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09/10/2012 07:11

O caos no setor de serviços

Por Marcos Morita (*)

A corrupção que acompanha a história do Brasil desde Cabral é uma ferida que nunca cicatriza, mas continua a deteriorar e a corroer o desenvolvimento da Nação. Basta olhar para o buraco que abre nos cofres do Tesouro: R$ 82 bilhões por ano — ou 2,3% do PIB, o que nos coloca entre os países mais corruptos do mundo. A soma estratosférica traria ganhos inimagináveis para o bem-estar dos brasileiros.

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Subornos, privilégios e uso indevido da máquina pública são tão comuns, que, na maioria das vezes, passam como assuntos banais ou despercebidos pela maioria dos cidadãos. São poucos os que percebem a íntima ligação entre as principais temáticas que compõem a agenda nacional: eleições municipais de outubro, CPI do Cachoeira e o  julgamento do mensalão.

Se não há um entendimento pleno a respeitos dos elos que compõem o Produto Nacional Bruto da Corrupção, muito menos conscientização existe sobre o financiamento de campanhas eleitorais por pessoas físicas e jurídicas, afluente desse rio sujo e caudaloso que deságua no oceano da política brasileira.

Joga-se na conta da banalização o fato de que, ao sustentar a campanha de um candidato, na esfera do Executivo ou do Legislativo, uma empresa ou um cidadão está, na verdade, “comprando” a defesa de seus interesses. Ou seja, o “investidor” escolhe um candidato esperando que sua representação esteja ajustada ao seu “pacote de interesses”. Portanto, o patrocinador usou seus recursos para fortalecer um empreendimento pessoal.

O que resulta desta ambígua operação financeiro-política? O fenômeno que o vulgo designa de “rabo preso”. Ou seja, o representante eleito deverá, doravante, substituir o escopo da coletividade, o bem público, por “bens” dos investidores, pessoas físicas ou jurídicas.

Os laços entre os financiadores e os candidatos costumam se estender pelas malhas intestinas da administração pública, após a eleição.  Em muitos casos, se estabelece uma relação de promiscuidade com o político, pela qual a máquina pública deverá abrir suas engrenagens ao acesso dos  apoiadores. O jogo é conhecido, resultando em superfaturamento de obras e serviços, fraudes em licitações, contratos públicos e beneficiamentos ilícitos.

Deste cenário, pode-se aduzir que as empresas não doam, mas investem. E quem paga a conta é a sociedade, que suporta uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo. E mais: não recebe o retorno deste montante em benefícios sociais como Moradia, Saúde, Educação e Segurança.

Outro agravante são as obras e serviços executados sob este modelo. Não passam pelo exame de qualidade e de condições de uso. Muitas ficam inacabadas. Há de se destacar que, lado da corrupção passiva, desenvolve-se uma corrupção ativa, crimes que juntam representantes políticos, servidores e empresários no mesmo banco de réus. Mais do que olharmos para os rumos que a política brasileira tem tomado, urge reavaliar os costumes que têm impregnado a alma social. Dentre eles, o famigerado financiamento privado de campanhas eleitorais.

A continuar essa modelagem, persistirá a quebra do principio da isonomia e da igualdade de oportunidades, alicerce do Estado de Direito. São muitos os casos recentes que dão conta da compra de votos, da utilização irregular de sobras de campanha e do favorecimento explícito de candidatos.

Esta é a razão pela qual o SESCON-SP e as demais entidades do Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor decidiram reagir contra a malversação do dinheiro público e rejeitar qualquer proposta com viés de aumento de carga tributária. O Brasil já bate recordes de arrecadação. É inadmissível um tributo ou imposto a mais para onerar a folha das empresas.

É hora de revermos o “bolo” do financiamento privado de campanhas. É hora de escolhermos representantes que não estejam inspirados no jogo de recompensas. 

(*)Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas, professor da Universidade Mackenzie e professor tutor da FGV-RJ. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios. Há mais de quinze anos atua como executivo em empresas multinacionais

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É uma pena que para muitos brasileiros o que importa de verdade é saber que seu time de futebol foi campeão. Outrora, ostentam a fragilidade intelectual adquirida por falta de educação e cultura, financiando carroças em até 72 meses para mostrar aos seus próximos que tem poder de compra, e não se importam de pagar duas vezes pelo bem!
É uma pena que neste país de pão e circo, poucos estão interessados na política, máquina que faz acontecer, quando quer!!
Enquanto tivermos de ser governados por traças, o que nos sobrará serão as migalhas, infelizmente, e arcar com o montante.
 
Wellington Sampaio em 09/10/2012 10:08:36
A cada ano politico a história se repete. O problema mais grave nesse contexto é a falta de esclarecimento da população e dos eleitores, que não pensam ou não querem pensar quando vão às urnas, elegem sempre os mesmos oportunistas que se perpetuam no legislativo e executivo. Como é que vamos resolver essa questão se o povo não tomar atitude coerente, enquanto alguns ficam se beneficiando da compra de votos, outros ficam aproveitando da falta de inteligência dos demais e por ai vamos caminhando, talvez até chegarmos ao caos. É preciso mostrar ao público com clareza o custo de uma eleição,
quem sabe o eleitores sabendo quanto pagam para essa turma, possa haver uma mudança radical nesse história. Onde já se viu aumentar mais oito vereadores na capital, para que?
 
João Carlos Portalete em 09/10/2012 08:00:58
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