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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

07/06/2011 11:06

Nos tempos da antiga Rua 7 (II), por Heitor Freire

Por Heitor Freire (*)

Continuo o meu relato referente ao tempo em que moramos na rua 7 de Setembro, entre a rua 13 de Maio e a rua Rui Barbosa, lá moramos em pleno apogeu da zona do meretrício.

O bolicho que o meu pai recebeu como pagamento de uma conta, era constituído por um balcão – em que não se podia encostar pois balançava todo–, de duas prateleiras e algumas latas de óleo. Ou seja, para nós foi um novo recomeço, numa situação novamente adversa.

A minha família residiu nesse local até meados de 1966, ou seja, vivemos e acompanhamos de perto a transformação que, pouco a pouco, foi-se operando no local, com a mudança gradativa, quando as casas “de mulheres” começaram a rarear. As mulheres “da vida” eram também freguesas do nosso bolicho, que tinha como denominação Mercadinho Popular.

Nunca, em tempo algum, tivemos qualquer problema, molestação, constrangimento, enfim qualquer incômodo, da parte de quem quer que seja pelo fato delas freqüentarem o nosso estabelecimento comercial. Nem pela vizinhança. O que demonstra claramente que a dignidade de uma família não decorre do local onde mora, mas sim das condições intrínsecas de sua formação.

Mais tarde nos mudamos para a casa da frente, de propriedade do Michel Nasser, onde hoje funciona uma igreja evangélica.

Meu pai comprava verduras, mandioca e legumes na feira da Rua 7 onde hoje se localiza o Mercado Municipal, para vender em nosso bolicho. Saíamos de madrugada, em dias de feira, eu e o meu irmão Hernane, acompanhando o nosso pai – que mantinha longos papos com os japoneses – e a gente aguardando.

Voltávamos com as compras acomodadas em um carrinho de mão, carregadíssimo.

A mandioca tinha de ser enterrada em uma cova aberta no quintal da nossa casa, para manter sua conservação.

Nós tínhamos uma freguesa que, sempre, aos domingos, depois do almoço, quando nós já estávamos de banho tomado, com a roupa domingueira e os cabelos devidamente “glostorados” prontos para ir à matinée no Alhambra, chegava e pedia meio quilo de mandioca.

E papai cuja filosofia era de que cliente é cliente não tem tamanho, determinava que abríssemos a cova com uma enxada para atendê-la, o que nos deixava bronqueados. Quando nós deixávamos a mandioca já separada, sem enterrar, a danada não vinha.

Naquela época, em meados de 1953 ou 1954, foi criada a Associação Cultural Brasil-Paraguay, que teve como seu primeiro presidente o dr. Wilson Barbosa Martins que, na ocasião da posse disse da sua alegria de participar dessa Associação, tinha uma ligação afetiva com a colônia, pois sua avó era paraguaia. O vice-presidente foi meu pai, Luiz Freire Benchetrit e o secretário, Carlos Árias Alarcon.

Além da nossa, moravam também na Rua 7, muitas outras famílias. Numa vila de propriedade do dr. Paulo Coelho Machado – também entre as ruas 13 de Maio e Rui Barbosa – residiam os casais recém formados: Jorge Elias Zahran-Maria José, William Duailibi-Joalina e Arassuay Gomes de Castro-Maria José.

Na esquina da rua 7 com a rua 14 de julho, no local onde hoje é o Armazém do Troncoso, havia anteriormente a casa de comércio de seu pai. Quando ele faleceu prematuramente, dona Rafaela, sua mãe assumiu, apesar de ser ainda jovem, o comando da sua família e a continuidade do negócio.

Uma vez aconteceu um fato interessante: um casal, cuja mulher estava grávida, vivia uma situação de desacordos porque o marido chegava muito tarde em casa; a mulher sempre o alertava: “Pára de chegar tarde, que uma hora eu perco a paciência”. E ele nada. Até que uma noite o marido chegou bem depois da meia-noite. Quando chegou a sua mulher estava na frente da casa. E ele foi logo tentando se explicar. Ela levantou o revólver que tinha na mão direita e deu dois tiros no meio das suas pernas. No chão. O cidadão caiu de joelhos: “Pelo amor de Deus, eu juro que nunca mais vou fazer isso”. Ele, felizmente, não foi atingido, mas foi um santo remédio.

Foi uma época que me deixou gratas recordações.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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Gostaria muito de ler algumas referências sobre o barbeiro Mateus Ávalo que tinha um salão na rua 7 nessas épocas. Conhecí esse senhor e aprendí adimirá-lo até em demasia pela cultura que ele me transmitia contando histórias que agora vendo este escritor, Heitor Freire, me fez sentir saudades do velho Mateus, in memorium.
Ele teve como esposa a Senhora Benê, uma negra cuibana de um coração imensurável e uma maravilhosa filha que conheço e que chama-se Suzane Ávalo.

Heitor Freire! Parabéns! Esses contos são muito importante para história de nossa cidade.
 
Ezio José em 07/06/2011 12:36:08
essas historias sao marvilhosas, eu amo campo grande, e tenho boa recordaçao da onde fui criado na pedro celestino , pescando onde hoje e o hemosul, onde hoje e a mace tomando banho nesse corrego prosa, tinha todo tipo de fruta , jaboticaba, cana, goiaba, nos moleques viviaos aprontando , roubando frutas dos arabes que eram donos da parte de cima da fernando correa da costa nos eramos felizes e nao sabiamos.
 
luiz fernandes em 07/06/2011 12:21:52
PAULO DIZ:>>> A dignidade de uma família não decorre do local onde mora, mas sim das condições intrínsecas de sua formação.

gosto muito desta sua mameira de contar estas lembranças,( muito rica ) só falta contar com era os altos da afonso pena, onde terminava em 1972. abraços,>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Paulo Duraes- Natal RN- Brasil

 
PAULO SERGIO em 07/06/2011 05:06:47
PARABÉNS HEITOR POR ESTAS HISTÓRIAS DE NOSSA CIDADE QUERIDA, SEMPRE OUVI SOBRE A RUA SETE DE MINHA MAÊ QUE MOROU NA 26 DE AGOSTO, E MEU AVÔ JAMIL QUE ADORAVA CONTAR HISTÓRIAS DA ÉPOCA DE SUA JUVENTUDE.
 
jamil felix naglis neto em 07/06/2011 03:24:52
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