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24/06/2014 10:24

Idolatria do ódio em MS

Por Valfrido M. Chaves (*)

Lá pelos anos 60, em Minas, Viçosa, até estudante com vontade de contrariar o pai ouvia o programa “Quando os relógios apontam para o infinito”, da Rádio Nossa Senhora Aparecida. O interiorzão parava para ouvir um Padre danado de carismático, sábio. Lembro-me de suas palavras quando se referiu a uma “idolatria da Bíblia”, que perverteria as palavras bíblicas, dentro da perspectiva católica.

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Bem pensando, todo princípio ou instituição, mesmo aquelas “do bem”, podem ser pervertidos quando perdem a noção de que o fim é o ser humano e não a instituição, o princípio, o Partido. Assim acontecendo, tornam-se veículos da maldade, do ódio, do conflito.

Isso posto, quero lembrar que a revolução bolchevista numa Rússia medieval e opressora, iniciou-se sob o lema “Pão, Paz e Terra”, bandeiras estas que levariam liberdade e prosperidade àquela nação. Elegendo a propriedade privada como a fonte de toda maldade humana e o proprietário como “lixo da História”, o bolchevismo idolatrou o princípio de que “o conflito é o motor da História”, o fuzil, sua parteira, e o ódio seria a grande virtude para que as massas destruíssem a “propriedade” e aniquilassem a burguesia.

O resultado a humanidade conheceu e a História nos relata: um sistema totalitário, promotor de conflitos e ódios, sanguinário e, sempre, economicamente fracassado. A queda do Muro de Berlin não nos desmente. Tão cruel e idólatra do ódio quanto o Nazismo que, entretanto, promoveu o desenvolvimento econômico alemão. Sintetizando, Nazismo e Bolchevismo são movimentos irmanados pelo ódio e pela ideia de que estão acima da verdade, do bem e do mal.

Bem e verdade é o que lhes interessa e mal o que os contrarie. Pois bem, leitor, afirmo então que, neste momento, uma prática da União, de setores do Estado brasileiro, de governos centrais que se sucedem, encarna todos os princípios da maldade bolchevista vistos. Refiro-me à política indigenista, tocada pela Funai e Ministério da Justiça, Ongs nacionais ou internacionais, e que se define por uma séries de indignidades. Tudo sob a batuta de um “Campo Majoritário” ou “Bolchevista”, pois, sinônimo é sinônimo, inclusive no governo de Dilma que, com Lula e Zé Dirceu, pertencem ao tal Grupo.

Sob essa tutela Majoritária ou Bolchevista, a Funai mantêm nossos índios nos limites da marginalidade pelas carências de saúde, habitação, instrução, capacitação para o trabalho, assistencialismo indigno. Para tapar o sol com a peneira, ou seja, esconder o fracasso na promoção do desenvolvimento indígena, manipulam o fator “falta terra” como o grande vilão da desgraça indígena.

Os índios Cadiwéu, com quase 500 mil hac e insuflados a invadirem propriedades, vivem na mesma adversidade. Mais ao Sul de MS, ao sabor do ócio, assistencialismo, alcoolismo, droga, a criminalidade é o dobro da comunidade não índia. A mortandade entre eles é atribuída mentirosamente a conflitos por terra. Um projeto de Aroldo Figueiró para plantar um milhão e duzentas mil árvores frutíferas e erva mate foi brecado em nome da preservação da cultura indígena, como se trabalho e prosperidade fossem piores que álcool, droga, prostituição.

Recursos para invasões vem do exterior e do próprio Estado brasileiro, do qual setores veiculam e acatam a ideia de que “retomada não é invasão”. Fácil, não é na casa deles que, após manipularem uma invasão, dormem em êxtase por praticarem uma ação revolucionária bolchevista ou majoritária. Daí as mentiras e o deboche da compra de terras “indígenas”, como disse o Governador.

Se quisessem resolver já o teriam feito, até com os recursos aplicados para porto e verbas secretas para Cuba e África. E não o fazem porque o conflito, laudos e informações mentirosas, a promoção de ódios são ações revolucionárias no “sentido da marcha da história”, dizem eles. Tiveram todo o tempo e meios para resolver, fazer justiça para todos, promover paz e prosperidade. Mas paz e prosperidade não proporcionam êxtase ideológico aos idólatras do ódio, cujo lema central é “aguçar os conflitos”, expressão com que nomeiam suas indignidades e infâmias. Quem desmente os fatos?

(*) Valfrido M. Chaves é psicanalista, pós graduado em Política e Estratégia.

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