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04/12/2014 09:45

Ensinando com Shakespeare

Por Ronaldo Mota (*)

Nascido na Inglaterra em 1564 e tendo vivido até 1616, Willian Shakespeare foi contemporâneo da descoberta do Brasil pelos portugueses em 1500. Raros deixariam de citá-lo como maior poeta e dramaturgo de todos os tempos no idioma inglês, bem como entre aqueles poucos que decifraram de forma tão profunda a alma humana, tendo escrito peças que capturaram de forma completa as emoções associadas aos eternos conflitos humanos.

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Shakespeare, sendo eterno e universal, pode ser muito útil ao processo ensino-aprendizagem, especialmente no Brasil atual. No Reino Unido, a Royal Shakespeare Company, baseada em sua terra natal, Stratford-upon-Avon, desenvolve programas educacionais com resultados surpreendentes, especialmente como estímulo à criatividade na educação básica. Mas há algo mais no que diz respeito às metodologias educacionais, indo além dessa iniciativa, e que tem motivado abordagens inovadoras e plenamente compatíveis com o mundo contemporâneo.

Shakespeare escreveu mais de 30 peças teatrais sobre temas e ambientes os mais variados, tendo um ponto em comum em todas elas: não há mocinhos e bandidos; ao contrário, os anjos e demônios habitam e influenciam cada um de seus personagens. Tal característica propicia um conjunto de experiências educacionais inovadoras e transformadoras. A relativização do bem e do mal extremos ajuda na construção do caráter do educando, especialmente naquilo que a educação pode contribuir no complexo processo de formar cidadãos, colaborando em moldar comportamentos e hábitos.

Um exemplo de procedimento educacional com tal inspiração seria adotar na abordagem de temas complexos e polarizadores uma metodologia que explorasse extremos ao avesso para estimular tolerância e combater intransigência. A título de ilustração, o tema aborto (ou política), que, em geral divide ao meio opiniões, permitiria ser tratado de tal forma que os estudantes que tendem a discordar do aborto apresentassem os argumentos consistentes que justificam ser a favor. Da mesma forma, caberia ao grupo de alunos que tende a reprovar o aborto explicar os mais plausíveis raciocínios e circunstâncias específicas que levassem a admiti-lo. Tal abordagem não tem nenhuma intenção de demover alguém de sua convicção, mas, sim, de propiciar a vivência de raciocínios e caminhos que levem a posições distintas das suas.

Ao longo desses exercícios educacionais, o educando percebe que a imensa maioria dos assuntos que dividem a sociedade permite múltiplos, legítimos e consistentes enfoques que levam, eventualmente, a posicionamentos finais bastante divergentes. Ou seja, por mais que alguém esteja convicto de algo, é respeitável que, à luz de argumentos diversos, chegue a conclusões bastante diferentes da sua. E isso não o faz mais certo ou menos errado, mas certamente o torna alguém mais tolerante, flexível, menos intransigente e mais bem preparado para enfrentar, de forma saudável, o mundo contemporâneo.

(*) Ronaldo Mota é reitor da Universidade Estácio de Sá e professor titular aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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