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04/06/2015 15:07

O dinheiro e a natureza

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Na idade média, o dinheiro era confusamente demonizado pela Igreja que deixou de lado o fato de que Jesus foi criado por José, proprietário de uma próspera e conceituada empresa de marcenaria que recebeu como herança de família, mas que ao seguir em sua missão esclarecedora deixou-a para seus irmãos. Quando o uso do dinheiro se expandiu pelo mundo, alguns estudiosos passaram a examinar atentamente as suas relações com os humanos e o lento processo da transferência do poder de mando. Foi estabelecido que os reis deveriam impedir os malefícios das mutações monetárias, zelar pela estabilidade, não cair no endividamento desnecessário.

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Segundo Nicole Oresme, em seu tratado De Moneta, do século 13, "a moeda é um bem comum da população". Ela não poderia ser objeto das inescrupulosas manipulações. Especular com a moeda deveria ser definido legalmente como crime de lesa-humanidade.

A economia está inserida num sistema de política globalizante que acirrou os movimentos especulativos que tripudiam sobre as moedas. Além disso, os gestores públicos não administram as contas com eficiência e com isso levam os países a se endividarem, o que vem ocorrendo há séculos. Depois, na hora de pagar os juros e fazer os resgates, a situação se complica e os organismos monetários, que deveriam ter agido por antecipação determinando melhor planejamento, passam a ser rigorosos a fim de assegurar alguma solvabilidade, impondo sacrifícios que poderiam ter sido evitados com o uso de seriedade e bom senso.

Muitas pessoas não olham o que tem de bom em seu redor para se alegrar buscando a melhora. Em vez disso ficam se lamentando, enfatizando o negativismo. As pessoas estão percebendo que o tempo voa. A ansiedade explode, as pessoas querem falar, querem agir, querem fazer tudo na pressa, sem refletir, como se o tempo estivesse acabando. Quem entende isso? Quem examina? Nesta quadra da vida temos de ser desbravadores com coragem e persistência. É fundamental entender o que se passa ao nosso redor. Vamos erguer bem alto a bandeira da consideração e do respeito ao próximo.

Na economia, temos oscilado da euforia ilusória ao negativismo exacerbado. Falta o bom senso dos pés no chão. Assim não aproveitamos os momentos melhores e desanimamos nos mais difíceis. Isso está ligado à falta do conhecimento do significado da vida e seu propósito maior, o que transformou os seres humanos em trabalhadores temporários, consumidores de baixa renda, sem que se deem conta da grandeza que os rodeia.

O Brasil já esteve do lado da felicidade da vida, com população generosa e alegre. Essa condição tem sido destruída pelo embrutecimento que já começa no ato de geração. O que esperar de seres gerados sem amor, sem incentivos para a busca do propósito maior da vida? O acorrentamento voluntário às cobiças e vícios está levando todo um país ao descalabro, dominado pelo logro, violência e prepotência. A verdadeira solidariedade está na contribuição de cada um para o beneficiamento do todo. Isso requer maturidade espiritual e compreensão do significado da vida.

Ao se afastar da natureza, o homem se apegou ao dinheiro e intensificou sua vontade de tudo dominar. Sabe o que está fazendo ao destruir as condições que possibilitam a vida, mas insiste em viver em conflito com a natureza em vez de se ajustar a ela. A intuição também é importante, pois ela sabe, ela pressente a grandiosidade dos automáticos mecanismos que sustentam os habitats. A intuição nos chega através do plexo solar, de onde segue instantaneamente pela rede de nervos para o cerebelo, processada e enviada para o cérebro frontal para fazer análises, ajustes e decisão. Lamentavelmente grande parte das pessoas não consegue mais ouvi-la, pois bloqueou os canais naturais.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, e associado ao Rotary Club de São Paulo. Realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros “ Conversando com o homem sábio”, “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”, e “2012...e depois?”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

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