos se, em breve, essa ferramenta se converter numa respeitada enciclopédia, superando as antigas e ainda famosas Barsa, Britânica e outras.

Outros bons exemplos de informações divulgadas em rede não param de acontecer. Em dezembro de 2006, um site sediado na Suíça publicava o seu primeiro documento sobre supostos acontecimentos que incriminavam governos de vários países.

Esse site, o WikiLeaks, nasceu com a perspectiva de divulgar acontecimentos sigilosos realizados pelos governos poderosos do mundo todo. O tom denuncista do WikiLeaks incriminava diretamente procedimentos que ora comprometem os direitos humanos ou ferem as práticas da diplomacia internacional. Porém, qual seria a fonte de informações desse site?

Eminentemente os dados provem dos mesmos organismos que executam essas ações, só que são divulgadas de forma sigilosa e tem a intenção colaborativa de disseminar informações a todos. Nenhuma noticia foi, até agora, desmentida. Cada vez que o site publica alguma nota, a imprensa mundial repercute esses acontecimentos. A credibilidade do WikiLeaks é elevada e incomoda muita gente.

Não por acaso, seu principal fundador, o australiano Julian Assange está sendo processado sob a acusação de crime sexual, numa tentativa pífia de silenciá-lo. Só que o efeito é o contrário: quanto mais os incomodados batem, mais populariza o site. A viabilidade econômica do WikiLeaks também é realizada de forma colaborativa. Qualquer pessoa pode doar recursos para a causa.

Com os serviços prestados pelo site de Assange, todos vão aos poucos tomando conhecimento de informações outrora mantidas em sigilo absoluto. Inequivocamente, a rede Internet permite de bom grado esse “espírito colaborativo”, preservando a autoria e permitindo que o conhecimento seja tecido como se fosse uma teia de aranha. Porém, no lugar de uma aranha só, muitas seriam essas “aranhas” que cumpririam a função do conhecimento colaborativo dentro dessa idéia aqui denominada de “economia colaborativa”.

Contudo, é necessário ter ciência que, infelizmente, nem sempre as boas ações irão sempre aflorar. Para desespero de todos que sonhamos com um mundo melhor e mais fraterno, é mister pontuar que temos visto uma incrível capacidade do homem em fazer mal a seu semelhante. E também para isso o mau uso da rede internet tem sua parcela de colaboração. O triste caso de Realengo é uma amostra perversa desse conhecimento colaborativo tecido no sentido da “destruição”.

O ex-aluno Wellington Oliveira tinha informações diversas sobre Bullying e sobre como fazer bombas. Além disso, pelas informações já fartamente divulgadas, sabemos que idolatrava histórias de atentados, principalmente as do “11 de setembro”. Wellington chamava de irmãos outros assassinos de estudantes. Enfim, tinha pleno conhecimento para realizar suas motivações psicopatas.

Esse mesmo perfil é também o de outros matadores que nessas últimas duas décadas tem surgido de forma pontual. A principal fonte de informações desses matadores, em geral, tem sido a rede internet. Sabe-se que o matador de Realengo passava horas na internet tecendo o final da teia de aranha do conhecimento do mal que teve como resultado o lamentável assassinato de doze crianças.

Diante disso, cabe profunda reflexão: como os agentes envolvidos com educação, por exemplo, estão se comportando diante dessas iminentes possibilidades perversas? Será que as novas práticas pedagógicas estão sendo adaptadas a encarar esse contexto? Como pode também a economia, a seu turno, se adaptar frente a essa realidade? Essas são perguntas que ainda levarão certo tempo a serem prontamente respondidas.

De nossa parte, fazemos votos que a economia colaborativa venha com força total para aquilo que de fato urge em termos de resgate social, qual seja, aplainar os caminhos para a construção de uma sociedade mais igual e menos perversa.

(*) Hugo Eduardo Meza Pinto é economista, diretor geral das Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba e Marcus Eduardo de Oliveira é professor de Economia da FAC-FITO e do UNIFIEO (São Paulo).

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