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21/07/2014 14:30

Educação: Propostas e Reflexões

Por Rafael Rossi (*)

Muito se tem falado e discutido nos últimos anos sobre o papel e interferência da Educação no desenvolvimento de um país e na consolidação da democracia e da cidadania. Desde agentes que defendem a interferência da iniciativa privada na educação formal pública até movimentos de educação popular que defendem autonomia de gestão e organização pedagógica, uma ampla gama de sujeitos, coletivos, entidades e corporações vêm ratificando o peso estratégico da dimensão educacional nos limiares de uma “nação forte”.

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Entretanto, apesar da relevância e profundidade que este debate exige é de extrema premência que repensemos toda rede de influências e vinculações que embasam as falas, discursos e práticas dessa diversidade de agentes. Afinal de contas, em tempos nossos de ofensivas ideológicas de globalização enquanto fábula (como nos explicava o geógrafo Milton Santos) fica cada vez mais nítida a constatação de que não basta somente saber ler e escrever em língua inglesa. Porém, não basta mais pra quê?

O mercado de trabalho cada vez mais competitivo e desigual exige um verdadeiro mar de informações, habilidades e “competências” que da mesma forma não se encontram disponíveis perante todos na sociedade. Apesar da ampla democratização da escola pública, advinda das pressões populares da década de 1980, o Brasil ainda é um país de uma enorme desigualdade entre oportunidades para crianças, jovens e adultos no quesito educacional em todas as suas modalidades.

Predominantemente podemos perceber duas vertentes bem difundidas e antagonicamente conflitivas sobre o rumo e a orientação desse panorama. Há os que defendem a parceria público-privada como mecanismo de ascensão social através de diversas e variadas iniciativas de garantir uma “educação profissional”, que garanta o “empreendedorismo” e estimule a formação para o trabalho e as competições das mais variadas ordens. Ao mesmo tempo, temos um esforço de pesquisadores, trabalhadores em geral e professores em exercício de todas as partes do país, defendendo o lema “Educação: direito nosso e dever do Estado!”. Nesta última vertente, defende-se o tratamento público da educação pública, com uma autonomia das escolas e dos educadores em construírem as “pontes” necessárias para o desempenho e a formação humana dos jovens e das crianças, se baseando assim numa formação humana, coletiva e pedagógica não com vistas unicamente ao mercado de trabalho, mas sim com a solidariedade, com a preocupação ambiental e com a apropriação dos conhecimentos artísticos, filosóficos, culturais e científicos acumulados ao longo da História.

Muitas vezes essas duas vertentes não estão claras em nosso dia-a-dia. Contudo é preciso estar atentos para a formação dos professores, os materiais didáticos utilizados, a proposta político e pedagógica de nossas escolas, enfim, afirmar somente que a educação é importante pode até ser um caminho interessante, mas é preciso questionar: Importante de que modo e para quem? Até quando continuaremos aceitando como “normal” filhos da classe trabalhadora serem direcionados para cursos técnicos enquanto uma minoria ainda desfruta da universidade pública e dos cursos tradicionais como direito, medicina, arquitetura, engenharia etc?

Lutar pela educação é uma tarefa muito grande, pois envolve uma série de outras articulações e direitos igualmente necessários em serem debatidos como o direito à habitação, ao trabalho, à saúde... Educação não deve ser sinônimo de “adestramento” mesmo que isso seja muito bem disfarçado. Escolas devem ser, como nos lembra Rubem Alves, lugares para proporcionar o voo e não gaiolas, pois "há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para pássaros desaprenderem a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle, deixaram de ser pássaros porque a essência dos pássaros é o voo".

(*) Rafael Rossi, docente do curso de Licenciatura em Educação do Campo na UFMS em Campo Grande – MS.
E-mail: r.rossi@ufms.br

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