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06/04/2014 13:18

EJA e a arte de educar jovens e adultos

Por Maria Angela Diaféria (*)

A andragogia, do grego (“andros” – adulto e “gogos” – educar) se constitui como a ciência voltada ao ensino de adultos. Ao se pensar em educação de adultos, precisamos ter como princípio a ideia de que algumas particularidades precisam ser respeitadas e, por essa razão, o currículo deve ser pensado em função das necessidades deste perfil singular de estudante.

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Diferentemente dos usuais métodos de ensino às crianças, os jovens e adultos tendem a aprender algo quando esse conhecimento se associa a uma necessidade e função conectadas a sua realidade, de forma que os conteúdos tratados em sala de aula precisam estar relacionados a temas significativos da vida social e profissional destes alunos. É imprescindível, portanto, que as aulas estejam baseadas e pautadas em experiências concretas e funcionais interligadas à vivência do grupo.

A pergunta “isto serve para quê?” deve estar sempre em evidência no planejamento do professor e permear o dia a dia do educando. Torna-se função do educador, assim, provocar transformações nestes alunos, a partir do conhecimento (saber) que será transmitido, associado às habilidades (saber fazer) intrínsecas deste conhecimento e por meio de atitudes (querer fazer) do educador e do próprio educando.

Esse é o grande desafio da educação: agregar valor ao que se propõe a ensinar, sem deixar de cumprir as exigências competitivas do mercado de trabalho.

O modelo andragógico, nesse viés, possui os seguintes princípios básicos:

1. Saber justificado: adultos precisam saber por que precisam aprender algo e qual o ganho que obterão nesse processo. Ainda, o aprendizado é mais bem aproveitado e retido quando os conceitos apresentados são bem contextualizados, demonstrando sua aplicação prática e sua utilidade.

2. Novo conceito de aprendiz: adultos são responsáveis por suas decisões e por sua vida, portanto, querem ser vistos e tratados pelos outros como capazes de se autodirigir.

3. Aprendizado e realidade: para o adulto, suas experiências são a base de seu aprendizado. As técnicas que aproveitam essa amplitude de diferenças individuais e sociais, relacionando, inclusive, o aprendizado em sala de aula com situações reais do dia a dia do educando, se mostram mais eficazes.

4. Motivação para aprender: adultos mais motivados a aprender em decorrência de fatores externos, como melhores oportunidades de trabalho e salários, mas também devido a valores intrínsecos, como autoestima, reconhecimento pessoal, autoconfiança, entre outros.

Dessa forma, acabou-se o tempo em que a educação de adultos visava apenas ensinar o aluno a ler e a escrever. Atualmente, ela está voltada à formação de agentes transformadores, críticos e aptos a ingressar ou se sobressair na vida profissional.

O adulto chega à escola trazendo um sonho, tal qual o de ser reconhecido pelo o que já sabe, e, em contrapartida, tem consciência do que ainda não sabe. Essa é uma importante ambiguidade do trabalho do professor na EJA, cuja atuação deverá se focar no resgate deste sonho, procurando trazê-lo à realidade, enquanto orienta o educando na busca por sua excelência educacional.

Vale mencionar a lição de Paulo Freire, presente no livro Pedagogia da Tolerância, coletânea de reflexões organizada por Ana Maria Araújo Freira (2004, p. 206), no qual ele afirma que “não é possível sonhar e realizar o sonho se não se comunga este sonho com outras pessoas.”

Deve o professor da EJA, de tal modo, incentivar seus alunos a investir em si mesmos e a buscar seus sonhos, alcançando por meio desta união o resultado prático de suas idealizações, formando o aluno como ser humano tanto quanto profissional.

Por estes motivos, ressalto que enquanto a escola prepara a criança para o futuro, na EJA a escola prepara o adulto para o presente, oportunizando diminuir a distância entre o que o adulto espera aprender na escola e o que a escola oferece de aprendizado para este adulto. Ao mesmo tempo, a EJA procura traduzir para a realidade social deste indivíduo o que ele espera de seu ambiente educacional e social, em contraste com o que a sociedade e o mercado de trabalho buscam deste profissional.

(*) Maria Angela Diaféria é assessora pedagógica da Editora FTD.

 

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