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15/01/2013 14:32

Economia verde e economia solidária e a Rio+20

Por Laerte Tetila (*)

Na Conferência Mundial Rio + 20, um dos temas-chave foi o da "Economia Verde", definido, pelas Nações Unidas, como sendo "uma economia que resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e em igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz, significativamente, riscos ambientais e escassez ecológica". Argumentos não faltaram em sua defesa.
Para uns, ela ganha importância por levar em conta os conceitos do desenvolvimento sustentável, conceitos esses que estimularão as empresas a adotarem práticas sociais justas, inclusivas, que demandem a erradicação da pobreza.
Práticas ambientalmente responsáveis, corretas, que reduzam os desequilíbrios ecológicos, fazendo frente à vasta contaminação dos ecossistemas, à redução da biodiversidade, às mudanças climáticas e que seja capaz de manter o crescimento econômico.

E, nessa perspectiva, conforme as Nações Unidas, "a transição para uma economia verde resultaria em taxas superiores de crescimento global do PIB e do nível de empregos, num cenário de médio e longo prazo”.

E no centro das discussões como reverter as tendências planetárias da poluição atmosférica, do aquecimento global, da poluição hídrica (rios, lagos e oceanos), de reduções, como da camada de ozônio, das calotas polares, dos glaciais, da biodiversidade e dos recursos naturais.

E, como pauta a ser cumprida, as tarefas, como redução dos combustíveis fósseis (gasolina, diesel e carvão); mudança progressiva para fontes de energia limpa e renovável (solar , eólica, geotérmica, das marés e orgânicas); tratamento adequado do lixo, com sistemas eficientes de reciclagem; investimentos em silvicultura, piscicultura, turismo responsável, saneamento básico, recuperação de áreas degradadas, dentre outras.

Nessa Conferência Internacional, enquanto alguns renomados palestrantes acreditavam que a Economia Verde pudesse ser encaixada ao conceito de sustentabilidade, outros, porém, como ambientalistas e lideranças dos movimentos sociais - representantes da Cúpula dos Povos, acabaram por rejeitar tal idéia, alegando uma crise de confiança.

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Para eles, o esverdeamento da economia não trará mudanças substantivas no modelo econômico, que, por buscar, como sempre o fez, o crescimento ilimitado e infinito, não tem como respeitar os limites físicos da natureza, limites que não podem ser ultrapassados, sob pena de colocar em risco todos os habitantes do planeta.

Criticaram, enfim, ao que se chamou de transição para uma Economia Verde, defendida pelos representantes dos países ricos, alegando que a "transição verde" não terá como superar as grandes crises socioambientais que aí estão, por não questionar os fundamentos da economia vigente, por não tocar em questões cruciais, como o produtivismo e o consumismo - raízes do crescimento predatório e da escassez ecológica.

Ocorre que, em todos os continentes e países, crescem iniciativas econômicas e sociais que, utilizando-se de algumas ferramentas do próprio capitalismo, vêm construindo um modelo de economia alternativo, que organiza a produção, a distribuição e o consumo, com base em tecnologias sociais, criando um universo paralelo de produtos, que vêm satisfazendo necessidades básicas das pessoas, a partir de saberes populares, de forma simples, de baixo custo, gerando milhares de empregos e renda, no campo e nas cidades.

Trata-se da Economia Solidária, centrada na agroecologia, na microempresa, nas incubadoras, no microcrédito, nas moedas sociais, nos pontos de cultura, nas rádios comunitárias, no intercâmbio de produtos e serviços, na participação cidadã no desenvolvimento local e com rigoroso foco na preservação ambiental.

Contudo, para Hélio Mattar (2012), “nós avançamos na direção de uma economia mais verde”.
“O problema é que, na essência, nada mudou...". Já, na opinião do renomado mestre da USP, Paul Singer ( 2012), "a Economia Solidária é o melhor modelo de desenvolvimento, até agora..." Em todo o mundo, a Economia Solidária não para de crescer. No Brasil, ela já responde por uma movimentação financeira de oito bilhões de reais/ano, conforme a Secretaria Nacional de Economia Solidária.

*Mestre em Geografia Física pela USP, deputado estadual/PT e membro da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa - MS.

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Entendo o ponto de vista dos ambientalistas em relação a desconfiança gerada por mais essa ideia, temos muitos exemplos de receitas infalíveis que nunca deram certo, contudo o quadro atual nos mostra que sobra pouco tempo para tomar-mos alguma atitude, o que não consigo aceitar é que ao invés de apenas criticar, ignorar ou repudiar, por que não adequar as necessidades que criamos ao que temos, ou reformular aquilo que não consideramos adequado?
 
maria silva em 22/01/2013 16:50:12
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