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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

23/04/2011 11:22

Eu tenho dinheiro, isto vai dar em nada!

Por Jeovah de Moura Nunes (*)

Esta é a frase tradicional dos jovens ricos quando cometem escabrosos erros. Na maioria dos casos apenas pensam e nada dizem. Mas, nem todos têm a mesma característica e assim aconteceu de alguém falar o que sente, registrado em B.O. policial. Pelo menos foi sincero porque a sinceridade dos ricos não existe publicamente.

Quando um rico fala dá a impressão de ser um político falando. Talvez, motivado pelo choque emocional do acontecimento e ainda por cima ser um rico jovem, quebrando as regras milenares dos ricos em silenciar, porque sabem eles que o silêncio é “ouro” e falar jamais foi prata como quer o jargão popular.

Tal ocorrência foi na madrugada do dia 9 de julho, a data magna dos paulistas, os únicos no Brasil que tiveram a coragem de se revoltar contra os abusos de Getúlio Vargas em 1932. Um indivíduo abalroa, atropela quatro pessoas, mata duas e deixa uma terceira em estado grave e a quarta com ferimentos leves.

Mil e duzentos reais comprou a liberdade imediata do responsável pela vida de praticamente três pessoas, já que duas morreram e uma está entre a vida e a morte. Este é o valor do brasileiro vítima dos ricos, porque se fosse um pobre com seu carro tipo “lobisomem” estaria preso até o julgamento. Claro, o policial obedece a lei e a fiança é regulamentada pela lei. De repente o povão entende como se fosse uma “negociata”.

Consta no noticiário que o responsável pela tragédia negou-se a fornecer sangue para realização de exames laboratoriais. Certo, ninguém que se preze colaboraria para acusar a si próprio. Mas, fica a dúvida de que este ato também denuncia o indivíduo de estar realmente alcoolizado.

Nossas leis, incrivelmente cegas, não percebem que numa recusa em ceder sangue para análise, ou mesmo não fazer o teste do bafômetro é a prova cabal de que o indivíduo está alcoolizado. Caso contrário, se realmente não estivesse alcoolizado o indivíduo aceitaria com prazer a doação de sangue, ou o teste do bafômetro. Neste caso seria realmente um acidente e não causado por outro crime que é dirigir alcoolizado, ou atualmente drogado.

Os políticos e os ricos brasileiros são os “bons” em soltarem frases de efeito. Falam grosso quando estão por cima. Porém, quando entram numa fria falam fininho, mostram que sua fala não é pela boca e sim pelo dinheiro. Nos anos sessenta os réus em julgamento transformaram Auschwitz num idílio. Foram tal e qual o SS Pery Broad, único brasileiro filho de rico nazista em Auschwitz. Ele chicoteava judeus, arrancava as roupas de mulheres judias e as levava aos gritos e pontapés para o gaseamento. A função violenta casava-se com o machismo muito próprio do brasileiro.

Interrogado pelo juiz no tribunal de Frankfurt em 1965 o brasileiro disse que “as execuções eram legais desde que baseadas em sentenças proferidas em “julgamento sumário”. Durante todo o processo negou todas as acusações e acabou absolvido. Qual foi o segredo de Broad para ser absolvido? Com certeza soltou muito ouro roubado dos judeus. Também é assim no Brasil: nega-se tudo e se possuir dinheiro fica muito mais fácil. Tal situação não mudará porque os “lobbys” e os corporativismos querem o continuísmo da impunidade, já que os milionários, os endinheirados bem como os profissionais da bandidagem são os que apreciam burlar e desafiar a lei.

A punição só existe para os pobres, ou os rejeitados socialmente falando. No Brasil ninguém nunca ouviu falar que um rico foi preso e durante os dias na cadeia quase morreu de tanto apanhar. Com o pobre isto é foi comum desde o descobrimento, passando pelo caso dos irmãos Naves e a ditadura quando era uma eterna orgia de noite e de dia de gente apanhando de borracha, pauladas e sendo queimados por choques de até 220 volts.

Um verdadeiro Auschwitz brasileiro. Saponga, um bandido dos anos setenta, morreu na cadeia queimado que foi com máquina de solda. Naquela época não se falava em direitos humanos e sim em “Brasil, ame-o ou vá pra Punta del Leste!”. Não fui porque não tinha dinheiro. Não se pode amar um país ditatorial com carrascos federais em cada esquina. Possuir dinheiro sempre vai dar em nada porque todos nós morremos.

Não nos esqueçamos de que “não vai dar em nada” significa obviamente que vai dar em alguma coisa sim, senhor! Este “NÃO” muda totalmente o pensamento. Ele, o responsável pelo acidente disse o contrário do que pretendia dizer, ao querer aparecer como um rico, quando são eles, os rico, os responsáveis pelas piores tragédias brasileiras no que concerne a espoliação dos pobres com as benevolências dos governos federal, estadual e municipal, quase todos procedentes da riqueza. Nós, os pobres, somos os judeus enquanto a nata social e os governos têm a cara e a semelhança dos fascistas. Em terras brasilianas: fascistas tupiniquins.

(*) Jeovah de Moura Nunes é escritor e jornalista.

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Vamos analisar bem apenas um fato.. Nas universidades existe uma tolerância quanto ao uso de drogas ilicitas. Conforme o curso dá para saber que tipo de droga utilizam. E não venham me falar que isso não existe nas universidades, por favor!!! Depois esses cidadãos se formam, se tornam profissionais e uma grande parte descamba para politica. Será que essa mesma tolerancia em quebrar regras só porque é "universitário" vai mudar depois??? Estudante universitário, principalmente de entidades públicas pegos consumindo drogas deveriam ser espulsos automaticamente dos seus cursos. Alguem faz isso?? Muitos vão achar um absurdo o que estou dizendo. Enquanto isso o dinheiro sempre vai falar mais alto mesmo.
 
GILMAR SOUZA CRUZ em 26/04/2011 06:11:57
Gente, entendam de uma vez, estamos no Brasil quer que soletre: B-R-A-S-I-L.Estamos entendidos, quando se tem dinheiro acaba mesmo dando em nada, acostumem -se ao fato ou mudem isso. Mudar como? Votando em quem tem comprometimento com vcs. Só isso já basta? Claro que não, então lutem por seus direitos.
 
valdeci ramos de carvalho em 24/04/2011 06:23:38
Gostei muito do seu Artigo Jeovah, um fato meio parecido aconteceu comigo, não por atropelamento físico,e, sim "atropelamento social", faço Faculdade de Administração na Facsul, e fomos assistir a uma Palestra do C.R.A no Anfiteatro Dom Bosco. Chegando lá,fui estacionar a minha moto em frente ao Colégio D. Bosco, desceu uma mulher de um carrão muito chik por sinal, e mandou eu estacionar a minha moto em outro lugar,questionei, aí ela me disse que se ela saísse e a minha moto parada arranhasse o poderoso dela ela chamaria a policia,pq ela tinha muito dinheiro! E que ela era amiga do Cel. Vilssanti, e que lugar de pobre é no lixão, me mantive serena acabei de estacionar a moto,e dei Boa Noite. Infelizmente Jeovah as pessoas "RICAS" julgam as outras pela aparência,temos que ter pena dessas pessoas,porque o Espirito delas é insignificante, que GRANDEZA É TER DINHEIRO, porém, sabemos que GRANDEZA é tratar o próximo com dignidade e respeito, independente dele ter ou não dinheiro, as vezes um SIMPLES Boa Noite à um Gari é a melhor maneira de mostrarmos à ele que ele existe!!
 
Sonia Nazário Ribas em 23/04/2011 02:24:46
As leis são feitas por quem?.No decorrer dos últimos anos houve mudanças significativas nas leis brasileiras,tais como,o consumo de drogas deixou de ser crime.porque?para beneficiar quem?.A pena para sentenciados em crimes hediondos,antes só teria direito à progressão o sentenciado que tivesse cumprido dois terços da pena(crimes de estupro, trafico etc) mudança pra que?pra beneficiar quem?.Imunidade parlamentar, pra que? se os políticos não tivessem nada a temer.
 
nilson franco de oliveira em 23/04/2011 01:11:54
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