A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

13/10/2011 09:57

Livre formatação da maldade

Por Valfrido M. Chaves (*)

Acabo de ver na TV um filme deveras deprimente, considerando suas possíveis conseqüências sobre muitos psiquismos, bem como a ausência de avaliação crítica da sociedade sobre tais desdobramentos.

Veja Mais
Hoje eu me lembrei...
Sistema carcerário brasileiro clama por ajuda

Tudo se passa como se fora algo que não fosse mais do que um mero e inocente entretenimento, apenas de gosto duvidoso. A trama que se desenvolve, em síntese, seria de um jovem numa situação de vida em que se sente desimportante, com baixa auto-estima, humilhado, sem perspectivas.

Por voltas que o cine dá, nosso personagem é cooptado por uma irmandade de assassinos profissionais na qual, por fim, torna-se o chefão. Termina o filme, após eliminar o antigo chefão, com uma frase lapidar: “agora eu estou no controle”!

Os astros são de categoria, carismáticos, possibilitando forte identificação do público com eles. Pois bem, o que se coloca então é isto, caro leitor: quais os desdobramentos de um filme desses em personalidades pré-mórbidas, egos frágeis, pré-psicóticos, como aquele infeliz que promoveu aquela chacina na escola do Realengo?

Afirmo com absoluta tranqüilidade que tais enredos e identificações são etapas fundamentais no psiquismo de alguns, antes desses assassinatos através dos quais se sentem poderosos, onipotentes. Qualquer estudante de Psicologia ou Psiquiatria sabe disso, caro leitor.

Portanto a sociedade o sabe. Sabe mas não encara, não discute, pois tal discussão passaria por um tema tabu, proibido: alguma censura sobre meios de comunicação, coisa que, também, é horrível.

Isso posto, perguntaríamos: qual a saída? Como encontrá-la sem discussão e sem apoio às famílias para que tenham subsídios e possam criar crianças mais saudáveis? Fala-se muito na escola, parecendo haver forte tendência em querer responsabilizá-la pelo destino das crianças.

Na política de proteção à criança é indiscutível haver mais preocupação com um jovem que está aprendendo a trabalhar com a família, do que com aquele que faz ponto numa boca de fumo. Nunca ouvi alguém que não veja essa realidade, mas nada a modifica.

Como as coisas nunca estão suficientemente ruins para que não possam ficar piores, pergunto ao leitor se ele vê em algum ponto qualquer sinal de que nossa sociedade vá encarar a questão da proteção de nossa juventude de modo efetivo, concreto e não apenas através dos abomináveis discursos politicamente corretos e ideológicos, eficientes apenas no sumidouro de verbas.

Nunca desejei tanto estar equivocado quanto a um ponto de vista, leitor, como neste momento. Torçamos para que assim seja.

(*) Valfrido M. Chaves é psicanalista.

Hoje eu me lembrei...
Nestes tempos conturbados que estamos vivendo, em que muitos buscam um culpado para eximir-se de suas responsabilidades, em que nos esquecemos que no...
Sistema carcerário brasileiro clama por ajuda
O ano começou com uma bomba relógio, que já ‘tic-tateava’ há muitos anos, explodindo. As rebeliões em presídios de todo o Brasil deixaram mais de 120...
Mais um ano difícil
A economia brasileira inicia 2017 com a combinação de otimismo moderado e preocupação. A perspectiva levemente otimista se fundamenta na expectativa ...
A atuação das empresas na era do talentismo
No atual cenário em que vivemos, com crise financeira em diversos países, catástrofes ambientais e diferenças sociais, engana-se quem acredita que es...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions