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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

18/03/2015 11:41

Ó Pátria amada, idolatrada, Salve-se! Salve-se quem puder!

Por Paulo Renato Coelho Netto (*)

Pode-se enganar a todos por algum tempo. Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo.” (Abraham Lincoln)

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Há tanta gente escrevendo sobre o mar de lama que virou o país que resolvi ficar quieto. Só que, às vezes, não dá. É preciso falar também.

Lembrei da música do Raul Seixas, Eu também vou reclamar: "Mas é que se agora, pra fazer sucesso, pra vender disco, de protesto, todo mundo tem que reclamar"...

Mesmo ciente de que não se pode criticar o governo sem ser taxado de reacionário ou parte dazelite branca, entrei na onda do maluco beleza e de milhões de brasileiros que foram às ruas neste 15 de março.

Só em São Paulo, o protesto neste domingo contra a corrupção endêmica que tomou conta do Brasil reuniu mais de um milhões de pessoas na Avenida Paulista. Um marco histórico.

Em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, milhares de brasileiros foram às ruas. De crianças a idosos. Uma festa da democracia.

O mesmo ocorreu no Distrito Federal, nas 26 capitais e cidades do país. "Não se pode enganar a todos todo o tempo".

Pacífico, ordeiro e sem receber caixinha ou lanche dos movimentos sociais manipulados e sustentados pelo poder, o povo foi às ruas mais uma vez.

Criticar o PT, na visão petista, é ser simpatizante do PSDB e dos outros partidos.

Estamos em um Estado Democrático de Direito. Portanto, a crítica é legítima, desde que não venha acompanhada de ódio, ignorância e preconceito.

Vivemos um momento crítico no Brasil. Basta olhar em volta. O sentimento de revolta lembra uma panela de pressão prestes a destruir a cozinha e quem estiver por perto.

Todo mundo parece nervoso. Um bom termômetro para perceber isso é observar as pessoas no trânsito, onde a selvageria de cada dia é exercitada entre buzinas, gritos e safanões.

Há um distanciamento enorme entre versão e fatos. O governo garante que não é nada disso que estamos pensando, que tem razão em tudo que faz e como faz.

Que não há problema algum em prometer uma coisa na campanha e fazer exatamente tudo pelo avesso depois de reconquistar o poder por mais quatro e longos anos.

Perdulário, o governo exige que o povo pague a conta. O mesmo que mantém 39 Ministérios em Brasília e milhares de cargos de confiança.

Segue a retrospecitva 2014. Praxe em 2015. Veja:

Dilma: “Nem de longe a crise no Brasil é do tamanho que falam”
Claro que não. É muito pior. Basta ir ao supermercado para ver os preços. No mais, gasolina, álcool e o diesel subiram para aumentar ainda mais este ano. A energia deve acumular 53% de aumento em 2015.

Governo: O PT mudou a maneira de fazer política no país
Perfeito. Para isso se uniu a novos políticos como Paulo Maluf, Renan Calheiros, Michel Temer, Eduardo Cunha, José Sarney e Fernando Collor, entre outros.

Governo: Brasil, pátria educadora
Quer saber como está a educação? Pergunte aos milhares de jovens que dependem do Fies (Programa de Financiamento Estudantil) para continuar seus estudos. Em Campo Grande (MS), de uma só vez na semana passada, 70 universitários desistiram de um curso de medicina por não conseguir renovar o benefício. Desde já eles compõem o Programa Menos Médicos.

Vá a uma universidade federal para ver o que se faz com a educação neste país. Não precisa ir a laboratórios, bibliotecas ou centros de pesquisas para saber a situação de penúria da pátria educadora. Dirija-se ao banheiro. Não tem papel higiênico.

É tanta prioridade para o setor que, assim que assumiu, em janeiro, a presidente Dilma fez um corte de R$ 7 bilhões de reais no orçamento da Educação.

O Brasil tem 13 milhões de analfabetos com mais de 15 anos de idade, fora outros tantos de analfabetos funcionais, aqueles que escrevem o nome, mas não conseguem ler ao menos o letreiro do ônibus que precisam embarcar.

Frei Betto publicou no Portal Top Vitrine o artigo “Pátria de semianalfabetos” (Blogs & Colunas 27/01/2015). Nele, o frade dominicano alerta para o baixo nível da educação no país:

“Há pouco saiu o resultado do Enem 2014. Prestaram exames 5,9 milhões de jovens brasileiros. Dos quase 6 milhões inscritos, 529.374 ganharam nota zero em redação, cujo tema proposto foi "Publicidade infantil".”

“Entregaram a prova em branco 280.903 alunos. São os analfabetos funcionais, aqueles que não cultivam o hábito de leitura e, com certeza, redigem apenas monossílabos e símbolos gráficos nas redes sociais... Eles sabem ler mas não compreendem o que leem”.

“Um total de 217,3 mil redigiu um texto alheio ao tema. Treze mil copiaram o texto motivador; 7,8 mil escreveram menos de sete linhas; 3,3 mil embutiram na redação trechos do texto motivador de forma desconectada; e 955 escreveram ofensas aos direitos humanos. E apenas 250 mereceram a nota mais alta!”

Governo: Só sei que nada sei
É preciso acabar com a cultura do nada sei que impera desde o primeiro governo Lula, o ex-presidente que nada sabia sobre o Mensalão. Foi informado pela imprensa. Da mesma forma, a presidente Dilma nada sabe e nunca ouviu falar na roubalheira histórica da Petrobras. Ficou sabendo também pelos jornais. O ex-presidente da Estatal, José Sérgio Gabrielli também nada sabia. Graça Foster, idem. Como se pode roubar sistematicamente, durante anos, R$ 10 bilhões de uma empresa sem que a roubalheira nunca ter sido notada?

Sumiram com um Everest de dinheiro e ninguém viu.

Governo: nunca antes na história desse país a corrupção foi tão combatida
Assista, reveja, leia o depoimento de Pedro Barusco à CPI da Petrobras. Ladrão desde a década de 90 na Estatal, Barusco afirma que a corrupção tornou-se institucionalizada na empresa a partir de 2003 e 2004. O Ministério Público conseguiu repatriar, até agora, R$ 182 milhões de reais do bandido, cuja a cara de pau ficou evidente durante seu depoimento na Câmara dos Deputados.

O que é pior: sabendo que mais de R$ 10 bilhões foram roubados da Petrobras nos últimos anos, os R$ 182 milhões afanados por Barusco são peixes pequenos que navegam no mar de lama do caso. Você tem ideia do que sejam R$ 10 bilhões de Reais? Nem eu.

De acordo com o poeta Ferreira Gullar, o bandido que rouba dinheiro público nasce com DNA de bandido. É o caso do Barusco que ganhava R$ 1,2 milhão por ano como executivo da Petrobras, mas achava pouco. Com renda mensal média por ano em torno de R$ 100 mil, investiu na corrupção para engordar o orçamento.

Ganhava R$ 100 mil por mês em um país no qual o salário mínimo é menos de mil reais e onde tem gente pegando lata e papelão no lixo para sobreviver.

Governo, prioridade à saúde
Procure um hospital público e se interne pelo SUS para ver a prioridade à saúde ou tente marcar uma consulta de urgência através do Sistema Único de Saúde para ver o resultado.

Governo: investimentos nas rodovias
Com exceção das estradas privatizadas, as rodovias no Brasil tornaram-se fábricas de produção diária de cadáver. É mais arriscado viajar de carro por aqui que passar as férias na Síria.

Governo: aqueles que praticaram mal feitos estão pagando
Tradução: os ladrões que roubaram o país estão na cadeia. Cadeia? Cadeia no Brasil é para pobre. Os que foram presos com o punho cerrado, que sabiam que não ficariam na cadeia, voltaram às suas atividades normais. Cuide-se!

Uma questão: por que será que um pobre, quando rouba ou furta, é preso por roubo ou furto e um político por desvio de dinheiro público? Se todos são ladrões, por que os ladrões oficiais não são chamados assim também, simplesmente: ladrões?

Tradução de mal feitos: roubalheira, formação de quadrilha, apropriação de dinheiro público e enriquecimento ilícito, entre outros crimes graves que são tratados simplesmente como mal feitos.

Governo: passamos por uma marolinha (Lula) e/ou a economia vai melhorar (Dilma)
Nunca antes na história deste país os bancos privados lucraram tanto, batendo recordes a cada novo trimestre. Juros no Brasil estão entre os mais altos do mundo, assim como o que se arrecada de impostos que o povo, aparentemente, não vê ou faz a menor ideia de onde vai parar.

Em 2015, há expectativa de queda brusca no PIB, aumento da inflação e desemprego.

Dos 365 dias no ano, o brasileiro trabalha 149 dias para pagar tributos, ou seja, você trabalha cinco meses para o governo. Restam sete meses apenas. Se tirar férias de 30 dias, sobrarão apenas seis meses do ano para você.

Em 2014, o Governo Federal arrecadou R$ 1,1 trilhão em impostos. R$ 1,1 trilhão!

Agora, só entre nós, eu e você: sem essa de impeachment.

Nunca antes na história desse país o PT precisa tanto do PMDB. À beira do abismo, basta um leve sopro do PMDB para o PT perder o poder.

O destino político do país está nas mãos e no humor do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Basta ele aceitar um pedido de impeachment para o PT ir para o limbo.

Na política os fracos não sobrevivem e o PT, neste momento, está sem forças.

Assim, o PMDB vai fazer de tudo para manter a Dilma no poder para não assumir um país quebrado e caótico.

Pedidos de impeachment serão rechaçados pelos coroinhas de Ulisses Guimarães.

Ao longo do primeiro mandato, a presidente acumulou uma série de erros que colocaram o Brasil à beira de uma recessão.

Cabe a ela resolver o problema. Entre eles, um dos mais graves de todos, desobrigar sua entourage a chamá-la de presidenta. Chega a doer nos ouvidos.

Ah, só mais uma coisa. Na crise, no aperto e na fome, ninguém é neoliberal, fascista de direita, coxinha, burguês mentor de complô, destruidor de conquistas sociais, reacionário ou golpista.

Somos apenas gente comum com contas a pagar.

Ouça o eterno mestre Raul Seixas. Nos versos, "a verdade do universo é a prestação que vai vencer". E fim de papo.

www.topvitrine.com.br/tv/eu-tambem-vou-reclamar

(*) Paulo Renato Coelho Neto é jornalista

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