A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

25/06/2015 08:22

Falta de líderes

Por João Dória (*)

A capacidade de um país andar mais rápido depende da qualidade de seus líderes, perfis que abrem caminhos e desfazem obstáculos com sua condição de atrair, comover, inspirar, entusiasmar as plateias e mobilizar as massas. No passado, os rastros das grandes lideranças deixavam se ver nas trilhas abertas para libertar seus países da opressão e da miséria.

Veja Mais
Tédio é a falta de projeto
Dólar alto: bom ou ruim para o agronegócio?

Eram tempos da política elevada ao altar da alta expressão. Atores políticos se revezavam na missão de debater, nas réplicas e tréplicas, argumentos e fundamentos sólidos do pensamento. O rebaixamento da qualidade na maneira de operar a política tem muito a ver com a crise da democracia representativa em todos os quadrantes. Nas últimas três décadas, o mundo foi arrastado por uma carga monumental de eventos, como a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a ruptura da URSS e extinção da Guerra Fria, cujos efeitos se fizeram sentir nos instrumentos da representação: arrefecimento das doutrinas; pasteurização dos partidos; perda de força dos Parlamentos e desengajamento das massas. Essa teia de situações contribuiu para a crise global de governabilidade.

Importantes mudanças passaram a balizar as frentes social e política. Uma nova consciência se instalou no meio de muitas sociedades. Partidos tradicionais, nascidos e desenvolvidos a partir de discursos assentados em eixos doutrinários – conservadores e liberais, de direita e esquerda – perderam substância com o declínio das ideologias e a extinção das clivagens partidárias, amparadas no antagonismo de classes. A expansão econômica e a diminuição do emprego no setor secundário em proveito do setor terciário estiolaram a força das estruturas de mobilização e negociação. Novos movimentos se formaram e os grupamentos corporativos cresceram na esteira de uma micro-política voltada para a defesa pragmática de setores, regiões e comunidades.

Nessa moldura, a democracia representativa passou a ser também exercida pelo universo de entidades intermediárias, com forte prejuízo para a instituição política tradicional. Não é à toa que os nomes de candidatos prevalecem sobre partidos.

Emergem, nesse cenário, lideranças menos carismáticas, mais técnicas, com preocupações estratégicas que se repartem em algumas esferas: a estabilização macroeconômica; os programas de desenvolvimento e os ajustes fiscais; as redes de proteção social e as políticas públicas de saúde, de educação e segurança. Nos últimos tempos, o combate à corrupção assumiu prioridade.

Nesse terreno não vicejam mais líderes carismáticos e populares. Por aqui, Lula é o último líder de massas de um ciclo que se esgota com a intensificação da crise política. Na verdade, Lula se apresenta como a última instância produzida por um processo de acumulação de forças, que, há três décadas, vem operando sobre a esfera social, juntando ações coletivas e públicas, demandas por direitos, e movimentos cívicos, canalizados com força a partir da Constituição de 88. A corrupção deslavada, que deixa a cara do país mais parecida com uma gigantesca delegacia de polícia, está levando de roldão atores políticos para o lamaçal. A era Lula está no fim.

Desaparecendo o formato carismático e populista, teremos de conviver com grupos de políticos treinados nas artimanhas da articulação e dos entreveros partidários. Os brasileiros começam a não enxergar mais aquela aura que envolvia seus ícones e heróis, o líder glorificado, admirado por todos. Não há mais quadros que mereçam a admiração e o engajamento entusiasmado. É assim que o Brasil vai enxertando em sua galeria lideranças sem massas. Ou massas sem líderes.

(*) João Doria, empresário e jornalista, é presidente do LIDE – Grupo de Líderes Empresariais

Tédio é a falta de projeto
Recentemente, deparei-me com duas situações. Na primeira, eu almoçava com dois amigos, ambos na faixa dos 55 anos de idade, funcionários públicos bem...
Dólar alto: bom ou ruim para o agronegócio?
Claro, depende da hora e do mercado, exportação ou de mercado interno. Agora, falando da soja, o principal produto da pauta brasileira de exportações...
Marcas lutam diariamente para impactar as pessoas
Segundo pesquisas, temos contato com aproximadamente 2.000 marcas em um dia “comum” e menos de 300 delas ficam em nossa memória. Por isso, essas marc...
A modernização das leis do trabalho: oportunidade, não oportunismo
Crises econômicas em qualquer país do mundo ensejam debates sobre reformas. São nos cenários de recessão prolongada que as nações se defrontam com se...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions