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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

30/01/2014 09:06

Gratuito: bom ou ruim?

Por Mikael Albrecht (*)

É sempre bom conseguir algo de graça. Ou não? Há muitas coisas totalmente gratuitas na Web. Mas o que aparenta ser gratuito pode embutir um preço oculto, normalmente pago por outros meios e não necessariamente em dinheiro.

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Por muito tempo, a Internet não precisou de métodos de pagamento, ou seja, tudo era oferecido de graça. Tudo bem para uma Web que era apenas uma ferramenta acadêmica ou parque de diversão para os entusiastas. A Internet dos nossos dias é totalmente diferente e, em grande parte, direcionada aos negócios. Entretanto, a cultura de conseguir produtos gratuitamente na Internet ficou profundamente enraizada na mente do usuário. As pessoas acostumaram-se aos conteúdos gratuitos ou têm receio de usar o pagamento on-line com medo de fraudes. O resultado disso foi a criação de novos modelos de negócios baseados em produtos e serviços gratuitos. Esses produtos podem ser genuinamente gratuitos ou embutir alguma forma de pagamento. Uma das habilidades imprescindíveis ao “cybercidadão” dos nossos dias é reconhecer esses modelos de negócios e compreender os riscos e compensações que eles ocultam.

Antes de morder a isca, é importante perguntar por que isso está sendo oferecido gratuitamente? Essa é uma pergunta crucial, pois os motivos do fornecedor definem se o produto ou serviço é seguro para uso. A primeira dica é procurar informações a respeito de quem criou o produto e por quê. Em seguida, tentar classificá-lo em uma das categorias abaixo. Com essas respostas em mãos, ficará mais fácil arriscar um palpite sobre se o produto é seguro ou não.

Com patrocínio publicitário
Trata-se de uma forma bastante comum de oferecer produtos ou serviços gratuitos. É fundamental ter cuidado com possíveis ad-wares. Não há controle sobre os anúncios, alguns conteúdos podem ser inadequados. Exceto por esse problema, a maioria dos anúncios é legítima se não acha-los inoportunos demais.

Criação de perfis de usuários
“Se você não paga pelo produto, então você É o produto.” Essa abordagem coloca o ad-ware em um novo patamar. Empresas que lidam com grandes quantidades de dados, como Facebook e Google, oferecem seus serviços gratuitamente, porém criam perfis abrangentes de seus usuários com o objetivo de usá-los para fins de marketing. Temos aqui um problema de privacidade, pois não há controle sobre quais dados são coletados nem sobre a forma como serão usados/mal usados. As agências de inteligência ocupam os primeiros nomes dessa lista, sempre ávidas por manipular seus dados. Se o Facebook sabe algo a seu respeito, certamente a NSA também sabe. O problema aqui está na grande dificuldade em determinar qual o preço realmente pago por um serviço “gratuito”. É preciso avaliar se vale a pena arriscar a privacidade considerando o valor a ser obtido como retorno.

Hobby e ideologia
Muitos criam programas e serviços na Web por diversão. Disponibilizá-los e ver as pessoas utilizando-os faz parte do prazer. Alguns podem ter também motivações ideológicas, como lutar contra o domínio corporativo, preservar a privacidade das pessoas ou barrar a cyberespionagem. Produtos nessa categoria são totalmente gratuitos, sem remunerações. O navegador Firefox é um excelente exemplo. O sistema operacional Linux é outro. Esse “modelo de negócios” é seguro para o cliente, porém os produtos e serviços nem sempre são a escolha mais segura em termos técnicos. Fornecer software seguro é uma tarefa difícil e requer manutenção constante. É perda de tempo esperar dessa categoria a prestação de bons serviços de assistência, a não ser que o produto disponha de um fórum de usuários realmente eficaz capaz de oferecer suporte abrangente.

Taxas por vendas adicionais ou serviços
Muitos fornecedores disponibilizam produtos ou serviços básicos gratuitamente e cobram por maior funcionalidade ou capacidade. Trata-se de uma boa maneira de convencer o cliente a experimentar o produto e decidir se precisará da versão paga. Às vezes, o produto é totalmente gratuito, e o modelo de negócios se baseia na venda de serviços de suporte para o item em questão. Não há nada de errado com esse modelo de negócios, e normalmente os produtos são de boa qualidade se o fornecedor for confiável. O younited da F-Secure é um excelente exemplo, assim como muitos outros serviços na nuvem.

Conteúdo pirateado
Certos conteúdos são oferecidos gratuitamente e sem obrigações, porém o distribuidor não tem o direito de disponibilizá-los. Distribuir material sem permissão é praticamente ilegal em qualquer lugar, porém a sua condição como destinatário nem sempre é tão clara. As redes de compartilhamento ponto a ponto, como BitTorrent, fazem download e compartilhamento simultaneamente. É também comum distribuir malware maquiado como software pirateado. A forma mais segura de se proteger é localizar o ponto original de distribuição ou do fornecedor do conteúdo e fazer o download diretamente de lá. Assim, você saberá se o material é realmente gratuito e, de quebra, se livrará do malware.

Golpes e malware
Malware e golpes geralmente se disfarçam em ofertas gratuitas. É recomendado ter extremo cuidado caso seja tentado a se inscrever para obter qualquer coisa que envie informações “gratuitas” na forma de mensagens de texto. Os golpistas poderão cobrá-lo por meio de mensagens falsas enviadas ao aparelho celular. É praticamente impossível anular tais cobranças. O que parece ser um programa utilitário pode também se transformar em um software mal-intencionado.

(*) Mikael Albrecht é especialista em segurança da F-Secure.

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