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Campo Grande, Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

01/04/2013 09:49

O beijo nos pés dos prisioneiros...

Por Antônio Cézar Lacerda Alves (*)

Ao lavar e beijar os pés de 12 presidiários (jovens infratores), o Papa Francisco dá um importante recado para o Brasil e para o mundo; pois, indiscutivelmente, a desatenção com aqueles que se encontram pagando suas culpas em ambientes parecidos com as masmorras da idade medieval chegou ao topo do limite.

De um modo geral, para a população, a única saída para solucionar os sérios problemas da criminalidade está relacionada à pena: redução da menoridade penal; exasperação de penas para determinados delitos; e, em alguns casos, até mesmo a pena de morte tem sido lembrada e sugerida. Entretanto, nenhum desses pregoeiros da repressão mais brutal jamais se alistou entre os que estão pensando na prevenção dos delitos, no atendimento aos menores abandonados, na criação de condições socioeconômicas que impeçam a geração de novos delinquentes.

Não é demais lembrar que Portugal foi um dos primeiros países do mundo a abolir definitivamente (em 1867) a pena de morte e, que hoje nenhum país da Europa Ocidental macula a sua legislação com a nódoa da pena capital. Para o bem da humanidade, a civilização vem apagando essa mancha dos seus códigos...

Aliás, as penas e as grades das prisões jamais poderão ser utilizadas como instrumentos capazes de arrancar do chão da sociedade as raízes da criminalidade. Não, cadeia não regenera nem ressocializa ninguém; ao contrário, avilta, corrompe, degrada, embrutece, estigmatiza... É, a bem da verdade, uma indústria eloquente da criminalidade organizada! Então, mesmo naqueles casos em que a prisão se faça necessária, é preciso tratar os presidiários como seres humanos, que são. Os estabelecimentos penais não podem ser transformados em calabouços do purgatório e nem em depósitos de vidas - vidas, muitas vezes, marcadas por sentenças que só alcançam pobres.

Se quisermos resolver os problemas da vertiginosa escalada da criminalidade no país, precisamos, em primeiro lugar, resolver os graves problemas que ocorrem nos presídios. A sociedade e o Estado não podem fechar os olhos para o que ocorre lá dentro. Afinal, muitos dos crimes aqui fora são praticados por ordens lá de dentro; e, por outro lado, não se pode esquecer-se do fato de que “aqueles que vão para lá um dia voltam”. Sem contar que até “Partido” eles já possuem...!

Então, para começarmos a solucionar uma das causas da violência, precisamos cobrar do Estado para que cumpra e respeite os direitos garantidos aos presos pela nossa Constituição Federal e pela nossa Lei de Execução Penal. Enfim, se quisermos uma sociedade melhor, mais justa e mais humana, para nós e para os que virão depois de nós, vamos ter que entender e acatar o recado que nos foi dado pelo Papa Francisco... Isso mesmo: vamos ter que nos curvar e beijar os pés dos nossos prisioneiros!

(*) Antônio Cézar Lacerda Alves é advogado.

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As palavras do colega Antonio Cezar, são bastante comovente, eu concordo em partes com o nobre colega,preso tem que ter seus direitos respeitados, mas até o limite em que eles respeitam os direitos dos outros, o Estado terá que dar estrutura digna ao presidiário, e o que tería que mudar é o sistema prisional,dar dignidade colocando fabricas de tijolos ecológicos, manilhas,entre outros trabalhos que forçassem o seu fisíco e não agredissen a sua moral, só assim poderia intimidar os deliquentes e o sistema carcerário não traría tanto prejuizo a sociedade.
 
porfirio vilela em 02/04/2013 07:44:21
(as penas e as grades das prisões jamais poderão ser utilizadas como instrumentos capazes de arrancar do chão da sociedade as raízes da criminalidade.Cadeia não regenera nem ressocializa ninguém; ao contrário, avilta, corrompe, degrada, embrutece, estigmatiza... É, a bem da verdade, uma indústria eloquente da criminalidade organizada! Mesmo naqueles casos em que a prisão se faça necessária, é preciso tratar os presidiários como seres humanos, que são. Os estab: penais não podem ser transformados em calabouços do purgatório e nem em depósitos de vidas, muitas vezes, marcadas por sentenças que só alcançam pobres.) Dr Antônio C.L. Alves você devia dizer isto aos familiares das vitimas de assalto seguido de morte, estupros e todo tipo de crimes praticados pelos "seres humanos" que vc defende.
 
Antonio Mazeica em 01/04/2013 17:02:56
Não há como não concordar como o advogado Antônio Cézar, do ponto de vista humanitário e até da prevenção da criminalidade. Acontece que o problema penal é exclusivamente do poder público e isso tem um custo altíssimo para a sociedade. Diante da ineficiencia (para não dizer outra coisa) do poder público em administrar recursos limitados, acaba faltando recursos para tudo, inclusive merenda escolar, professores, postos de saúde, hospitais, segurança, etc etc etc.... A revolta da sociedade é que o Estado paga um custo que chega a 5 vezes o salario mínimo por cada presidiário, sendo que milhões de trabalhadores que recebem um salário, chegam a passar fome para sustentar a família. Antes de dar dignidade aos presos, penso que devem ter prioridade, os trabalhadores, crianças e idosos.
 
Paulo Lemos em 01/04/2013 11:08:04
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