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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

30/07/2011 07:02

Formar médicos é coisa séria

Por Antonio Carlos Lopes (*)

Qualquer pessoa de bom senso sabe bem que o exercício da Medicina requer conhecimento científico de excelência, além de outros requisitos indispensáveis, como a postura humanística. Ser médico não é um sacerdócio, diferentemente do que alguns defendem. Porém, exige compromisso, responsabilidade, entrega e uma formação impecável.

No Brasil, infelizmente, isso não se aplica, ao menos quando falamos de políticas de educação e ensino. Faz tempo que resolveram formar médicos dando prioridade à quantidade e não à qualidade. Foi assim nas últimas quatro décadas, período em que saltamos de 62 faculdades de Medicina para as atuais 180.

Lamentavelmente a autorização de abertura de novos cursos médicos ocorreu - e ainda ocorre - sem critérios. Das novas faculdades, não se exigia corpo docente qualificado, infraestrutura adequada, hospital-escola e compromisso social. Assim, os empresários do ensino seguem criando escolas de péssima qualidade, pensando apenas em colher dividendos financeiros.

Claro que falamos em risco iminente à saúde e à vida da população. Além do que um médico com formação inadequada representa também desperdício para os cofres públicos. A incompetência retarda os diagnósticos, prejudica tratamentos, aumenta os gastos da assistência. Enfim, todos perdemos com ela.

A despeito do caos já bem conhecido ser continuamente denunciado por entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Clínica Médica, muitas autoridades governamentais optam pela omissão, fazendo vistas grossas. Para complicar, frequentemente surgem aqueles que querem investir em fórmulas sabidamente equivocadas, como ocorre agora com os ministérios da Saúde e Educação.

Virou notícia dias atrás a informação de que MEC e MS estariam trabalhando em um plano nacional de educação médica com o objetivo de aumentar o número de profissionais por habitantes no país. Todos sabemos que o problema de verdade não é a quantidade de médicos.

O que deve ser feito é dar condição aos médicos para o exercício qualificado da profissão. Isso passa, por exemplo, pela criação de condições de trabalho dignas, como estrutura física, equipamentos e acesso a exames de diagnostico, por remuneração justa no sistema de saúde suplementar, por gestão séria da saúde, e inclusive pela imediata regulamentação da Emenda

Constitucional 29, que prevê mais recursos para a saúde.

São igualmente complicadas propostas de bonificação da Residência Médica, cuja proposta indica que o médico que trabalhar até 2 anos em cidades carentes, no Programa Saúde da Família, obteria vantagens ao prestar exame de residência.

Trata-se de um desrespeito ao egresso remetê-lo a áreas longínquas e sem condições de trabalho, e também à população do local, que será servida por profissionais recém-formados, tensos e ansiosos pelas condições de trabalho e pela pouca experiência, como bem advertiu o Conselho Federal de Medicina.

Aliás, dessa forma, o mérito é jogado fora. Para completar, é péssimo para os cidadãos, pois os recém-formados são médicos, mas não são especialistas. Esperamos que essas insanidades não encontrem eco na sociedade.

(*) Antonio Carlos Lopes é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

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Qualquer um pode entrar na faculdade de medicina o dificil é sair. Médico não é Deus e acredito que uma determinada classe se acha o tal, mas infelizmente é um curso que não é qualquer um que se forma e o Brasil precisa de muitos, e as condições de trabalho é precaria, vai ao um posto e veja isso, pois só condenam os Médicos mas não são eles os responsaveis e sim o setor publico. Povo que pensa pequeno sempre será pequeno e assim é Campo Grande.
 
alexandre santiago em 01/08/2011 01:21:25
Concordo com muitas das argumentações expostas no artigo.
E aí eu me lembro do exame da OAB. Ora a profissão de médico é liberal como a de advogado.
A capacidade de um médico influenciar na qualidade de vida das pessoas e igual ou até muito maior que a dos advogados. Mas aquele não é submetido a exame nenhum, independente de ter sido formado aqui, ali ou acolá. É só terminar a faculdade e pronto.
E assim ocorre com todas as demais profissões, independentemente da qualidade, localização etc, da entidade que ofereceu o curso.
Se para o advogado é exigido exame, por que não exigir dos demais. Aí seria uma garantia de qualidade do ensino que foi recebido pelo profissional, e garantia para todos nós que dependemos e precisamos desses profissionais.
O que acham disso....
 
Gustavo David Gonçalves em 30/07/2011 11:31:52
Na Venezuela da década de 50 a 90 do século XX, a "moda" da oligarquia era fabricar misses. Nesse período, raras vezes este país sulamericano deixou de ostentar o bastão o título da mulher mais bela do Universo. Era a forma mais explícita que os governantes daquela época acharam para sujeitar-se às conveniências dos norte-americanos que exploravam de forma abusiva as riquezas naturais venezuelanas.
E assim, às famílias abastadas restava a produção de uma "oferenda" para colocá-la no altar do insaciável Yankee.
Aqui no Brasil, ocorre algo parecido. As Universidades Públicas estão tomadas por acadêmicos de medicina de origem "rica".
Famílias ou conhecidos, de indisfarçáveis interesses financeiros, impõem ou sugerem a estes jovens, a qualquer custo, a formação superior de medicina, ainda que estes demonstrem falta da devida postura humanística, de comprometimento, de responsabilidade e de entrega incondicional à pesquisa para o exercício impecável da profissão.
Não é raro vermos na nossa política médicos no executivo e no legislativo. Eram bons médicos? São bons políticos?
Só temos uma resposta: estes "medicos-políticos" que, certamente, frequentaram uma Universidade Pública, deixaram alguém sem a vaga. Quiçá um possível MÉDICO DE VERDADE!...
 
Pablo Ramenzzoni em 30/07/2011 09:59:12
O que acontece é o seguinte: Os médicos são poucos realmente, e os que tem se acham na razão de dominar tudo e todos por que se sentem Deuses, a maioria tratam as pessoas mal, principalmente nos atendimentos públicos, isso sim deveria mudar...Temos que aturar esses "médicos" porque não temos escolha. Eles querem ganhar bem e não oferecem um atendimento humanitário, comprometimento e responsabilidade com a saúde, muito menos preocupação, é o que vemos em todas as redes de atendimento público, essa é a verdade, temos que ter mais médicos sim e acabar com essa ídéia dos que existem aqui de que são os Deuses.
 
valmir nogueira em 30/07/2011 09:41:54
infelizmente hoje em dia qualquer um entra numa faculdade de Medicina, o que antes era conseguido apenas com muita dedicacao e estudo. O Brasil fica atras apenas da India em numero de escolas medicas. Ao CFM cabe criar um mecanismo para avaliar os milhares de medicos que se formam todos os anos, a maioria sem condicoes de exercer a profissao, expondo os pacientes cada vez mais a erros e sequelas.
 
Paulo Neto em 30/07/2011 07:52:13
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