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13/08/2013 14:29

Mestrado potencializa desenvolvimento do Ciberjornalismo

Por Gerson Luiz Martins (*)

O Programa de Mestrado em Comunicação da UFMS iniciou, há alguns dias, o período de inscrição para o processo de seleção da terceira turma. Nestes quase dois anos de curso, é visível o crescimento das pesquisas em comunicação regional. Também, neste período, se observou, de forma muito clara, que o campo de estudos em Ciberjornalismo foi o que mais apresentou propostas de pesquisa. Sem qualquer dúvida, o jornalismo na internet é uma preocupação, é instigante e provoca muitos desafios aos estudiosos do jornalismo.

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Em Mato Grosso do Sul há um desenvolvimento singular do jornalismo na internet. Embora os jornais impressos tradicionais como O Estado MS e o Correio do Estado ainda não apresentam sua versão na internet de forma mais qualificada, os portais de notícias, representados no mais antigo deles, o Campo Grande News, mostram uma condição única em todo o país. A forma como foi desenvolvido, a audiência local e, se pode afirmar, a tradição no consumo das notícias por esses portais, mostram claramente o lugar de destaque quando o tema é público leitor de notícias ou mídia noticiosa.

Depois dos portais de notícias, agora é a vez da revistas de informação semanal na internet. Neste momento, a publicação que está mais adequada às características do Ciberjornalismo é representada pela Semana Online. Há ainda outras publicações, mas que estão colocadas no estilo revista ilustrada, não são exatamente jornalísticas.

Não há dúvidas que existem inúmeras publicações jornalísticas, na forma de revista, na internet em outros estados. Mas é importante considerar o conhecimento adquirido pelas empresas especializadas nesse tipo de publicação. Pode-se afirmar que os editores, jornalistas, empreendedores, profissionais da informática, neste estado, têm um know-how que nada deixam a dever para profissionais de outros pontos do país.

Toda esta realidade agora se reflete na demanda de propostas de pesquisas apresentadas para a Seleção do Mestrado em Comunicação da UFMS. É certo que esta situação é a principal causadora dessa demanda, mas não se pode esquecer que o desenvolvimento tecnológico, a busca de qualificação do jornalismo e, principalmente, ter produtos cada vez melhores com um custo menor são importantes demandas das pesquisas em Ciberjornalismo.

Importante considerar o futuro do jornalismo inevitavelmente ligado à internet. Nesse aspecto, as empresas jornalísticas que não quiserem encerrar suas atividades a curto e médio prazo, devem, imediatamente, desenvolverem suas versões na internet. E não se trata apenas de reproduzir na rede a versão impressa, mas potencializar os recursos que a internet oferece, seja da multimedialidade, da memória, da instantaneidade, da atualização contínua, da personalização de conteúdo e de formato, do uso do hipertexto e da interatividade. Sem essas condições básicas, um portal de notícias na internet se torna um mero reprodutor de informações, sem atrair e fixar a atenção do leitor.

Atualmente o Mestrado em Comunicação da UFMS desenvolve pesquisas, em Ciberjornalismo, sobre o uso das redes sociais no processo eleitoral, a convergência das redações jornalísticas, no aspecto da multimedialidade e também sobre o processo de produção da notícia, o surgimento e desenvolvimento dos portais de notícias na internet no estado e ainda a relação das notícias locais e notícias nacionais/internacionais nos portais de notícias de Dourados. No âmbito dos trabalhos do Grupo de Pesquisa em Ciberjornalismo, há projetos que pesquisam a relação das redes sociais e as fontes do jornalismo tradicional, ou seja, impresso, TV e rádio; sobre características das revistas ditas digitais, publicadas na internet e ainda no que diz respeito à formação do jornalista para o trabalho com cibermeios. Uma área importante quando se fala em jornalismo na internet e que interessa aos jornalistas, empresário do setor e ao público leitor, mesmo que de forma indireta, é o desenvolvimento dos sistemas de publicação, ou seja, aquilo que está por detrás da apresentação da notícia na internet, como foi inserido um vídeo, como foi editado o texto, como foi formatado o hipertexto no conteúdo da reportagem, da notícia.

E mesmo com toda essa situação na esfera profissional e também no interesse da pesquisa acadêmica, há um paradigma, pois o interesse pelo jornalismo na internet, pelo ciberjornalismo nos cursos de graduação em Jornalismo é mínimo, mesmo que depois muitos desses estudantes, quando formados, atuem nos diversos portais de notícias. Um paradoxo!

(*) Gerson Luiz Martins, jornalista e pesquisador do PPGCOM e CIBERJOR/UFMS
www.ciberjornalismo.net.br

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