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Campo Grande, Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

28/11/2016 17:48

O palmeirense e a conquista do seu garoto

Por Helton Verão (*)

Estou escrevendo esse texto em 28 de novembro de 2016. Eu, e creio que nenhum palmeirense imaginaria que somente 22 anos depois estaria celebrando o título de Campeão Brasileiro. Comecei a torcer para o Palmeiras aos 7 anos, em 1993, durante aquele Paulistão, graças a ver meus primos mais velhos festejarem e torcerem pra um time que ganhava com frequência.

Após a conquista do Brasileirão daquele ano, eu, do alto dos meus 7 anos achava que torcia pro melhor time do mundo e que todo ano ganharia de todo mundo (consequentemente o Campeonato Brasileiro anualmente), engano meu...

Os anos foram passando e fui percebendo que haviam outros trocentos times e cada um com o seu Deus a quem os torcedores rezariam, sem contar com o fator principal, que o futebol é o esporte mais imprevisível do planeta.

Com 30 anos de idade, não tenho filhos ainda, mas posso dizer que estou extremamente preparado para o desafio, graças a Sociedade Esportiva Palmeiras, ah claro e aos meus pais, pois afinal, não fossem eles, eu não saberia/poderia comparar o meu clube de coração a um filho.

Porquê a comparação? Nesses 22 anos tive que aprender ter paciência com o Palmeiras, coisa que garanto que outros torcedores de diferentes times não têm, ou estão aprendendo ter hoje em dia. Defender, proteger, cuidar, sofrer e amar, ganhar casca!

Nesses 22 anos, claro que meu filho tirou algumas notas boas, vide Paulistão de 1996, aquele time dos 100 gols, vide a Copa Do Brasil de 1998, Mercosul do mesmo ano, com quase 100% de aproveitamento; a tão sonhada e uma das maiores conquistas da história do clube, a Libertadores em 1999; Rio-SP e Copa dos Campeões em 2000; Paulistão de 2008 e mais recentemente as Copas do Brasil de 2012 e 2015, mas faltava ser o melhor aluno da sala em um ano daquela matéria... O Brasileirão (não vamos lembrar das reprovações [rebaixamentos] de 2002 e 2012, pois já chorei junto com você, prometi castigo e te amei ainda mais).

Então, os torcedores rivais, geralmente, todos seus melhores amigos te perguntavam se seu filho não iria se esforçar para tirar um 10 ao menos uma vez e eu (e os palmeirenses) sempre queria mostrar que o nosso filho tinha outras mil qualidades e era esforçado.

Com o título da disputada Copa do Brasil de 2015, os alviverdes imaginaram que 2016 seria O ANO. Pois começou tudo errado, talvez aquele professor não fosse bom (Marcelo Oliveira), vamos mudar de escola que tal?!

Só um mestre para salvar esse ano de novo no Campeonato Brasileiro que se iniciava logo ali. O “Mestre Cuca” começou mal. Derrotas para times inexpressivos no Paulistão. “Oh meu Deus, será se meu filho terá mais um ano como os outros 21 de novo?!”.

Eis que o garoto esforçado começou a estudar e mostrar resultado. Praticamente o campeonato inteiro na ponta e “será que este ano vai??”

E FOI!

E eu estava ali, na primeira fileira te apoiando e esperando, com os olhos marejados, como estive e te achei maravilhoso desde os meus 7 anos de idade e lamento por não ter tido memória ou conhecimento suficiente para ter te escolhido ainda antes. Estava pronto para aquele mesmo abraço de sempre, claro que dessa vez com uma pitada da maior felicidade do mundo. Mas eu estava o tempo todo ali!

(*) Helton Verão é jornalista

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