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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

05/11/2016 09:03

Escola e família no percurso da educação

Por Tatiana Djrdjrjan (*)

A divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) reforça a preocupação em relação à Educação no País, mas, de maneira geral, traz dados que não causam surpresa. Os números reafirmam questões que já estão em debate como financiamento, currículo, formação de professores e por aí segue. Entretanto, vamos nos ater ao princípio de tudo: a relação entre escola, família e comunidade para o desenvolvimento integral de crianças e jovens.

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Ao iniciar sua vida escolar, o aluno traz consigo uma bagagem educacional que acumulou ao longo dos seus primeiros anos de vida, tanto em casa como em seus mais diversos ambientes de convívio social. A escola é mais um importante estágio nesse percurso, quando a atuação de profissionais especializados se soma ao contexto familiar. Zelar pela qualidade dessa relação é um desafio que traz responsabilidades a todos os envolvidos, inclusive poder público, para que seja dada a devida importância aos estudos e ao sentido da educação como uma base estruturante, que traz benefícios para toda a vida.

Para fazer sentido, a educação precisa ser incorporada à rotina familiar como um valor e vivenciada cotidianamente por meio de ações simples como conversar com os alunos sobre suas atividades, ajudá-los nas tarefas de casa, arrumar o uniforme, garantir uma rotina de estudo. À escola, por sua vez, cabe assegurar espaços e estratégias de acolhimento das famílias, fazendo com que o diálogo com responsáveis e alunos ocorra com naturalidade.

Diversas pesquisas confirmam os benefícios da interação entre família e escola. Mas a pergunta é: quais fatores dessa intervenção podem contribuir para melhorar o desempenho dos alunos, e de que forma? Susan Sheridan, diretora do Centro de Pesquisa em Criança, Juventude, Família e Escola da Universidade de Nebraska-Lincoln, nos Estados Unidos, afirma que a atuação conjunta, desde que realizada com coerência e a devida continuidade, amplia a conexão de crianças e jovens com o aprendizado, melhorando o desempenho ao longo do tempo.

De acordo com o “Levantamento de estudos e avaliações sobre aproximações entre escola e família”, realizado pela Fundação Itaú Social, o envolvimento da família aumenta a percepção positiva dos alunos em relação à escola e aos estudos, além de ampliar a percepção dos responsáveis sobre a importância da formação de crianças e jovens, do acompanhamento e apoio ao seu progresso .

Em Goiás, o Programa Coordenadores de Pais vem sendo implementado em escolas das redes de ensino Fundamental II e Médio desde outubro de 2013. Em avaliação de impacto realizada recentemente, constatou-se aumento de 6% no envolvimento das famílias com a rotina de estudos, segundo a visão dos alunos. No período de um ano, houve ainda impacto positivo de 4% na percepção dos responsáveis sobre o acolhimento das escolas em relação às famílias.

Uma iniciativa da Fundação Itaú Social realizada em parceria com redes públicas de ensino, o Programa estimula a participação das famílias no cotidiano escolar. Com foco na criação de elos entre a escola, a família e a comunidade, o profissional que atua como Coordenador de Pais, em geral também um morador do bairro, desenvolve ações que auxiliam os responsáveis a acompanhar e apoiar melhor o aprendizado dos filhos. Em médio e longo prazos, os objetivos são a redução dos índices de absenteísmo, evasão e indisciplina, aumento da participação dos familiares nas atividades propostas pela escola e a construção de um ambiente mais acolhedor.

A avaliação realizada em Goiás, com a iniciativa ainda em estágio piloto, irá gerar subsídios para o aprimoramento das estratégias de aproximação família, escola e comunidade.

É importante que os programas de estímulo à aproximação entre escola e família considerem as especificidades da população de interesse (professores, alunos, pais e comunidade). Precisam incentivar a participação ativa e de forma conjunta da comunidade desde o desenho da ação, garantindo que esteja adequado às suas reais necessidades e que considere os principais obstáculos enfrentados por essa população.

(*) Tatiana Djrdjrjan é especialista em Educação da Fundação Itaú Social

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