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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

08/02/2012 07:54

Greve e justiça

Por Vladimir Polizi

Sempre fui contrário à greve, pois sendo o Brasil um Estado Democrático de Direito, no Judiciário deveriam ser travadas todas as discussões sobre os reajustes para qualquer categoria, servidores públicos ou não.

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Revejo meu entendimento por vários fundamentos, mas tomo o mais recente: a greve dos policiais do Estado da Bahia. Lá, um soldado recebe mensalmente R$ 1.188,85 para defender a sociedade com sua vida. Com esse salário ele arca com o pagamento de sua moradia, com os gastos com alimentação, vestuário, lazer enfim, todas as despesas essenciais de qualquer trabalhador. Alguém acredita que com menos de 2 salários mínimos por mês alguém consiga viver com dignidade?

Nem se diga que o Brasil está em recessão e por isso do sacrifício. Não duvido que toda a sociedade faria qualquer esforço se, de fato, fosse necessário. Mas não é essa a situação. Na própria Bahia, estão abertas inscrições para juiz de direito, com remuneração inicial de R$ 18,3 mil; no Distrito Federal, o Tribunal de Contas abriu concurso para procurador, com salário de R$ 22,9 mil; juízes paulistas receberam “auxílio para adquirir tablets” de R$ 2,5 mil, e assim vai. Ainda que no STF (Supremo Tribunal Federal) tenha vencido o entendimento de que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) pode investigar juízes, pelo apertado placar de 6 a 5, e com isso evitar o corporativismo das corregedorias dos tribunais, tenho dúvidas se podemos confiar realmente na justiça.

Esse sentimento, ademais, conforme pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, e divulgada no jornal “Folha de São Paulo” de 07 de fevereiro, é partilhado por duas de cada três pessoas, que acreditam ser o Poder Judiciário “pouco ou nada honesto” e “sem independência”. No comparativo com outras instituições, o Judiciário ocupa a 6ª colocação, na frente do governo federal, Congresso Nacional e partidos políticos.

Na Bahia, o judiciário declarou a greve dos policiais militares ilegal. A Constituição Federal, que estabelece a “dignidade da pessoa humana” a todos e uma série de tratados internacionais ratificados pelo Brasil foram rasgadas, pois para a Justiça é legal que policiais vivam com pouco mais de R$ 1,1 mil por mês (isso é quase 17 vezes menos que um juiz). Por comportamentos do tipo, fica fácil compreender o porquê da avaliação negativa. Outras greves virão, pois muitos outros servidores são tratados sem dignidade. Pena que tenha de ser assim.

(*) Vladimir Polízio Júnior, 41 anos, é defensor público (vladimirpolizio@gmail.com)

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A falta de Políticas de Estado nao permite el funcionamiento fluente das Instituções, pois ao não ter definiciones básicas sobre criterios y procedimientos, estes ficam a vontade do governo de turno y da capacidade de " curvatura" de gremios e individuos, fortaleciendo ainda mais as estructuras totalitarias que não ven, na capacidade de escolha a melhor expressão da libertade
 
Javier Eduardo Navarrete Echeverria em 09/02/2012 03:41:36
Que bom que ainda podemos dar as nossas opiniões. Por quanto tempo mais, não sabemos.
Algum comentario sobre a greve dos P.M de bahia só pode ser dado no contexto de uma situação nacional: a incapacidade das nossas autoridades de atuar em um contexto de Politicas de Estado, que ao parecer não existem pois, o mesmo vivencíam outras categorias ( todas as categorías?), que si decidem entrar em greve
 
Javier Echeverría em 09/02/2012 03:28:23
Parabens Vladimir! sábias palavras em defesa desses profissionais tão importantes para a sociedade...os policiais!!!
 
daniela rodrigues em 09/02/2012 01:50:53
Parabéns ao ilustre Dr. Vladimir por traçar com esmero e conhecimento a situação antagônica que estamos vivenciando. Penso que o salário de um magistrado deve ser ainda melhor, mas pagar um salário indigno a uma pessoa que está na linha de frente da segurança pública é tratamento dado em épocas passadas aos jagunços e capitães do mato.
 
Luiz Duarte em 08/02/2012 11:22:15
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